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Crítica: It Might Get Loud

Ele não é adepto do estilo de documentário invencionista de Michael Moore (que é ótimo, mas às vezes se excede), mas uma coisa é certa, Davis Guggenheim também não tem medo de, em seu estilo contido, ousar. Já ganhou um Oscar por isso e com It Might Get Loud (EUA, 2008) cria um ótimo estudo sobre o fascínio da guitarra.

 

Em 2006 o mundo parou com as revelações que Al Gore fazia durante uma palestra sobre o aquecimento global. Algumas melhoradas aqui e ali na dinâmica da coisa, uma edição fluida e, pronto, Uma Verdade Inconveniente se tornou um fenômeno. Não é exagero dizer que o Nobel da Paz recebido pelo ex-futuro presidente norte-americano em 2007 pode ser atribuído ao filme de Guggenheim, vencedor dos Oscars de Melhor Documentário e Melhor Canção (vejam só).

 

O caminho mais fácil seria seguir na onda verde que ele mesmo criou. Mas não, o cineasta fez uma ficção (Gracie, sobre uma jovem que joga futebol), trabalhou com Barack Obama e chegou ao projeto que reuniu ninguém menos que Jimmy Page, The Edge e Jack White para bater um papo sobre música.

 

Para os amantes de rock e guitarras em geral, It Might Get Loud é um prato cheio, afinal, não é toda hora três gerações de guitarristas-símbolo se juntam para discutir guitarras e suas influências. No caso de Jimmy Page é um feito, já que nem suas músicas costuma liberar para trilhas sonoras. Aqui, no entanto você poderá não só escutar as clássicas “Going to California” ou “Whole Lotta Love”, como terá o próprio Page empunhando sua Gibson Les Paul.

Pois da simplicidade dessa conversa entre os guitarristas do Led Zeppelin, U2 e White Stripes é possível ir mais longe do que apenas o olhar para três das obras mais significantes da música nas últimas três ou quatro décadas. Eles falam do Blues e outros estilos que deram origem ao Rock, de como suas histórias de vida determinaram o caminho que seguiram e, claro, de como escolheram suas companheiras de palco. Até mesmo a arrogância, narcisismo e preciosismos daqueles homens te fazem entender melhor de onde vieram canções como “I Will Follow”, “Blue Orchid” ou “Stairway to Heaven”

 

Algumas cenas são antológicas, a exemplo da abertura em que White constrói uma guitarra com um pedaço de pau, uma garrafa, uma corda e pregos. Ou quando Page dedilha algo enquanto os colegas babam. The Edge ainda reserva uma das frases mais fortes do filme: “Sou apenas um guitarrista ou também um compositor?”

 

O amor pela música salta do estúdio em que estão, vai para as ruas, mostra que aqueles homens não fazem apenas barulho e entretenimento, mas uma sonoridade de alta qualidade, e levam o espectador a conhecer mais e mais sobre um som que ele, em algum momento, entrou em contato. Vale cada minuto e cada nota. 

Nota: 8,5

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