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Crítica: Inimigos Públicos

Não há como negar, o digital está aí e ganha cada vez mais espaço no Cinema. Cineastas independentes usam a nova tecnologia para baratear (e muito) os custos de produção e aspirantes a diretores aprendem com câmeras cada vez mais versáteis. Já no cinemão mainstream, George Lucas, Robert Rodriguez e Michael Mann são os maiores escudeiros digitais. Contudo, enquanto Lucas e Rodriguez se deslumbram em efeitos visuais, Mann vem se tornando um esteta do formato e Inimigos Públicos (Public Enemies, EUA, 2009) é a prova irrefutável disso.

 

Ele já havia flertado com o digital em Ali (2001) mostrou o lado sombrio de Los Angeles em Colateral (2004) e com Miami Vice (2006) pôs na tela a noite chuvosa e dia ensolarado de Flórida como poucos esperavam. Agora veio sua grande cartada - pelo menos, até aqui. Inimigos Públicos é primeiro blockbuster de época não capturado em película, o que por si só já um desafio, pois não seria difícil que a preocupação estética fizesse roteiro, direção e atuações ficarem em segundo plano.

 

Mann, todavia, foi maestro e soube orquestrar tudo muito bem. Dá uma desafinada aqui e ali, mas chega ao final da partitura com louros, ainda mais contando com um solista da altura de Johnny Depp.

O filme acompanha a carreira de assaltos reais de John Dillinger durante a Grande Depressão, na década de 1930. Ele se tornou um verdadeiro mito ao criar a imagem de Robin Hood moderno para si, roubando bancos sem tomar nenhum trocado dos clientes, apenas levando dos cofres daquelas instituições, consideradas culpadas de toda a situação americana. E aí Depp mostra porque é um dos maiorais na história do Cinema. Ele imprime charme, intensidade e inteligência ao bandido, tornando-o um excelente protagonista, ao mesmo tempo em que o distancia do registros glamourizados dos gângsteres de outrora. Ele é cruel para não ser apanhado e heróico quando convém. E só não brilha sozinho devido á presença de Christian Bale como o homem da Lei Melvin Purvis.

 

E nesse ponto o roteiro dá alguns tiros sem rumo, ao não desenvolver ninguém além dos protagonistas de maneira consistente. J. Edgar Hoover (Billy Crudup), por exemplo, que ganha espaço inicialmente, lá pelas tantas é esquecido e desaparece.

 

Por fim, é impossível assistir a Inimigos Públicos e sair indiferente aos ótimos tiroteios arquitetados por Mann. No melhor estilo Fogo Contra Fogo, as tommy guns tomam o lugar dos fuzis usados em 1995 e fazem com que som e edição ganhem reforço.Até a fotografia, que não precisava provar mais nada a ninguém, é beneficiada na seqüência na floresta.

 

E apesar de desperdiçar a vencedora do Oscar Marion Cotillardo longa é argumento para derrubar qualquer preconceito contra os filmes digitais. Que venha o futuro, então. 

Nota: 8

Resumo da Semana (7 a 13 set)

 Carga Explosiva 3* (Transporter 3, 2008). De Oliver Megaton

Não que os outos filmes da série sejam exemplos de coerência, mas nesse terceiro exemplar há algumas mudanças de características que incomodam os fãs da série, porém servem como expansão do universo do motorista Frank Martin. Mas no fim das contas isso é o que menos importa diante da porrada comendo solta e das cenas de ação enfileiradas uma atrás da outra. Jason Stathan continua rei desse universo de exageros que fazem a fama da (até aqui) trilogia Carga Explosiva - fechada com seu capítulo mais fraco, é bem verdade -, mas dessa vez ele tem uma companhia que vai tirar facilmente a atenção dos marmanjos: a ruiva Natalya Rudakova. Com olhar "sapeca", cabelos ruivos e muito charme, nem o próprio Frank resiste. Nota: 7

 JCVD* (Idem, 2008). De Mabrouk El Mechri

Um astro em decadência olhar para trás e ter peito para brincar e, ao mesmo tempo, exorcizar seus fantasmas na frente das câmeras? Ele merece respeito. Essa é a sensação que se tem ao fim de JCVD, misto de ficção e biografia que põe Jean-Claude Van Damme na berlinda e o expõe aos mais diversos problemas que já fizeram parte de sua vida, enquanto é encenado um assalto cujo principal refém é o próprio astro. No filme, Van Damme reclama a um diretor que sua idade já não é mais a mesma para grandes cenas em apenas um take, procura desesperadamente um roteiro para conseguir dinheiro e ainda luta na justiça pela guarda da filha. Em determinado momento, numa das várias jogadas metalingüísticas do longa, o ator/lutador é elevado até os pontos de luz do estúdio para falar ao espectador, lá ele faz uma reflexão de toda a sua carreira e vida, tentando não chorar. Impressiona. Assim como na cena final, que atesta a atuação do belga. Agora fica a pergunta: e daqui pra frente? Nota: 8

* Filme visto pela primeira vez

Posteridade

Como de praxe num filme-catástrofe, 2012 vem com altos cartazes de pontos turísticos do mundo em ruínas. E depois de o novo O Dia em que a Terra Parou ter limado o nosso congresso do mapa, o Rio de Janeiro, claro, ganhou sua vez.

O Posteridade dessa vez traz o pôster em que o Cristo Redentor vem abaixo e deixa uma pergunta: será que ninguém vai protestar dessa vez?

É, pois aqui no Brasil, alguém brincou com a nossa imagem, nêgo já quase se rasga.

De qualquer forma, é um bom cartaz de 2012, que promete ser 'O' filme-catástrofe. Veremos.

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