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Trilha

Há muito tempo venho querendo usar essa cena no Trilha. Chegou o dia!

Acho que não existe viva alma que tenha assistido à Sessão da Tarde e não tenha visto Curtindo a Vida Adoidado alguma vez na vida. É incrível como o filme de John Hughes é popular, quase uma unanimidade, considerado por muitos como o filme adolescente definitivo dos anos 80. Não é para menos. Engraçado e inconseqüente como qualquer um gostaria de ser. Duvido que alguém, um dia, não queria ter sido Ferris Bueller: dirigir uma Ferrari, ser tão querido na escola e ainda passar o diretor linha dura para trás.

Mas ao contrário do que vocês podem estar pensando, não trarei a cena mais conhecida do longa - ainda que ela mereça. Num filme alto astral absurdamente, Hughes reservou um momento lírico numa visita do trio de protagonistas a um museu - sinceramente não sei qual. Por entre peças de gênios da Arte, enquanto Ferris (Matthew Broderick) e Sloane (Mia Sara) aproveitam o local para ficarem juntos, Cameron (Alan Ruck) é a figura que mais chama a atenção ao se identificar com a criança do quadro de Georges-Pierre Seurat. Num movimento muito bonito, o diretor faz um paralelo entre os rostos do personagem do filme com a garotinha da pintura, ambos de olhos azuis.

Pois bem, essa cena singular da produção é embalada por uma versão instrumental de 'Please. Please. Please Let Me', do grupo inglês The Smiths, que você confere dando play!

Enjoy.

Clicando aqui, você confere a versão original de 'Please. Please. Please Let Me'

Resumo da Semana

 Lua Nova* (New Moon, 2009). De Chris Weitz

Bem mais cuidadosa com a produção, a continuação de Crepúsculo ainda é pedante. Falta liga, muita liga para a história, que convenhamos, praticamente repete a linha principal do enredo anterior. A partir do momento que Edward se vai, Bela se entrega à paixonite pelo amigo lobisomem Jacob. Aí seguem os mesmos passos: admiração, segredo revelado, distanciamento e dor. Assim até a volta do vampiro, e com ele a trama emula (mal e desnecessariamente) a tragédia de Romeu e Julieta. Pelo menos o diretor Chris Weitz é mais preciso na utilização dos efeitos visuais e evita cenas constrangedoras como a corrida de Edward pela floresta do original. Entretanto, o roteiro de Melissa Rosenberg é abrupto e nenhum pouco sutil. Não existe preparação para o desenvolvimento da trama, o que transforma Lua Nova num amontoado de acontecimentos que pretendem desenvolver personagens. Fica só na pretensão, algo desastroso para a história, uma vez que a cada novo passo da "Saga Crepúsculo", me parece que o pano de fundo fantasioso é apenas isso, ambientação, e não um fim em si, com foco no romance da Bella e Edward. E se não questionei antes, acho que agora é a hora: haja licença poética para vampiros à luz do dia e lobisomens que se transformam quando estão nervosos - LobisHulk. Credibilidade é tudo e Stephenie Meyer acabou com a dela com esses "novos conceitos". Por favor... Nota: 5,5

 Os Outros (The Others, 2001). De Alejandro Amenábar

Você pode até não achar esse o melhor dos filmes de terror, mas questionar as qualidades e o quão roteiro e direção são precisos é tarefa difícil. Alejandro Amenábar é tão cuidadoso em não repetir fórmulas que subverte até o mais besta do clichês: a trilha sonora crescente, em 99% das vezes, te deixa na mão quanto a um susto qualquer ao culminar num momento sem qualquer importância para aquela tensão que cria. A espinha gela nos momentos mais inesperados, com um pequeno som, uma aparição aleatória ou corte seco que revela algo. O final, então, demonstra a inteligência do diretor/roteirista ao nos colocar sob uma nova perspectiva de casas mal assombradas. Nota: 10

 Clube da Luta (Fight Club, 1999). De David Fincher

Talvez o longa mais injustiçado da Sétima Arte. Bom, em partes, pois poucos têm a popularidade da obra-prima de David Fincher. É injustiçado por ser relegado ao underground mesmo sendo uma produção mainstream. Não que ser underground seja ruim, só evita que a mensagem anárquica seja mais divulgada entre as "massas". Perdem a oportunidade de conhecer melhor um dos melhores personagens de todos os tempos do Cinema: Tyler Durden. A palavra "complexo" é pouco para defini-lo. Pode-se dizer "mordaz", "bizarro" e "louco" que ainda faltam adjetivos. Clube da Luta é mais que um filme, é um acontecimento, um marco, não é perfeito e nem foi feito para isso. É uma revolução. Veja agora! Nota: 9,5

 Thriller - A Cruel Picture* (Thriller - En Grym Film, 1974). De Bo Arne Vibenius

Como toda boa produção B obscura, Thriller veio de longe (Suécia), é referência para algum cineasta cult (Tarantino em Kill Bill), tem violência gráfica e psicológica e para a minha alegria foi feito na década de 1970 - a melhor época para produções do gênero na minha opinião. O longa conta a trágica história de Madeleine, jovem muda traumatizada devido a um estupro na infância, seqüestrada quando adulta, viciada em heroína e obrigada a se prostituir para sustentar o vício pelas mãos do cafetão. Não bastando isso, depois de um primeiro programa desastroso, o "patrão" lhe arranca um olho como castigo. Óbvio que em algum momento a vingança virá como onda de violência. O longa é kitsch, com o mais over possível da estética setentista e ainda sim consegue ser interessante. Há cenas de sexo explícito, sangue e seqüências em câmera lenta que antecipam em quase 30 anos os movimentos de Matrix e cia. A protagonista, Christina Lindberg, é uma das musas do exploitation da época. Vendo o filme você entende o motivo. Nota: 8

 Estrada para Perdição (Road to Perdition, 2002). De Sam Mendes

Ao contrário da "Saga Crepúsculo", aqui está um excelente exemplo de como usar um pano de fundo para trabalhar algo a mais: admiração e paternidade. O ambiente é a máfia da bebida nos Estados Unidos dos anos 30, mas a história fala de como filho e pai irão se aproximar durante um curto período em que viajam juntos em fuga. O diretor Sam Mendes e o roteirista David Self usam elementos daquele contexto para dar consistência à trama e adaptam de forma exemplar a graphic novel homônima. O resultado final é belíssimo. Nota: 8,5

* Filme visto pela primeira vez

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