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Você quer aprender a como fazer uma ação de marketing original (e ousada) para um filme? Que tal isso? 

Esse clipe incrível é da música "Shoot to Thrill", do AC/DC - originalmente lançada em 1980 no album "Back in Black" - e faz parte da trilha sonora do Homem de Ferro 2, que já está em cartaz. O cenário exuberante é o Castelo de Rochester, na Inglaterra.

É de ficar de boca aberta, não?

Crítica: O Livro de Eli

Você pode se impressionar com as explosões e efeitos visuais apurados de um Transformers, afinal, fazer filmes de ação é tarefa corriqueira para Hollywood, que normalmente aposta no espetáculo para faturar alto. Daí vem um dos vários motivos de taxarem o cinema norte-americano de vazio. Entretanto é sempre interessante perceber quando alguém busca dar nova forma para o que parece intocável.

Não, O Livro de Eli (The Book of Eli, EUA, 2010) não se trata de uma revolução. Nem chega a ser um primor, porém é o que se pode chamar de filme de ação com algo a mais. Os aspectos técnicos de primeira estão lá. O som é poderoso. Os efeitos especiais também fazem bonito. Figurino e direção de arte são milimetricamente estudados, mesmo feitos para serem de ruínas. Mas o primeiro filme dirigido pelos irmãos Hughes (Albert e Allen) em nove anos vai além da diversão descerebrada.

A história é simples: num planeta Terra pós-apocalíptico, Eli tem a missão de guardar e levar uma importante escritura para o Oeste. Entre uma briga e outra para manter a salvo o tal livro, ele encontra pela caminho Carnegie, o único que sabe o real valor do que está naquelas páginas. Mais simples impossível, como nos bons filmes de ação.

Mas eis que do solo cinzento das paisagens de O Livro de Eli, das mangas dos Hughes e do roteirista Gary Whitta surgem algumas interessantes mensagens sobre controle de massas e fé. Não é nenhum segredo que Eli carrega contigo uma bíblia e menos ainda o poder que a religião tem sobre as pessoas. É atrás desse poder que Carnegie vai, em meio sociedade devastada não só materialmente, como também de conhecimento. E para que a produção não pareça uma pregação só, sutilmente ela faz pensar: a fé pela fé pode ser perigosa, é preciso um moderador, justamente o conhecimento que falta a todos aqueles homens e mulheres alvos de  Carnegie.

Claro que para dar liga a esse questionamento, o longa não usa de papos cabeça ou formas inovadoras, trabalha com o que de melhor Hollywood tem para hipnotizar plateias. E até aí há diferencial. Não há como negar que Albert e Allen são sujeitos criativos, sabem como manipular a câmera para pôr na tela cenas incríveis como uma luta de facão em silhueta ou um plano-sequência no qual uma metralhadora arrasa uma casa.

Não se pode mesmo dizer que O Livro de Eli é apenas mais um filme de ação. Afinal, não é toda hora que se tem no elenco desse gênero dois pesos pesados como Denzel Washington e Gary Oldman. O primeiro dando densidade e verdade às angústias do personagem título, além de convencer como herói. O segundo deixando seu lado insano, mas inteligente fruir, como se fosse um Zorg – o vilão de O Quinto Elemento – melhorado e (quase) nada kitsch. Você sabe, para fazer Comando para Matar ou Predador, o velho e bom Schwarza tinha os músculos. Para O Livro de Eli era preciso um pouco mais. Denzel e Gary foram bons porta-vozes.

Nota: 8

Resumo da Semana

 Se7en - Os Sete Crimes Capitais (Se7en, 1995). De David Fincher

Fincher vinha de uma estréia extremamente criticada com Alien 3 - que acho um bom filme -  e três anos depois pôs essa pérola no mundo. Sinceramente acho que não entenderam Se7en, um dos filmes mais maus da história do Cinema norte-americano, mas que virou moda, além de ter sido um incrível sucesso comercial. Filmes sobre serial killers pipocaram, nenhum com a profundidade e tão obscuro quanto o longa do assassino Joe Doe - cujo nome pode ser abrasileirado para Zé da Silva, ou seja, qualquer um. O homem que joga o pecado capital contra o pecador chega ao final de sua jornada como vencedor e expõe que a humanidade é boa enquanto você concorda com ela ou não faça algo contra ela. É mais ou menos a mesma motivação do Coringa no recente O Cavaleiro das Trevas, que quer provar que o Homem é mau por natureza. A frase final do longa deixam as coisas mais claras sobre a visão da história: "Ernest Hemingway escreveu uma vez que 'O mundo é um bom lugar e vale a pena lutarmos por ele'. Eu concordo com a segunda parte", diz o cansado Detetive Somerset, vivido por Morgan Freeman. Nota: 9,5

 Agente 86 (Get Smart, 2008). De Peter Segal

Salto de qualidade quem deu mesmo foi Peter Segal. Homem à frente de uma da maiores besteiras de todos os tempos, chamada O Professor Aloprado 2 - A Família Klump - que filme ruim, Meu Deus! -, há dois anos dirigiu muito bem a adapatação para os cinemas de uma das séries de TV mais cultuadas de todos os tempos. Bom timing e tecnicamente quase irrepreensível, ele conta com a ótima dinâmica entre o hilário Steve Carell e a competente Anne Hathaway - aqui mais linda do que nunca - para criar uma comédia muio divertida. Se dá voltas demais no roteiro, a produção tem cenas antológicas - como a inevitável dança em uma recepção -, bons diálogos e coadjuvantes que rivalizam com os protagonistas - destaque para Alan Arkin. Peter Segal, de 2000 para 2008, pulou de Nota 0,5 para Nota: 8

Al

E já que ainda não é meia-noite, não posso deixar de dar ao menos uma nota: Parabéns aos 70 anos do maior ator do Cinema, Al Pacino. Não vou me estender falando quanto sou fã dele, nem da carreira - aqui você encontra um ótimo texto. Só lembro um trecho da cena de O Advogado do Diabo que me abriu os olhos para toda a filmografia desse gigante de intensidade e genialidade em frente às câmeras. Uma das minhas favoritas.

Comentário ao vivo

E hoje o episódio da série humorística (meio sem humor) S.O.S. Emergência, da Globo, conseguiu juntar três grandes vilões de filmes brasileiros. Fábio Lago, do elenco fixo do programa, foi o Baiano de Tropa de Elite. Leandro Firmino da Hora, o mítico Zé Pequeno de Cidade de Deus, faz uma participação. E o terceiro malvadão do Cinema do Brasil é Guilherme Fontes, do nunca lançado, mas muito caro, Chatô - O Rei do Brasil - com ironia, por favor.

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