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Resumo da Semana

A Garota da Vitrine* (Shopgirl, 2005). De Anand Tucker

Eu comparo A Garota da Vitrine a um chocolate meio amargo. É doce até certo ponto, mas saboroso como poucas coisas no mundo - nesse caso, no mundo cinematográfico. É incrível como alguns longas nos surpreendem: a história sobre uma garota dividida entre o amor de um homem mais velho que não quer um realcionamento sério e um garotão inexperiente que simplesmente não sabe lidar com uma mulher, é realista em muitos pontos, mas que tem direção de sonho, criando imagens belíssimas, composições de cenas absurdamente plásticas, emolduradas por uma fotografia única, entre o iluminado e o escuro. Também chama a atenção a montagem, com transições criativas e, de novo, muito bonitas, a exemplo daquela em que a janela de Claire Danes se transforma em um ponto de luz em meio ao céu estrelado. Se fosse só isso já era uma grande começo, porém há mais. A garota do título é Mirabelle (Claire Danes), solitária, linda, mas que ainda não encontrou alguém para amá-la verdadeiramente. É quando aparecem em sua vida, Ray (Steve Martin) e Jeremy (Jason Schwartzman), o primeiro um gentlemen, o segundo um moleque. Basicamente acompanhamos a relação entre ela e Ray, contudo o final feliz será de outra natureza. A produção é baseada num conto de Steve Martin, muito bem num papel sério. É para se apaixonar minuto a minuto. Nota: 8,5

Confissões de uma Mente Perigosa (Confessions of a Dangerous Mind, 2002). De George Clooney

O que mais chama a atenção na estreia de George Clooney na direção é como um conjunto de notáveis funciona tão bem: Clooney mostra estilo e inteligência no comando, Sam Rockwell dá um show de interpretação e o costumeiro roteiro amalucado e brilhante de Charlie Kauffman também está ótimo. Era para qualquer um deles se sobressair, mas os três pilares criam um longa cheio de forma e profundidade que não chega a surpreender, mas vai longe em suas pretensões e dá a luz ao retrato da existência perturbada do produtor de TV Chuck Barris - ainda que alguns duvidem que ele realmente tenha trabalhado para a CIA. O filme não julga, apenas expõe a história que ele mesmo escreveu no livro que deu origem ao roteiro. Dizem que Kauffman acusou Clooney de ter deturpado o script que ele lhe entregou, de qualquer forma os dois deveriam agradecer a Sam Rockwell e à liga que o ator dá a toda aquela loucura. Não à toa ganhou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Berlim. Nota: 8,5

* Filme visto pela primeira vez

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