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Cadavérico

É de assustar! O rapper 50 Cent ficou irreconhecível para viver um jogador de futebol americano com câncer no longa Things Fall Apart. Foram cerca de 25 kg perdidos em menos de 3 meses. A dieta era de líquidos e longas caminhadas de três horas.

No elenco também estará Ray Liotta. O filme é dirigido por Mario Van Peebles, ator que esteve em Ali e vários outros filmes de menor projeção.

O caso me lembrou o de Christian Bale em O Operário. Ele emagreceu 30 kg e ficou ainda mais estranho que o cantor. Valeu a pena. O longa em que ele vive uma homem cheio de culpa e paranóia foi um dos grandes 2004.

Mas se a caracterização é meio caminho andado, 50 Cent terá que mostrar serviço atuando, afinal, o impacto em si não carrega um filme nas costas. Bale provou isso e foi além de sua magreza mórbida.

Crítica: Alice no País das Maravilhas

A afirmação é quase uma unanimidade: a história de Alice, a garotinha que descobre o Mundo das Maravilhas, teria na figura de Tim Burton o caminho certo para mais versão rica no cinema. Entretanto, Lewis Carroll deve ter se revirado no túmulo quando a visão burtoniana foi mostrada para as platéias de todo o mundo.

 

Um dos maiores lançamentos de 2010, Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, EUA, 2010) foi aguardado com grande expectativa, ainda mais depois da notícia de que o longa seria convertido para o formato 3D. Imaginou-se uma imersão tão grande quanto à de Avatar. Esperou-se muito da jovem (e desconhecida) Mia Wasikowska, como a personagem-título. Pensaram no quão bizarro e divertido Johnny Depp poderia ser na pele do Chapeleiro Maluco. Falaram do igualmente estranho, mas belíssimo visual que o cineasta poderia imaginar. Ou seja, criou-se uma expectativa monumental para a nova empreitada de Burton. Como se diz por aí, o tombo poderia ser grande. E quase foi.

 

Não, o visual de Alice não passa nem perto do melhor já criado pelo diretor, responsável por A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, lúgubre e engraçado. O motivo é apenas um, efeitos visuais. Depois de Tim ter criado mundos através de direções de arte primorosas, como em Edward Mãos-de-Tesoura ou Os Fantasmas se Divertem, é estranho vê-lo se enveredar cada vez mais pelos caminhos digitais, aumentando exponencialmente a quantidade de cenas feitas na base do chroma key. O efeito colateral é a expulsão da platéia de um mundo que poderia ser maravilhosamente explorado. Um bom exemplo é a cena em que Alice, diminuída, conversa com o Chapeleiro, enquanto este lhe conta o passado. Nem a própria menina parece crível na cena, que deveria ser emotiva, mas acaba chamando a atenção pela artificialidade do ambiente.

De verdadeiro mesmo, apenas Johnny Depp, mais uma vez provando ser um gigante em cena. Na sétima parceria com Burton era de se esperar que a fórmula ator fetiche + papel esquisitão fosse dar sinais de esgotamento, entretanto Depp dá mais uma aula de versatilidade e foge do óbvio, ainda que a caracterização não ajude muito – parecem querer que ela chame mais a atenção que o ator.

 

Por falar em personagem, fica difícil a identificação com a nova Alice. Na história, bem diferente da original em alguns pontos, a garota volta ao País das Maravilhas já com 19 anos, prestes a se casar, mas não se lembra de que um dia esteve lá. Entretanto a motivação parece a mesma: fuga da realidade. Ela está em momento crítico, não se adéqua ao seu tempo e aí que a coisa se complica. Há uma missão a ser cumprida, numa clara alegoria ao monstro do fim da adolescência, mas o arco dramático de Alice simplesmente não é cumprido por ela, pois sempre existe alguém por perto para fazer as coisas, dar a mão, empurrá-la para o objetivo. Se não fosse pela batalha final, ela, incrivelmente, passaria em branco pelo longa. Eclipsada pela hilária (e mais interessante) Rainha Vermelha, vivida com intensidade por Helena Bonham Carter.

 

Por fim, quem viu a produção em 3D descobriu o quanto a conversão lhe fez mal. Não há absolutamente nada que justifique a mudança – a não ser que você se satisfaça com três ou quatro cenas em que coisas pulam em seu rosto. Pelo contrário, em alguns momentos os elementos de cena desfocam ao passarem muito rápido pela tela ou quando vão à frente dos personagens, além de algumas distorções e problemas de perspectiva.

 

É pena que o (em tese) óbvio Tim Burton tenha criado uma versão aquém do que a conversadora Disney já havia feito na década de 1950 com essa história tão psicodélica, quanto genial, criada há quase 150 anos.


Nota: 6

Resumo da Semana

 A Órfã* (Orphan, 2009). De Jaume Collet-Serra

Na última semana achei que tinha visto o pior filme do ano. Estava enganado, A Órfã supera qualquer problema de A Terra Perdida facilmente. Sinceramente não esperava grande coisa, mas o roteiro de David Johnson vai se tornando cada vez mais absurdo até chegar num final simplesmente ridículo. Não bastassem persongens fracos - o de Peter Sarsgaard é especialmente idiota -, o filme se torna uma versão das perseguições clichê de Sexta-Feira 13, em que o algoz pode ser surrado, mas tem sempre um último susto a dar. É inacreditável a falta de sentido do longa, que se contraria o tempo todo e reserva uma revelação no terço final que fará muita gente rir involuntariamente. O cartaz da produção dizia "Há algo de errado com Esther". Há mesmo, a protagonista é um verdadeiro fracasso - e olha que a garotinha Isabelle Fuhrman trabalha até trabalha bem, mas milagre pessoa alguma faz. Nota: 2

 Homem de Ferro (Iron Man, 2008). De Jon Favreau

Há ainda alguma coisa a dizer a respeito de Homem de Ferro? Não muito, mas também não custa lembrar que o filme é uma vitória da diversão sem sacrificar a inteligência. Basta lembrar que os inúmeros efeitos visuais da armadura de Tony Stark impessionam tanto quanto os usados em Transformers, por exemplo, mas na comparação, o longa de Michael Bay perde de longe para o carisma e charme do playboy por trás do Vingador Dourado. Fator ator: Robert Downey Jr. achou o papel da vida e teve apoio do diretor Jon Favreau, firme na condução do longa. Peca apenas por não ter um clímax de mais pegada, mas chama a atenção por ter ação compreensível, apostando em edição menos esquizofrênica. Vale rever freqüentemente. Nota: 8,5

 Detroit Rock City* (Idem, 1999) De Adam Rifkin

Ritmo frenético, personagens rasos, roteiro amalucado e Rock, muito Rock. A princípio quem iria querer ver um filme como esse? Poucos, mas isso a princípio, pois Detroit Rock City é apenas diversão adolescente e irresponsável, numa realização em celulóide dos desejos de qualquer jovem com 16 anos. Pode ser bestinha, entretanto as sitações exageradas se tornam cada vez mais engraçadas e de resolução inesperada. E é incrível como a música não pára um minuto sequer, indo de Black Sabbath a Carl Orff, passando por Ramones, Thin Lizzy e, claro, KISS, grupo que catalisa a trama. Fora que os quatro protagonistas estão numa sintonia ímpar. Nota: 8

* Filme visto pela primeira vez

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