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Crítica: Zumbilândia

Fazer rir com terror não é nenhuma novidade - alguns longas o fazem até sem querer. Filmes de zumbi já completam mais de quatro décadas desde que George Romero pôs no mundo A Noite dos Mortos Vivos. O quê Zumbilândia (Zombieland, EUA, 2009), então, poderia ter de tão especial para justificar todo o seu sucesso nas bilheterias e entre a crítica? Fácil: é jocoso e tem um senso pop incrível.

 

Começa pela abertura com a introdução das regras que o protagonista Columbus (Jesse Eisenberg) julga terem sido fundamentais para mantê-lo vivo num mundo que se transformou na, bem... terra dos zumbis – Zumbilândia. Letreiros apontam regra por regra e estas serão provadas durante todo a fita. Não antes da magistral seqüência de créditos ao som de “For Whom the Bells Tolls”, do grupo Metallica, introduzindo muito bem o caos daquele mundo. (Vide o Trilha abaixo)

 

Mas até aí são apenas ótimas brincadeiras. O roteiro se mostra inspirado mesmo nos personagens. Columbus é um nerd típico e cheio de manias, Wichita (a bela Emma Stone) e sua irmã Little Rock (Abgail Breslin crescida) se mostram muito mais perigosas do que parecem, enquanto Tallahassee rouba toda e qualquer cena num papel perfeitamente escrito para Woody Harrelson. Os quatro travam diálogos hilários e são introduzidos em cenas absurdamente divertidas.

E por falar em diversão, não houve coisa melhor nos últimos anos em termos de entretenimento que Tallahassee. Com Harrelson atropelando, atirando e surrando nunca foi tão engraçado (ou fácil) matar mortos-vivos - desculpem o trocadilho. Foi preciso um quase apocalipse para que ele descobrisse seu maior talento. Como o próprio diz: “Os negócios vão bem!”

 

A história, que no fim das contas é o item de número 4 ou 5 nas prioridades do roteiro, é inteligente o bastante para assumir a estrutura de um road movie, algo providencial para dar a dimensão da virulência zumbi (pelo menos) em território americano. E é numa dessas andanças, em meio a discussões sobre Willie Nelson e “Call of Dutty”, que eles topam com Bill Murray, dono da cena que faz muita gente ter o melhor dos paradoxos: chorar de rir.

 

Ainda que o final descambe para alguns dos maiores clichês do gênero - subir quando deveria fugir ou encarar o medo para salvar a mocinha – Zumbilândia já conseguiu créditos o bastante para escorregar sem perder muitos pontos. Afinal, não é todo dia que aparece filmes cuja cena mais lírica é a destruição de uma loja de souvenirs e o terror é tão engraçado. Evil Dead que o diga.

 

Nota: 8,5

Trilha

Não ponho qualquer coisa no Trilha, não. Ultimamente até procurava algo bacanudo, quando me deparei com a sequência genial de abertura de Zumbilândia.

O terrir é bom em vários sentidos, mas logo nos primeiros minutos dá ao público a segunda melhor cena do longa - a primeira, para qem não viu, é a que envolve Bill Murray. Na trilha sonora cheia de Rock - vai de Van Halen a Raconteurs -, o MetallicA é a grande estrela.

Durante os créditos iniciais, o diretor Ruben Fleischer filma magistralmente cenas bizarras e engraçadas envolvendo perseguições de mortos-vivos, enquanto o editor Alan Baumgarten capricha na câmera lenta criando uma das passagens mais inspiradas dos último tempos.

É por causa disso (e mais) que Zumbilândia mereceu cada dólar que faturou - a crítica você confere essa semana aqui no Cinefilia. Por enquanto, evite bater cabeça e curta "For Whom the Bell Tolls" mais doom - e sangrenta - do que nunca.

E tudo começa no badalar de um sino... 

Resumo da Semana

 Olhos de Serpente (Snake Eyes, 1998). De Brian De Palma

Ótimo exemplo de forma dando mais vulto ao conteúdo. À primeira vista é uma história policial como outra qualquer, de bons personagens é verdade, mas que não foge muito do esquema crime-investigação-reviravolta-solução. É a mão de Brian De Palma que eleva a película. Planos-sequência, vários pontos de vista, telas divididas e a brincadeira de esconde-esconde de cenas feita por ele em pontos estratégicos transformam Olhos de Serpente num belo jogo de gato e rato com Nicolas Cage maluco na medida certa. Destaque para a belíssima Carla Gugino. Nota: 8

 Fernão Capelo Gaivota* (Jonathan Livingston Seagull, 1973). De Hall Bartlett

A missão não era fácil: filmar gaivotas de verdade e, na edição, colar as falas de acordo com o livro homônimo de sucesso de Richard D. Bach. Tirando um errinho ou outro, a missão é cumprida belíssimamante. Imagens fascinantes emolduram a história de Fernão, gaivota que aprende a voar mais alto e rápido como nenhum de seu bando, quebrando o código de conduta. Como castigo é banido, o que o leva a conhecer o mundo longe das praias. Ganha não só o mundo, mas conhecimento o bastante para ser impelido a voltar ao bando e mudar a rotina dos que julgava intolerantes. Pode parecer auto-ajuda, mas vale a pena pela edição e as sequências de vôo. Nota: 8

 A História de Nós Dois (The Story of Us, 1999). De Rob Reiner

Não custa nada você ser maduro, mesmo em filmes absolutamente românticos, como esse A História de Nós Dois. O filme discute o matrimônio através de adultos cheios de frustrações, mas pessoas amargas que buscam deixar essa condição - ainda que as dificuldades sejam latentes na tela. Bruce Willis e Michelle Pfeiffer estão muito à vontade na pele do casal que finge ter um casamento para não atingirem os filhos com suas agruras. A Rob Reiner caberia apenas olhar a trama, mas ele vai além e cria flashbacks tão interessantes em sua execução quanto em seu recheio - a sequência pontuada apenas por frases que se repetem é sensacional. Nos minutos finais Michelle Pfeiffer tem um monólogo que dá todo sentido à história. Bela trilha de Eric Clapton. Nota: 8,5

* Filme visto pela primeira vez

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