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Rádio Música Cinéfila

Como vocês sabem o Cinefilia conta com uma ferramenta para deixar sua leitura ainda mais agradável, a rádio Música Cinéfila. Nela são mais de 300 músicas vindas diretamente das melhores Trilhas Sonoras do Cinema. São músicas clássicas como "Nobody Does I Better", tema de 007 - O Espião que me Amava, ou modernas como "Paper Planes", de M.I.A, saída da trilha de Quem Quer Ser UM Milionário?. Isso sem esquecer das canções que vêm bombando nos filmes de sucesso mais recentes.

Falo isso tudo apenas para lembrá-los que daqui para frente, a pedidos, a Música Cinéfila não começará a tocar automaticamente com a abertura do blog, como era antes. Agora, peço para que vocês apertem o play na caixinha de som que fica aqui à esquerda, embaixo dos links de outros sites e blogs que indico.

Dando o play, é só aguardar carregar rapidinho e pronto, você já estará com boa música nos ouvidos.

Sempre que atualizar a Música Cinéfila solto um post aqui avisando das novidades!

Piscadela

Crítica: Sherlock Holmes

Como não ficar com o pé atrás quando Hollywood resolve reimaginar – palavra da moda por lá – um clássico? Hitchcock e Fellini já sofreram com isso. Há alguns anos, a notícia de que Sherlock Holmes sofreria uma modernização deixou os fãs  de Sir Arthur Conan Doyle ressabiados. Quando a obra começou a tomar forma, a coisa foi ficando ainda mais assustadora: como diretor, o estiloso Guy Ritchie, de Snatch e, bem, da patetada Destino Insólito. Como protagonista: Robert Downey Jr., sim, o Homem-de-Ferro, que teria o parceiro Jude Law, o ator que já foi um sedutor e um bocó passado para trás por Tom Ripley. E como sacrilégio final, Professor Moriarty não seria o vilão.

 

Como não ficar com o pé atrás? Bem, não se pode dizer que Guy Ritchie criou uma obra-prima ou sequer fez o melhor longa do detetive inglês. Mas é fato que Sherlock Holmes (Idem, EUA/Alemanha, 2009) está longe de ser um filme ruim, e o mérito não é só do diretor. Sem as boas atuações de Downey Jr. e Law, a produção poderia, sim, ser uma galhofada.

 

A despeito de qualquer prognóstico a reformulação dessa vez acabou bem. Holmes ganhou uma aura bonachona muito bem-vinda, não deixa de mostrar suas preferências pelo álcool (e ópio) e sua inteligência é o ponto alto do longa. Além, claro, de suas habilidades de boxeador. As análises que faz durante as lutas, por exemplo, aplicando golpes certeiros em seus adversários, são uma diversão só.

Pontos também para a caracterização de Jude Law como Watson. Para quem está acostumado a ver o fiel escudeiro do detetive como um mero coadjuvante nas investigações, aqui terá um verdadeiro parceiro. Com o detalhe de que ambos são de um charme arrebatador, a melhor das características dos personagens moldados por Ritchie.

 

Aliás, o cineasta continua criativo, como visto recentemente em RocknRolla. As cenas de ação são poderosas e divertidas – a certa altura eles afundam um navio que estava em terra - e a edição rápida, espanta qualquer desatenção da platéia. Isso sem contar a perfeita recriação de Londres no fim do século XIX.

 

Entretanto a história, em sua metade final deixa muito a desejar. Todo o mistério criado, todas as pistas levantadas se tornam óbvias. Tudo bem, você pode até achar que Sherlock Holmes tem um tipo de reviravolta, mas numa segunda observação, dificilmente irá se surpreender – essas surpresas são marcas dos roteiros mais complexos, vide O Sexto Sentido ou Se7en. A impressão que se tem é que o roteiro corre de um lado para o outro apenas para desnortear o espectador. Não deixa, porém, pontas soltas, mas por toda a expectativa criada é resolvido com pressa. Pior, esquece do que tinha de melhor: bom humor e glamour, investindo tudo na ação. Do prato saboroso que era, serve um feijão com arroz no terceiro ato.

 

Nota: 7,5

Resumo da Semana

Michael Jackson's This Is It* (Idem, 2009). De Kenny Ortega

É bom que como último legado, MJ tenha deixado um filme muito mais interessante que a maior parte de suas incursões no Cinema. Fora que mostra quem ele realmente era: um cantor, compositor e dançarino excepcional - e não um ator, sejamos sinceros. This Is It é apenas uma amostra do gigante espetáculo que ele preparava em Londres em 50 shows. E é ali, em cima do palco, que o documentário de Kenny Ortega o foca, por meio de videos dos ensaios feitos durante a preparação daquelas noites. O longa não é nada mais que isso: Michael Jackson em seus últimos passos, ideias e notas musicais. A produção não pretende mais que mostrá-lo cobrando, agradecendo e sendo ele mesmo nos bastidores. Ao som de clássicos como "Wanna Be Starting Somthing", "Black or White" e "Thriller" vale muito. Nota: 8

Trainspotting - Sem Limites (Trainspotting, 1996). De Danny Boyle

Para quem conheceu o trabalho de Danny Boyle através de Quem Quer Ser Um Milionário?, é bom dar uma olhada para trás e saber de onde o diretor realmente veio e saber do que ele é capaz. Trainspotting é sua melhor forma: ousado, moderno e denso. Tudo bem que o vencedor do Oscar do ano passado seja um grande filme, mas na história dos viciados em heroína protagonizada por Ewan McGregor, Boyle dá uma aula de como ser chocante, dramático e irônico num filme apenas e ainda esfrega na cara da sociedade algumas de suas hipocrisias.  Um clássico moderno. Nota: 9

Garota Infernal* (Jennifer's Body, 2009). De Karyn Kusama

Tinha tudo para dar certo: a roteirista do momento (Diablo Cody), com a atriz mais quente em Hollywood (Megan Fox), numa história para adolescentes sobre sexo, satanismo e mortes, sem qualquer apelo cerebral. Era o sonho de diversão de qualquer moleque e muitos adultos. Mas tudo ficou na promessa. Diablo Cody escreveu um dos roteiros mais sem sentido da história e coroou de vez Megan Fox como "A Rainha Gostosa dos Filmes Ruins" - Transformers 2 foi seu carro-chefe, sem trocadilhos. Garota Infernal é um amontoado de clichês nada divertidos, de narrativa bestinha e piadas horríveis. Nem lembra a belezinha que foi Juno. Onde Diablo Cody estaria com a cabeça quando criou a história dessa Sucubus? Devolve o Oscar Diablo! Nota: 4

* Filme visto pela primeira vez

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