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Globo de Ouro 2010

E a Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood entregou ontem mais alguns Globos de Ouro. Festa badalada e prêmios a rodo, alguns, claro, merecidos, outros nem tanto. E aqui vão meus comentários:

Não, eu realmente não acho que Avatar tenha sido merecedor do prêmio de Melhor Filme de Drama de 2009 - mesmo sendo um filmão. Mas pela bilheteria monumental não é de se estranhar a vitória. Muitos apostavam em Guerra ao Terror, que também perdeu o Globo de Melhor direção - James Cameron bateu Kathryn Bigelow.

E já deixo claro que tenho preconceito contra Nine, indicado a Melhor Filme de Comédia ou Musical. Essa onda de refilmagem nos Estados Unidos está indo longe demais e Nine é um remake de 8 e 1/2, clássico de Federico Fellini. Espero estar muito enganado e torço para que o filme queime minha língua, no entanto achei ótimo o prêmio para Se Beber, Não Case na categoria de Melhor Comédia ou Musical.

Ainda não assisti a Amor Sem Escalas, mas ele tem que ter muito tutano para ter batido os roteiros de Distrito 9 e Bastardos Inglórios.

Agora, Sandra Bullock levou o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Drama por O Lado Cego, na minha opinião, pelo mesmo critério de Avatar: dólares. Não que eu não goste dela, tenho uma simpatia muito grande, mas contra estava ninguém menos que Helen Mirren e o detalhe de O Lado Cego ter a maior cara de ser daqueles dramas de SuperCine. Mas fauturou alto, fazer o quê?

Sobre simpatia, digo o mesmo para Robert Downey Jr., mas daí ele levar o prêmio por Sherlock Holmes acho um pouco de exagero. Em 2008 ele esteve em melhor forma com Homem de Ferro e Trovão Tropical (foi indicado por este) e não levou.

E vamos ser sinceros, mesmo Up - Altas Aventuras tendo sido um dos grandes filmes do ano passado, sua história apenas passa perto da originalidade e beleza de Coraline e o Mundo Secreto. Ou seja, não é de forma alguma o Melhor Filme de Animação de 2009.

Dito isso, é esperar pelo próximo grande prêmio, o Oscar - e pelas discussões no dia seguinte à premiação.

Globo de Ouro 2010

Abaixo você encontra todos os indicados em cinema e os vencedores destacados.

Melhor Filme - Drama
Avatar
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios
Precious
Amor Sem Escalas


Melhor Filme - Comédia ou Musical
(500) Dias Com Ela
Se Beber, Não Case
Simplesmente Complicado
Julie & Julia
Nine


Melhor Diretor
Kathryn Bigelow - Guerra ao Terror
James Cameron - Avatar
Clint Eastwood - Invictus
Jason Reitman - Amor Sem Escalas
Quentin Tarantino - Bastardos Inglórios

Melhor Roteiro
Amor Sem Escalas
Simplesmente Complicado
Distrito 9
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios


Melhor Ator - Drama
Jeff Bridges - Coração Louco
George Clooney - Amor Sem Escalas
Colin Firth - A Single Man
Morgan Freeman - Invictus
Tobey Maguire - Brothers

Melhor Atriz - Drama
Emily Blunt - The Young Victoria
Sandra Bullock - O Lado Cego
Helen Mirren - The Last Station
Carey Mulligan - Educação
Gabire Sadire - Precious


Melhor Ator - Musical ou Comédia
Matt Damon - O Desinformante
Daniel Day Lewis - Nine
Robert Downey Jr. - Sherlock Holmes
Joseph Gordon Levitt - (500) Dias Com Ela
Michael Stuhlbarg - Um Homem Sério

Melhor Atriz - Musical ou Comédia
Sandra Bullock - A Proposta
Marion Cotillard - Nine
Meryl Streep - Simplesmente Complicado
Meryl Streep - Julie & Julia
Julia Roberts - Duplicidade

Melhor Ator Coadjuvante
Matt Damon - Invictus
Stanley Tucci - Um Olhar do Paraíso
Christopher Plummer - The Last Station
Christopher Waltz - Bastardos Inglórios
Woody Harrelson - The Messenger

Melhor Atriz Coadjuvante

Mo´Nique - Precious
Julianne Moore - A Single Man
Anna Kendrick - Amor Sem Escalas
Vera Farmiga - Amor Sem Escalas
Penelope Cruz - Nine

Melhor Canção Original
"I Will See You" - Avatar
"The Weary Kind" - Coração Louco
"Winter" - Brothers
"Cinema Italiano" - Nine
"I Want to Come Home" - Everybody´s Fine

Melhor Trilha Sonora
Michael Giacchino - Up - Altas Aventuras
Marvin Hamlisch - O Desinformante
James Horner - Avatar
Abel Krozeniowski - A Single Man
Karen O. and Carter Burwell - Onde Vivem os Monstros

Melhor Filme de Animação
Coraline e o Mundo Secreto
O Fantástico Senhor Raposo
Tá Chovendo Hamburguer
A Princesa e o Sapo
Up - Altas Aventuras


Melhor Filme de Língua Estrangeira
Baaria (Itália)
Abraços Partidos (Los Abrazos Rotos ou Broken Embraces - Espanha)
Um Profeta (Un Prophète ou A Prophet- França)
A Fita Branca (Das weisse Band ou The White Ribbon - Alemanha / Áustria)
The Maid (La Nana - Chile/Espanha)


Resumo da Semana (11 a 17 jan)

It Might Get Loud* (Idem, 2008). De Davis Guggenheim

Ganhará crítica em breve

Batman - O Cavaleiro das Trevas
(The Dark Night). De Christopher Nolan

Quando se assiste pela primeira vez a O Cavaleiro das Trevas você é arrebatado pela atuação genial de Heath Ledger e tudo parece menor no filme. Mas diante de tantas qualidades, não seria certo dizer "menor" e sim "ofuscado", tamanho o brilho do vilão Coringa. Já na segunda vez, é possível perceber melhor o quanto direção e roteiro são bem trabalhados, dando origem a essa obra-prima do cinema, vinda direto do, muitas vezes raso, mainstream. Os personagens são construídos com calma (e bem) e o herói, antes visto como quase coadjuvante em seu próprio filme, chega ao final como verdadeiro herói (desculpem o pleonasmo) e no exato tom com o qual o longa se faz: obscuro e tortuoso. Nota: 9,5

Trilogia Bourne (2002, 2004 e 2007). De Doug Liman e Paul Greengrass

Em 2002, um filme, à primeira vista menor, chegou aos cinemas e chamou bastante a atenção do público e da crítica: A Identidade Bourne. As qualidades daquela produção de ação era evidentes: o roteiro se aprofundava no protagonista, criava uma pessoa (ainda que cinemaográica) e não apenas um personagem, era ágil e tinha ação de primeira. Faturou bem e foi a gênese de duas das melhores continuações da história. Doug Liman passou a bola para Paul Greengrass e com A Supremacia Bourne a trama de espiões e agências de inteligência foi ainda mais fundo na complexidade, moldando uma verdadeira influência nesse sub-gênero - ou alguém ainda duvida que James Bond tenha se renovado à toa?. O filme era adulto, Jason Bourne era um exército de um homem só frágil, que lutava contra algozes e com a própria mente atrás de seu passado. Já consagrado, voltou com O Ultimato Bourne, que ao contrário da maior parte das chamadas Trilogias, trouxe seu filme mais relevante. A ação está lá, intensa como em nenhum momento antes, a edição é milimétrica e as atuações continuavam fortes. Assim como roteiro que, de uma vez por todas, fecha o arco de Bourne e lhe dá espaço para ser não um super agente vítima, mas um homem de escolhas erradas - uma explicação genial diga-se de passagem. Greengrass filma tudo com a destreza e a urgência de sempre, forma um ícone.

A Identidade Bourne - 8
A Supremacia Bourne - 8,5
O Ultimato Bourne - 9

* Filme visto pela primeira vez

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