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Crítica: Um Sonho Possível

Poucas expressões poderiam definir tão bem Um Sonho Possível (The Blind Side, EUA, 2009) como a que foi incansavelmente usada nos textos sobre a produção: a feel good movie. E não é à toa.  Ao fim do longa, não há esse espectador que não saia da sessão com o espírito renovado. Mas isso não quer, necessariamente, dizer que ali esteja Cinema de primeira.

 

OK, Um Sonho Possível tem vários pontos positivos: bom elenco, é simples e chega mesmo a emocionar. Entretanto, há de se salientar: aqui não há qualquer originalidade. Sim, você já viu essa história antes: mazela, oportunidade, luta, conquista. Com certeza, as quatro últimas palavras descrevem a trajetória de pelo menos uma centena de filmes.

 

Os caminhos tomados pelo diretor/roteirista John Lee Hancock até ajudam na empatia com sua cria. Há sempre um quê de segredo na trama que desperta interesse – mesmo que mantê-lo não seja tão relevante assim -, além de um bom personagem: Big Mike (Quinton Aaron). Ele é um jovem alto e forte que não consegue encontrar rumo na escola, nem se adequar aos esportes, algo que o físico o cotaria facilmente. O silêncio dele é bem explorado, enfatizando as poucas falas, que chamam a atenção mesmo não se tratando de algo exatamente importante.

Mas para a sorte de Lee Hancock, Sandra Bullock está em estado de graça. Loira e com o carisma de sempre, ela assume de peito aberto o papel da socialite Leigh Anne Tuohy, tornando-se a grande atração da película. É ela quem acolhe Big Mike em casa, lhe abre portas e o incentiva no esporte. Sandra dá conselhos, broncas e uma cama para o jovem – na cena que fará muita gente sentir um nó na garganta -, tudo com muita propriedade e firmeza. Exatamente por isso levou o Oscar de Melhor Atriz do ano.

 

Aí você coloca os ingredientes finais: um coadjuvante rouba-cena – o divertidíssimo S.J. vivido por Jae Head -, um roteiro esquemático, beirando o episódico – o que dá um ar de vários desafios superados - e o mais importante, lembrando que tudo o que passa na tela é uma história real. Pronto. Bem amarradinho é sucesso na certa.

 

Um Sonho Possível rendeu muito bem nas bilheterias e todos os dólares o creditaram até mesmo para uma vaguinha entre os indicados ao Oscar de Melhor Filme do Ano. Não levou e nem merecia, afinal, o roteiro tem lá seus furos – Big Mike aparece em cena jogando basquete que é uma beleza, mas prefere o futebol americano, no qual é um peso morto de início –, seu ritmo é extremamente inconstante e a trama você sabe onde vai dar antes mesmo de se sentar na poltrona. Porém, quando ela chega lá você entende o motivo do tal feelgood, ainda que o movie deixe um pouco a desejar.

 

Nota: 7

Resumo da Semana

Sociedade dos Poetas Mortos* (Dead Poets Society, 1989). De Peter Weir

O que diferencia Sociedade dos Poetas Mortos de filmes como Ao Mestre, Com Carinho ou mesmo Meu Mestre, Minha Vida? Simples, apesar de falar de professores, o longa mostra não a visão do docente, mas dos alunos sobre ele. E mais, um professor carismático que verdadeiramente instiga os garotos a aprenderem tanto na classe quanto na vida. Além disso, curtir o início da adolescência daqueles jovens de outra época em meio à própria descoberta de suas paixões dão um toque de luminosidade incrível ao filme. Fora que Peter Weir, diretor de mão cheia, cria planos belíssimos, além de ter as atuações daqueles jovens nas mãos. Robin Williams, como de costume, dá show, sem roubar a cena dos então novos talentos Ethan Hawke (Antes do Amanhecer), Josh Charles (Três Formas de Amar) e Robert Sean Leonard (hoje muito conhecido como Dr. Wilson de House). Aliás, Leonard é responsável pelo arco mais comovente e triste da narrativa. Igualado apenas pelo final arrebatador - "Ó Capitão, Meu Capitão!". Clássico moderno. Nota: 9

* Filme visto pela primeira vez

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