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O site mais completo sobre informações de filmes na Internet, o IMDb, ganhou sua versão em Português. Para quem tem dificuldade, agora dá pra pesquisar sobre os longas pelo título que ganharam aqui no Brasil, e não só pelo original.  Basta acessar o www.imdb.pt.

Gosto muito do site, pois tem a ficha completa de quase tudo quanto é filme que procuro. Ainda há notícias, fofocas (para quem gosta), informações sobre bilheterias, fotos, trailers e o famoso Top 250, que elege os filmes bambas entre os leitores do site. Aliás, logo quando abri os trabalhos do Cinefilia já havia falado do IMDb.

Bacanudo e (agora) em bom português.

Comentários de Última Hora: Não, eu não recebi um tostão por esse merchan... Pena...

Resumo da Semana (7 a 13 dez)

 Wall-E (Idem, 2008). De Andrew Stanton

Numa segunda visita a um dos melhores filmes de 2008, é possível comprovar o quanto o longa é ousado e perceber pequenos detalhes que nos fazem admirar ainda mais a obra. A história de solidão e humanidade do robozinho-lixeiro que relembra ao homem sua essência, guarda racionalidade e sentimento num conjunto quase perfeito. Se tivesse uns 20 minutos a mais e trabalhasse melhor o dilema dos humanos de voltar ou não para a Terra, seria um clássico a altura de um Blade Runner, mas da forma como foi concebido bate 70% dessas ficções-cabeça por aí. A beleza de algumas cenas e a complexidade do personagem-título são incríveis e em momento nenhum o foco é perdido, guardando também ótimo humor. Merecia mais do que o Oscar de Melhor Animação de 2008. Nota: 9

 Cloverfield - Monstro (Cloverfield, 2008). De Mat Reeves

Mockumentarys são a onda do momento. Eles são falsos documentários que pretendem passar mais realidade aos "fatos" que surgem na tela. O formato não é novo, já pôde ser visto em filmes como Cannibal Holocaust, de 1980, ou em This Is Spinal Tap, de 1984, mas teve seu boom a partir do sucesso de A Bruxa de Blair, em 1999. O cinema de terror aproveitou bem a plataforma e vem fazendo sucesso com longas como [REC] e Atividade Paranormal. Porém o mockumentary só chegou ao mainstream, de verdade, com Cloverfield, do produtor J.J. Abrams. O filme mostra a invasão de uma criatura gigantesca em plena Nova York por meio da filmagem amadora de um grupo de amigos que faziam uma festa. Numa clara referência a Godzilla e outros monstros japoneses, a fita diverte ao mesmo tempo que impressiona devido ao realismo daquela situação absurda. O formato, claro, ajuda muito e dá verossimilhança a algo que viraria piada se levado muito a sério. E é bom que os olhos estejam o tempo todo na tela, pois há muitos segredinhos escondidos. Nota: 8,5

Crítica: Os Fantasmas de Scrooge

Roberto Zemeckis sempre foi chegado numa novidade tecnológica, não à toa se tornou parceiro de Steven Spielberg no decorrer de sua carreira. Revolucionou o Cinema algumas vezes com clássicos como Uma Cilada para Roger Rabbit, de 1989, quando juntou humanos e desenhos numa intensidade nunca antes vista, ou na Trilogia De Volta para o Futuro, ao misturar efeitos visuais, viagens no tempo e aventura.

 

De 2004 para cá, a obsessão do diretor é a chamada Captura de Performance, tecnologia com a qual ele cria avatares digitais de seus atores ao filmá-los com roupas especiais cheias de pontos que capturam suas atuações e permite ao cineasta manipular os ambientes, figurinos, câmera e até a aparência do ator da maneira que achar necessário. O Expresso Polar, de 2004, foi a primeira experiência. Tom Hanks foi multiplicado em vários personagens, a ação era incessante e os ambientes de encher os olhos, mas o resultado final não empolgou. O filme baseado em Chris Van Allsburg era um tanto cafona e outro tanto chato. Em 2007 veio, então, A Lenda de Boewulf. Mesmo estando uns bons dois degraus à frente de seu antecessor, o longa ainda forçava aqui e ali, além de ter ritmo irregular entre a fantasia adulta e a vontade de ser profundo.

 

Calibra daqui, calibra dali e a bem da verdade é que com Os Fantasmas de Scrooge (A Christmas Carol, EUA, 2009), Zemeckis pode dizer que fez, pela primeira vez, um filme de verdade com a tal Captura de Performance, e não apenas experiências estilísticas high tech.

 

Baseado no romance de Charles Dickens - já exaustivamente levado para o cinema - ele tem um trunfo nas mãos: a espontaneidade de Jim Carrey não só na atuação, mas também na adaptação à tecnologia. Na pele do protagonista - ou seriam pixels? -, o ator dá vida ao longa, que aposta numa temática bem mais sombria, perceptível até mesmo na direção de arte escura, fria e envelhecida da produção.

Aliás, os aspectos técnicos de Os Fantasmas de Scrooge são espantosos. A perfeição dos traços do velho avarento que odeia o Natal corrige um problema sério da técnica de captura: os olhos digitais sem vida, que limitavam o desempenho dos atores. Ainda que os outros personagens não recebam o mesmo acabamento digital, praticamente todos têm esse problema tirado do caminho. E em relação ao 3D usado pelo diretor não há qualquer comparação com o que já foi feito com a técnica, que aqui é orgânica, perfeitamente encaixada nas cenas. A fotografia é nublada e dá ainda mais peso ao clima fantasmagórico (sem trocadilho) da história.

 

Por falar em fantasmas, através deles é possível pontuar o que há de melhor e pior no filme. Há terror e bizarrice na visita ex-sócio do velho Scrooge, cuja caracterização é arrepiante. Há o bom humor inesperado do Fantasma dos Natais Passados e a face da morte do Fantasma dos Natais que Virão. Mas tem também a chatice risonha do ectoplasma do Natal Presente, além das intermináveis seqüências de vôo e correria quase obrigatórias nas produções em 3D – repare que isso não foi um elogio.

 

O grande problema da fita, no entanto, está no roteiro raso e apressado, que não justifica a mudança pela qual Scrooge passa. Isso sem contar na confusão que ele se torna na visita do terceiro espírito. O final feliz, no entanto, era esperado, afinal, trata-se de uma história natalina saída de um grande estúdio americano. Mas já que a idéia foi fazer algo mais sombrio, dava pra ter uma ou outra camada a mais de realidade e menos de conto?

 

Nota: 7

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