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Crítica: Se Beber, Não Case

Os adolescentes tiveram sua “Era de Ouro” de comédias nos anos 80, que primou o mundo do Cinema descerebrado com pérolas como Picardias Estudantis e Porky’s, cujo único intuito era fazer rir através de piadas sujas e/ou idiotas sobre o mundo do sexo juvenil. A década de 90 até tentou emular essa fase através de American Pie e companhia, mas nada que chegasse perto das risadas sacanas de anos antes. 

Eis que aqueles jovens que cresceram rindo das desventuras sexuais alheias parecem ter tomado as rédeas em Hollywood e daí surgiram fitas que mostram o mundo de adultos que não perderam o gosto pela sua época teen. Gente como Judd Apatow ou Seth Rogen, de Superbad, ou Todd Phillips. Este já tinha feito grande sucesso com as insanidades de Dias Incríveis, de 2003, e agora venceu nas bilheterias mais uma vez com o ótimo Se Beber, Não Case (The Hangover, 2009, EUA/Alemanha).

Se há seis anos o cineasta mostrou como seria se quarentões voltassem a viver como na época da faculdade, agora ele tenta traçar o perfil de homens que querem enfiar o pé na jaca uma vez ou outra para esquecerem o casamento – consumado por um, pretendido por outro e às vésperas de mais um. É para isso que quatro amigos se dirigem até Las Vegas e celebram a despedida de solteiro de um deles. Até chegarem lá, tudo vai muito bem, mas eis que o dia amanhece. Pela verdadeira baderna que está a suíte do quarteto, uma coisa é certa, a noite foi muito, muito louca, o que vai ao encontro do objetivo do grupo, mas há um senão - ou alguns -, eles não se lembram de absolutamente nada do que houve ali. Pior: agora se transformaram num trio, pois o noivo simplesmente desapareceu.

É através desse mote que se desenvolve Se Beber, Não Case, tentando recordar, ao mesmo tempo em que seus protagonistas, o que teria se sucedido entre o primeiro drink e a ressaca daquela manhã. Das maiores maluquices, como Mike Tyson tocando e apreciando Phil Collins, um tigre no banheiro e um bebê no armário, aos momentos de referência a outros filmes que remetem a Vegas, o longa é risada atrás de risada, das maneiras mais inesperadas. 

Todas as piadas, claro, fazem referência ao universo de festas descontroladas e suas conseqüências. Não é nem indicado falar a respeito das situações com as quais os personagens vão se deparando para não estragar as surpresas que o inteligente roteiro arma, ao negligenciar o que se passou na noite anterior e transferir o espanto daqueles caras para o espectador. 

Outro detalhe que chama a atenção é a eficiente trilha sonora, outra marca do Todd Phillips, que combina perfeitamente com cada cena em que são introduzidos raps (Kanye West), rock (Wolfmother), músicas eletrônicas (Rihanna) e baladas em geral (além de Phil Collins, Dan Finnerty). O final, então, não poderia ser melhor: durantes os créditos, uma câmera digital atesta que a bebedeira foi tão ou mais maluca do que se imagina. 

Nota: 8

E por falar em violência...

Violência por violência,  no vídeo abaixo temos uma bela lista de belos cortes na carne humana. São 11 filmes que souberam fatiar seu personagens. Confira:

Os filmes são:

1. Fuga de Absolom
2. Cubo
3. 13 Fantasmas
4. Resident Evil
5. Anjos da Noite - Underworld
6. Seres Rastejantes
7. Equilibrium
8. Premonição II
9. Hellraiser - Hellworld
10. Dia dos Namorados Macabro
11. Navio Fantasma

Resumo da Semana (24 a 30 ago)

Cannibal Holocaust* (Idem, 1980). De Ruggero Deodato

Não há muito o que falar sobre a fita que muitos consideram a mais subversiva da história. Aliás, há duas coisas: selvageria e picaretagem. Em primeiro lugar, sim, o longa é para quem tem estômago forte e capricha em cenas violentas, abusos diversos e maldade. Há gente sendo estuprada, animais mortos, empalações e sangue, muito sangue. Para quem gosta, é mesmo um clássico, bem difernte de besteiras como O Albergue. Agora, a maneira como é vendido o filme é um grande "pega-otário". Em nenhum momento é possível achar que aquilo tudo realmente aconteceu, algo que muitos levaram a sério há quase 30 anos. Dizem que o diretor teve de provar que seus atores estavam vivos - na trama um grupo de documentaristas vai até a Amazônia para filmar tribos canibais, são mortos e meses depois o material é recuperado numa segunda expedição. Há ainda um subtexto tentando mostrar que nossa civilização não passa de um verniz para o selvagem em cada um de nós. Puro discurso, já que o filme é mesmo um show de horrores. Nota? Difícil, mas deixo meio em aberto:

Nota 8 - para quem é fã do tipo de terror usado no filme (me inclua nessa)

Nota 5 - para quem acha abusivo esse subgênero do horror (e esse filme é um dos mais abusivos de todos)

* Filme visto pela primeira vez

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