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Clipando

Mark Romanek é um cara com colhões. Trabalhou com Robin Williams no filme Retratos de uma Obsessão, fez o cara atuar como um perturbado solitário - chega a mencionar violencia sexual - e quando foi a hora de bater na porta do mainstream em Hollywood com O Lobisomen, chutou tudo pro alto depois que foi forçado a trabalhar com um orçamento exorbitante. Mas ele tem moral, é um dos diretores de videoclipes mais bem sucedidos, já tendo dirigido para Michael Jackson ("Scream"), Red Hot Chili Peppers ("Don't Stop") e Coldplay ("Speed of Sound").

Mas quando o cara tem coragem de largar uma oportunidade de estourar popularmente para manter sua visão das coisas, só posso lhe reservar o espaço no Clipando (seção para cineastas que põem a mão na massa da música) com um de seus trabalhos mais pancadas. É por isso que trago o clipe de "Closer", do Nine Inch Nails, filmado por Romanek em 1994.

Comentários de Última Hora: "Closer" pode ser ouvida a qualquer hora na rádio Música Cinéfila. Ela é tema do filme Se7en.

Cítica: Up - Altas Aventuras

Depois de encantar meio mundo com os fabulosos Ratatouille e Wall-E, parecia que a Pixar estava pronta para pôr no mundo sua obra máxima. E quando você colocar os olhos nos primeiros 15 minutos de Up – Altas Aventuras (Up, EUA, 2009), a certeza vem com facilidade. Mas a notícia (que não chega a ser) ruim é que o longa não bate os seus irmãos de estúdio.

 

Não que isso faça de Up um filme fraco, muito pelo contrário (mas muito mesmo). O filme é um primor só, pecando aqui e ali por pura vontade de ser o mais eclético possível. Como isso nem sempre funciona bem em projetos com personalidade, as coisas dão uma cambaleada em uns poucos momentos.

 

O caso é que a abertura do longa é simplesmente extraordinária. Contando rapidamente toda a história de vida do casal Carl Fredricksen e Ellie, desde quando se conheceram, ainda crianças, até a morte dela, o filme põe a platéia abaixo em prantos sem fazer muito esforço. Não há como definir a beleza desse início. Aliás, beleza mergulhada num profundo sentimento de melancolia e salpicada de alegria. Entretanto, a perda de sua amada transforma Carl num idoso amargo e solitário, fechado para o mundo.

 

A única coisa que o faz viver, ao que parece, é a promessa de que um dia ele ainda explorará a América do Sul como homenagem a Ellie, desejo que os anos de aperto financeiro e a irremediável morte não os deixaram realizar. Mas eis que após uma briga entre o velho e um funcionário duma construtora (rápida, mas particularmente brutal para esse tipo de produção) se torna o catalisador para que Fredricksen alce, literalmente vôo, pondo sua casa para flutuar por meio de milhares de balões cheios de hélio. Nesse instante, mais uma vez, Up arrepia pela sensibilidade da seqüência

O filme dá sua primeira guinada ao elevar com a casa seu astral. Com a descoberta de um clandestino na viagem, o garotinho Russell, Carl se torna ainda mais rabugento, mas irresistivelmente carismático. É a dinâmica entre os dois personagens de gerações diferentes que dá o tom a partir dali. Isso somado à aventura propriamente dita, algo que torna o longa mais ágil e engraçado.

 

A partir dali, também, o roteiro dá certas derrapadas: de ritmo, ao oscilar demais entre o drama (que nem sempre funciona tão bem) e a histeria, e de verossimilhança ao introduzir cães falantes. Aí você pode questionar: “mas existe uma viagem de balões de festa e você está reclamando de cães engraçadinhos falantes?” A questão é que para tudo existe limite. Os cães soltando o verbo vá lá, mas daí a vê-los pilotando mini-aviões é de amargar.

 

Mas sem neuras. Up ainda tem muitas qualidades para ser ofuscado por uma forçada de barra aqui e ali (a idade de certo personagem que aparece no último terço do filme também preocupa). A produção é emocionante, tem uma bela história para contar, o faz muitíssimo bem e na versão dublada aqui no Brasil, traz um trabalho excepcional de Chico Anysio como Carl Fredricksen. Se não chega ao mesmo patamar de seus antecessores, Up é exemplar naquilo que se propõe: tocar corações.

 

Nota: 8,5 

Comentários de Última Hora: O 3D empregado no longa é um dos mais orgânicos já vistos pela minha pessoa. Nada gratuito.

Resumo da Semana (19 a 25 out)

 Os Vigaristas (Matchstick Men, 2003). De Ridley Scott

Muita gente se assustou com a leveza desse filme à época de seu lançamento. Afinal, ninguém esperava que o cara que havia criado Alien, Gladiador e outros longas do tipo "pra macho" conseguisse levar uma comédia sobre golpista que lida com seu Transtorno Obsessivo Compulsivo enquanto descobre que tem uma filha. O ótimo elenco faz a diferença em uma história que, se não reinventa a roda, é bastante engenhosa. Direção tranquila de Scott e um longa que funciona que é uma beleza. E por falar em beleza, Alison Lohman está apaixonante. Nota: 8

 O Rei Leão (The Lion King, 1994). De Roger Allers e Rob Minkoff

Um clássico absoluto da era de ouro da Disney na década de 1990. Dramático, piadista, debochado e com um quê de Shakespeare, o longa, ainda hoje, na minha opinião, é a obra máxima do estúdio de Mickey e cia. Vai das piadas mais bestinhas ao drama mais completo sem ser forçado ou maniqueista, tem uma beleza plástica gigantesca e texto muito bem trabalhado. Vale cada minuto, para se ver e rever. Nota: 9

Quando nasceu Luxo Jr.

E já que o curta do post anterior tira onda com Luxo Jr., nada mais justo do que trazer o curta-metragem que o apresentou ao mundo. Em 1986, Jonh Lasseter fez isso:

Revolução? Estaria por vir... E pensar que tem gente que até hoje tenta fazer algo dessa qualidade, 23 anos depois...

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