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Crítica: A Mulher Invisível

Cláudio Torres apareceu no cinema há cinco anos com o bom Redentor, que apostava alto na temática da corrupção por meio de uma comédia dramática e tinha na concepção visual, incluindo bons efeitos visuais, o seu melhor. E se no ano passado não teve muito destaque na segunda incursão na direção solo, com A Mulher Invisível (Idem, Brasil, 2009) ele procura mesmo é diversão. E consegue.

 

A empreitada é vencida muito pelo elenco, afiadíssimo. Na linha de frente Selton Mello é o rapaz que tem um desilusão amorosa. Já Luana Piovani é a salvação da depressão na qual Mello se afunda. Logo estarão apaixonados. Na retaguarda, Maria Manoella e Vladimir Brichta são os coadjuvantes ladrões de cena. Ela com uma meiguice de derreter, ele com uma cara-de-pau hilária.

Torres só tem o fácil trabalho de explorar as melhores características de cada um deles, interpretados com gosto. As risadas virão naturalmente, da mesma maneira que o público masculino irá adorar todas as cenas em que Luana estiver. Aparecendo com trajes mínimos em pelo menos 70% do filme, ela logo se mostrará não só muito bonita, mas de uma perfeição absurda: arruma a casa de calcinha e sutiã, gosta de futebol, leva café na cama para Mello, enfim, um sonho para qualquer chauvinista. Logo se descobre o motivo de tantas qualidades: ela é fruto da imaginação do solitário namorado.

 

O roteiro, leve, é criativo em brincar com a situação inusitada e cria seqüências engraçadas, mesmo as obrigatórias – a dança na boate e o cinema são duas das melhores.

 

É pena que, ao final, A Mulher Invisível dê sinais de cansaço e até a direção que se mostrava coesa rateie, a exemplo da cena no restaurante em que uma disputa amorosa acontece. Nela, do cenário aos diálogos, tudo se mostra um tanto descuidado. O ritmo se perde em várias pequenos clímax que, no fim das contas, só servem para estender a produção mais do que devia.

 

 

Nota: 7,5

Trilha - Especial Dia Mundial do Rock

Para quem não sabe, 13 de julho é o Dia Mundial do Rock e como não podia deixar de ser, como bom cinéfilo e fã de rock 'n roll, esse blogueiro aqui traz um material para comemorar a data.

Led Zeppelin é, para mim, uma das três maiores bandas de todos os tempos - formando a "Santa Trindade do Rock" com Pink Floyd e MetallicA - e possue um ótimo filme lançado em 1976, The Song Remains the Same. Meio ficção, meio documentário, o longa registra um show do grupo no Madison Square Garden em 1973 e é entrecortado por historietas envolvendo seus membros. Assim, canções como "No Quarter" e "Dazed and Confused" vão além do show, se transformando em verdadeiros curtas psicodélicos.

Mas não será nenhuma dessas músicas que trarei para vocês. Serei mais pessoal e extraído de The Song Remains the Same, o Trilha Especial Dia Mundial do Rock tem o maior hino de todos, "Stairway to Heaven", a composição máxima do Led, que me marcou mais que qualquer outra música. E tenho certeza de que não estou sozinho nessa.

A todos um Feliz Dia Mundial do Rock com o zepellin de chumbo.

"There's  a lady who's sure..."

"... And She's Buying a Stairway to Heaven"

Resumo da Semana (6 a 12 jul)

O Massacre da Serra Elétrica* (The Texas Chainsaw Massacre, 2003). De Marcus Nispel

Remake do clássico de 1974 tem seu grande trunfo na parte técnica. Filmado com fotografia incrível, o longa ainda conta com ótima maquiagem e edição eletrizante, contudo sofre com os clichês em profusão e direção que alinha bons momentos com erros primários. O que sobra em estética, falta em coragem - em algum momento é revelado que a família de Leatherface é canibal? Não! - e o vilão máximo é subaproveitado. Tanto que nos poucos momentos em que aparece horrorizando geral o filme até empolga. De resto sobra a barriguinha sarada de Jessica Biel, essa sim, com grande tempo em cena. Nota: 6

The Man from Earth* (Idem, 2007). De Richard Schenkman

Quer um exemplo de como fazer um filme apenas com diálogos sem se tornar um teatrinho filmado? Procure The Man from Earth. Ficção científica inteligente em que vários cientista e/ou professores são digladiados por uma questão implausível à primeira vista: conhecer um homem com 14 mil anos. À medida com que a história se desenrola se torna cada vez mais interessante, chegando a extremos que envolvem história, religião e psicologia. Desnecessárias, da maneira como foi criado, não existem imagens de qualquer uma das eras citadas pelo protagonista, um homem vindo direto de nossos ancestrais que é questionado e pressionado a explicar como um ser das cavernas se tornaria uma pessoa como qualquer outra, conseguindo, inclusive, lugar em grandes universidades como professor. Com roteiro muitíssimo bem amarrado, a produção questiona, brinca e de forma muito simples se cria como ótimo debate do impossível. Vale muito a pena, guardando até um final surpresa. Com um detalhe: o download do filme foi autorizado pelos produtores. Baixe sem culpa. Nota: 8

* Filme visto pela primeira vez

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