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Crítica: Cartas para Julieta

 

Não tem jeito, nessa época do ano sempre pinta um filme ultrarromântico para aquecer os corações mais apaixonados. E do mesmo jeito que as doses de açúcar crescem nos cinemas, Hollywood apresenta ao mundo sua mais nova queridinha. A bola da vez é Amanda Seyfried, incansável nos últimos dois ou três anos. Só em 2010, ela já pôs em telas brasileiras três longas: Querido John, O Preço da Traição e mais recentemente Cartas para Julieta (Letters to Juliet, EUA, 2010).

A missão dessa vez é arrancar suspiros, que, com certa ponderação, é possível dizer que foi um sucesso. Amanda é Sophie, uma jovem produtora do The New Yorker cujo grande sonho é se tornar uma repórter de campo e escrever. Junto ao noivo, ela viaja para Verona, na Itália, a fim de uma prévia da lua-de-Mel, que deve acontecer em breve. Lá ela descobre as tais cartas para Julieta e como certas “secretárias” as respondem. Mas é daqui que a verdadeira trama sai. Ao responder uma dessas cartas ela toma conhecimento da incrível história de Claire, senhora inglesa que há cinco décadas deixou um texto cheio de dúvida e amor pedindo conselhos a Julieta a respeito de um tal Lorenzo. Bem, a mulher, lógico, vai correr atrás do tempo e leva consigo o neto, Charlie. Juntos à aspirante a repórter, eles irão procurar o amor perdido da sexagenária.

Bem, nem é preciso dizer que Sophie e o tal rapaz irão se interessar um pelo outro, né? Principalmente depois que o roteiro, convenientemente, apresenta o noivo da jovem como um workaholic que não lhe dá atenção – problema amenizado na atuação absolutamente leve de Gael Garcia Bernal, excelente. Ainda que o romance entre Sophie e Charlie seja apresentado esquematicamente – te odeio, te acho legal, te amo -, Cartas para Julieta tem um grande trunfo chamado Vanessa Redgrave, na pele de Claire. Ela é a alma do filme e sua história realmente vai se tornando cada vez mais interessante, sempre sublinhada por um trabalho formidável, que envolve emoção e tranquilidade em cada gesto e flexão de texto da atriz. Fora que o roteiro ajuda bastante em apresentar Lorenzos dos mais engraçados.

E se Vanessa é a alma, Amanda é o coração do longa. Não que seu papel exija muito, mas ela está encantadora, mesmo nos momentos mais bestinhas. Algo que só faz o Charlie de Christopher Egan um chato de galochas. Aliás, não há como não citar o momento em que Claire lembra que o neto faz uns trabalhos pro bono. Artifício barato para tentar quebrar a péssima imagem construída até então do personagem. Talvez com uma personalidade menos irritante para o rapaz e uma aproximação mais sutil entre os jovens, a produção ganhasse alguns pontos valiosos, os quais se somariam à doce trama de Claire e seu Lorenzo. Essa sim, de acender corações. Ah se não fossem os clichês... (suspiro)

Nota: 7

 

Crítica: Homem de Ferro 2

A série de filmes que a Marvel prepara, Os Vingadores, tem um dono e ao mesmo tempo um desafio: Tony Stark. Dono porque a fábrica de quadrinhos/estúdio usou a marca Homem de Ferro como o pontapé inicial para a entrada de vez no mercado hollywoodiano e ele é quem mais leva à frente a preparação do terreno para o longa que reunirá vários heróis sob as asas da chamada S.H.I.E.L.D. Desafio devido à grandeza que Robert Downey Jr. vem imprimindo ao papel de sua vida. Algo que pode sombrear um projeto que, em tese, seria maior que ele.

Quer ver como a comemoração de mais um sucesso pode fazer tremer a Marvel? Homem de Ferro 2 (Iron Man 2, EUA, 2010), no fim das contas, só não é um tropeço por ter direção e elenco fantásticos e pôr os planos d'Os Vingadores para caminhar. Se não fosse por isso, o longa seria mais do mesmo e nem assim Stark sai arranhado. Como inseri-lo no grupo com o brutamontes Hulk, o hiperpatriota Capitão América mais o semideus Thor, se desses apenas o primeiro pode rivalizar em popularidade com Tony? E olha que Hulk vem sofrendo para emplacar nas telonas...

Até lá, no entanto, é possível se divertir horrores com essa continuação. A trama principal não traz muita diferença do original: há um vilão (Ivan Vanko) querendo fazer o mal e o herói batendo de frente com ele. O que funciona como novidade é inserção em larga escala da S.H.I.E.L.D. Por meio dos personagens Nick Fury e Natasha Romanoff, a Viúva Negra. Eles enriquecem a história, que só tem um ponto dramático: a crise de Stark sobre seu futuro e a instabilidade de personalidade.

O diferencial, de novo, está em Jon Favreau e no cast. Vanko é criado com densidade por Mickey Rourke, da mesma forma que Sam Rockwell dá intensidade a Justin Hammer. Além do mais, dizer Scarlett Johansson está sexy como Romanoff já se tornou clichê e ainda eclipsa o trabalho correto dela. Enquanto isso Don Cheadle defende Rhodes da melhor maneira que alguém pode substituir um colega no maior papel (em tamanho) que ele já atuou – Terence Howard e Marvel não tiveram um acordo sobre salário, ao que parece.

Não precisa dizer, mas sem a força de Downey Jr. dificilmente Favreau conseguiria dar à plateia o mesmo sentimento de caos que motiva Stark a rever sua vida quando ela está por um fio. O cineasta acerta na direção de atores e nas coreografias digitais de combate entre o Homem de Ferro e outras armaduras, como a Máquina de Guerra. Mas falha no mesmo ponto que o longa anterior, na batalha final, que poderia ser épica e é resolvida rapidamente numa jogada manjadíssima e com gosto duvidoso de “unidos venceremos”.

Homem de Ferro 2 ainda guarda uma cena após os créditos que fará os fãs de quadrinhos salivarem, entretanto, terá que ser repensado como marca solitária anterior ao futuro pensando pela Marvel. Aliás, a empresa só não pode querer diminuir Tony Stark em uma eventual terceira história antes da junção dos heróis sob o novo rótulo.

Nota: 8

Resumo da Semana

Adrenalina 2 - Alta Voltagem* (Crank - High Voltage). De Mark Neveldine e Brian Taylor

Não que o primeiro Adrenalina seja um exemplo de "cinema verdade" - muito pelo contrário, é escapismo dos mais divertidos -, mas essa continuação é de um exagero tão grande, que tudo, mas tudo mesmo perde o sentido. OK, é legal ver ação estúpida, mas, por favor, dê algum rumo para a história. Aqui Chev Chelios dispensa as descargas de adrenalina e corre atrás de eletricidade para o coração mecânico que foi implantado no lugar do original. A missão? Bem, buscar o coração verdadeiro enquanto tenta se manter vivo. Personagens antigos voltam, outros são introdizidos e o roteiro nem se preocupa em disfarçar o absurdo de tudo aquilo. Triste, já que o primeiro era doentio sem ser epilético. Aqui é uma convulsão atrás da outra. Deram a direção a um garoto de 12 anos tarado. Nota: 5

Alice in Wonderland: An X-Rated Musical Fantasy* (Idem, 1976). De Bud Townsend

A história que diz que Lewis Carroll nutria uma paixão pela pequena Alice Liddell de 10 anos todo mundo sabe - é para ela o livro mais famoso do autor -, mas a paixão pedófila do escritor não chegou às vias de fato. Entretanto, sempre há espertallhões para tudo e na década de 1970 pensaram: se o livro nasceu de algo tão lascivo, que tal fazermos a nossa versão sexualizada da história? Não que essa fala tenha sido verdade, mas o longa está aí e sinceramente não sei o que pensar, pois ver Alice cantando e seguindo o coelho branco para um mundo em que aprende algumas lições sobre sexo (nas suas várias variantes) é no mínimo bizarro. É interessante ver como o longa justifica (mal) as cenas de cópula. De tudo a garota tira algum aprendizado, culminando, claro, na perda do medo de se entregar ao namorado - alguém vai reclamar do spoiler? Apesar de tosco, pode-se dizer que esse An X-Rated Musical Fantasy é um tipo de fonte inspiradora para Calígula, de 1979. Nota: 4

* Filme visto pela primeira vez

Action!

O que uma boa edição e vários cacoetes dos filmes de ação podem fazer juntos? Se tiver a música certa, criam um video dos mais legais! Foi o que Jacob Bricca fez! Para animar o domingo.

Aumentem o som e ponham em Full Screen!

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