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So, this is X-mas...

Crítica: Atividade Paranormal

Exageros à parte, assistir a Atividade Paranormal (Paranormal Activity, EUA, 2007) é o mesmo que ter um pesadelo. O filme, dizem, custou 15 mil dólares e já rendeu quase 100 milhões botando todo mundo travado nas poltronas dos cinemas com uma tática não tão nova assim, mas muito eficiente: a sugestão por meio da estética You Tube.

 

O interessante em toda a história é que, em uma análise mais superficial, você pode achar que simplesmente não acontece muita coisa nos 86 minutos do longa. Mas é aí que você se engana. A trama é simples, casal começa a gravar com uma câmera caseira os barulhos estranhos e os objetos que movimentam sozinhos durante a noite em sua casa, resultado de um tipo de entidade que acompanharia a mulher desde a infância. O pulo do gato do diretor/roteirista Oren Peli é saber onde pôr o terror. Assim, um lençol descobre o casal à noite, uma sombra passa quase despercebida pela porta do quarto ou um som parece se aproximar pelo piso de tacos.

Não, não existe um monstro feioso e malvadão, nem qualquer psico sedento de sangue. Em Atividade Paranormal, assim como em A Bruxa de Blair, a simplicidade é o que dá o tom, contando com a fertilidade das cabecinhas atormentadas dos espectadores. E quer saber? Uma produção que lhe faz pensar duas vezes antes de dormir com um dos pés descobertos, certamente merece um bom crédito.

 

O paradoxo, do longa, no entanto, é que a mesma singeleza que causa tanto terror, o impede de ser um verdadeiro clássico do gênero. Falta um pouco mais de profundidade aos personagens. Tudo bem que Micah esteja se divertindo com a gravação do suposto poltergeist, contudo chega uma hora que as gracinhas – há até uma referência a Monty Python – soam gratuitas, quando, na verdade, qualquer um estaria apavorado.

 

Medo: sentimento escasso para o rapaz, excessivo para sua esposa e platéia. Esse é o combustível desse cult, que certamente ficará nos anais do Cinema. Vai ser bom ver, daqui uns 20 anos, alguém indicar esse filme para um cinéfilo mais desavisado e o alertar que pode não acontecer muita coisa na tela, mas coisas demais em sua espinha e mente.

 

Nota: 8

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