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O AntiCarnaval

Ê! Chegou o Carnaval! Hora de ver aqueles intermináveis desfiles na televisão, gente correndo atrás de trio elétrico, modinhas toscas serem criadas e você aí, em casa, num enfado medonho! Que beleza...

Bom, enquanto muitos sites por aí fazem listas de filmes sobre a festa de samba e axé music - como se ela já não estivesse para todo lado -, aqui no Cinefilia saparei quatro filmes anticarnaval, um para cada dia até a terça-feira, que vão lhe garantir pelo menos duas horas longe de plumas e paetês. E e eles são:

 


MetallicA - Some Kind of Monster

E já para chegar metendo o pé na porta, vamos com um documentário sobre uma banda de heavy metal, que tal? O longa de 2005  mostra o difícil período pelo qual o MetallicA - que recentemente esteve em turnê no Brasil - passou quando gravava o disco maldito 'St. Anger'. Brigas, álcool, rock pesado, cabeludos tirando as diferenças enquanto criam música e as câmeras de Joe Berlinger e Bruce Sinofsky captando tudo. Talvez o filme seja um santo remédio desintoxicante. Vale, inclusive, para os que não conhecem ou apreciam a música do MetallicA.

 

Réquiem para um Sonho

Talvez um dos filmes mais depressivos da história, o longa de Darren Aronofsky vai fundo na história de vício de três jovens e uma senhora. É moderno com sua edição ágil e estilizada, é bonito na relação que cria entre os personagens, é horrível no caminho que as drogas traçam e mal, muito mal. Tem uma das trilhas sonoras mais marcantes dos últimos 20 anos e conta com atuações magistrais de gente que você menos espera, a exemplo de Ellen Burstyn e Marlon Wayans, num papel sério. Garanta apenas que haja pessoas com as quais possa conversar depois do longa, afinal, não queremos uma depressão em pleno Carnaval, não é mesmo?

 

Monty Python - Em Busca do Cálice Sagrado

E para curar o chororô do dia anterior nada melhor que uma comédia. Melhor ainda se for algo do grupo inglês Monty Python. Pois, para muitos, Em Busca do Cálice Sagrado é a comédia mais engraçada de todos os tempos. Não é para menos, a sátira dos contos do Rei Arthur é um amontoado de piadas hilárias que simplesmente não te deixa respirar. Mais lágrimas virão por aí, mas dessa vez de tanto rir. Já vá antecipando dois momentos antológicos: 1. Sir Lancelot e sua carnificina, não sem antes uma entrada "triunfal". 2. Arthur enfrenta o poderoso Cavaleiro Negro. Nonsense, político e ácido. Ótima pedida para a segundona.

 

A Casa dos 1000 Corpos / Rejeitados pelo Diabo

Tudo bem, era pra ser apenas quatro filmes, mas como separar A Casa dos 1000 Corpos de Rejeitados pelo Diabo? Os longas do rockeiro Rob Zombie são seu melhor cartão de visitas: maus, sujos e cínicos. Veja-os em sessão dupla. É terror sem firulas, cheio de perversões e diverte que é uma beleza. Têm os personagens mais, digamos, cativantes da última década no gênero, que fazem as brincadeirinhas forçadas de Jigsaw parecem palhaçadas. E, bem, já que a conta dessa lista acabou em cinco, vale para a manhã de quarta de cinzas. Uma quarta bem pagã, diga-se de passagem. Ah! Ótima trilha, cheia de rock.

 

Comentários de Última Hora: Todos os filmes citados estão nas locadoras. Então, mexa-se!

Reflexos

Algumas cenas são puro clichê, outras dão medo de verdade e algumas brincam com uma obsessão dos diretores de filmes de suspense e terror, principalmente: espelhos. Bem legal a compilação que richfofo postou no YouTube. Os últimos trechos, sério, chegam a dar certa tensão. Mas vamos dos mais varidos filmes, de Um Lobisomen Americano em Londres a Ringu. De V de Vingança a Shaun of he Dead.

Resumo da Semana

 Rebobine, Por Favor* (Be Kind, Rewind, 2008). De Michel Gondry

Esse filme pertence à mesma categoria de produções como A Última Sessão de Cinema ou Cinema Paradiso, ou seja, longas metalinguísticos com um olhar peculiar sobre a própria produção artística, verdadeiras odes ao Cinema. No caso da película de Gondry, com uma abordagem bem específica do que foi lançado nos últimos 30 anos, como se o próprio cineasta revisitasse muitos dos filmes que cresceu assistindo. E como de praxe em sua filmografia, tudo com muita criatividade, partindo de um ponto muito original. Mos Def é o cara que toma conta da locadora de VHS's de Danny Glover. Quando Jack Black desmagnetiza todas as fitas do lugar, Def e ele terão de refilmar tudo o que os clientes pedem para que Glover não descubra a pisada de bola. Assim, versões suecadas (veja o filme e entenda o termo) de longas como Os Caça-Fantasmas, Conduzindo Miss Daisy ou RoboCop surgirão para a alegria dos clientes e platéia. Hilário e uma deliciosa viagem para Cinéfilos entre 25 e 40 anos. Fora que Rebobine, Por Favor  ainda reserva um final emocionante, que toca, de verdade, a quem ama o Cinema. Pode não ser perfeito, mas é magistral! Nota: 8,5

* Filme visto pela primeira vez

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