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Crítica: O Exterminador do Futuro - A Salvação

Um projeto que tinha tudo para dar errado: quarto filme de uma série que teve um terrível terceiro episódio, cujos roteiristas estariam de volta, ao lado de um diretor sem qualquer crédito para uma produção séria. Imaginava-se que O Exterminador do Futuro - A Salvação (Terminator – Salvation, EUA/Itália, 2009) seria a pá de cal na inteligente criação de James Cameron. Quem viu o filme, entretanto, se surpreendeu.

 

Não há como discordar da desconfiança que o projeto ia gerando a cada nova notícia, afinal, McG tinha apenas a direção dos dois As Panteras no currículo. Entrar no mundo denso dos exterminadores iria requerer muito mais que isso. A produção correu atrás e trouxe Christian Bale para o barco. A coisa começou a mudar.

 

O ponto-chave, porém, é a história, que sofreu muitas interferências para melhor. Algo que propiciou a salvação (com trocadilho) a T4. Bale é John Connor em 2018, ano profético na série, e já lidera os humanos contra as máquinas na guerra que assola a Terra. Paralelamente, o roteiro conta a história de Marcus Wright, um condenado à morte num passado próximo, que acorda no futuro e terá seu caminho cruzado ao de Connor. Vivido com intensidade por Sam Worthington, Marcus é o grande destaque do longa, se tornando uma figura trágica e fundamental à saga.

 

Junte a isso o encontro de Connor a um jovem Kyle Reese – para quem não acompanha os filmes, Reese é o homem que viaja a 1984 para proteger Sarah Connor e se torna o pai de John – e temos pontos dramáticos importantes que dão liga a A Salvação.


Há sim, alguns buracos no roteiro – o mais importante: como Connor se tornou um líder? O que fez para que o seguissem? -, mas aí entram os aspectos técnicos e a direção de McG para dar contrabalancear. Em termos de ação, o filme deixa no chinelo seu antecessor, preguiçoso e sem imaginação. Em três momentos, a platéia é arrebatada: há um plano-sequência em que a câmera está ligada o tempo todo num helicóptero que despenca e obriga John Connor a sair na mão com as máquinas, mais à frente há uma perseguição de motos e um robô gigante cujos efeitos visuais, edição e som são dignos de prêmios, além da batalha final, cheia de referências (algumas explícitas) e guardando a grande surpresa do filme.

 

Com tanta expectativa negativa antes da estréia de O Exterminador do Futuro - A Salvação, é possível até se empolgar demais com o produto final e dar a ele mais louros do que merece. Mas não é o caso. Ainda que desenvolva tramas que não levam a lugar algum – a descoberta de como desativar em massa as máquinas -, seu cerne guarda bons momentos e dá um respiro à já esgotada história de viagens no tempo para proteger o Messias da ficção-científica. 

Nota: 8

The Trailer of Doctor Parnassus

Já está rolando o trailer de The Imaginarium of Doctor Parnassus, último trabalho de Heath Ledger e a mais nova viagem visual de Terry Gilliam. Muito bom, por sinal, de encher os olhos. Mas na chamada de Ledger mandarem um "Academy Award Winner" achei meio "apelão". 

"Business, man!"

Confiram:


@ Yahoo! Video

De volta a Kubrick?

Acabo de ler que a família de Stanley Kubrick quer tirar do papel um antigo roteiro seu sobre o Holocausto (estou arasado?). Para quem não sabe, Steven Spielberg já fez algo semelhante, após anos de conversas com o mestre e, mais tarde, sua morte. O resultado foi A.I. - Inteligência Artificial. À época me empolguei bastante e não posso negar, sou fã do longa. Spielberg não chegou a captar o estilo de meu diretor favorito, mas fez um longa estranho e emocional, numa verdadeira mistura dos estilos. Muita gente achou ruim, fazer o quê?

Mas dessa vez, fiquei com o pé atrás em relação a Aryan Papers - título dado à história que Kubrick filmaria. Não tenho um motivo específico, mas com A.I. havia orientações e papos entre idealizador e executor, dessa vez, apenas um roteiro. Não imagino que será feita justiça quanto à obra de Kubrick, ainda que o nome de Ang Lee me agrade na direção.

Veremos.

Resumo da Semana (3 a 9 ago)

 Menina de Ouro (Million Dollar Baby, 2004). De Clint Eastwood

Dramão simples, emocional e duro, que é a cara de seu diretor. Filme pequeno, que cresceu ao disputar - e vencer - o Oscar com o mastodonte scorsesiano, O Aviador. Aqui clichês são misturados a momentos de real emoção e muita coragem ao final, sem qualquer apelação. Os personagens são cativantes, solitários e um tanto renegados, mas que mostram sua humanidade a cada segundo. Discreto, o filme brilha em sua fotografia soturna e direção segura. Ponto para o velho Eastwood. Nota: 8,5

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