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Crítica: Anjos e Demônios

O fenômeno O Código Da Vinci pôs o nome do escritor Dan Brown tão alto que qualquer um hoje pode saber quem é esse tal sem qualquer dificuldade. Com uma história talhada aos moldes hollywoodianos em suas páginas, logo a polêmica trama foi adaptada aos cinemas. Num filme medíocre, é verdade, mas que rendeu uma grana preta. O que leva até a Anjos & Demônios (Angels & Demons, EUA, 2009), primeira obra a trazer o protagonista Robert Langdon e que também ganha sua versão celulóide.

 

A diferença é que nas telas, a história se transformou numa continuação direta de O Código, o que já não é um bom sinal, já que dessa vez Langdon não é levado a investigar um caso, mas, sim, contratado pela Igreja Católica com esse fim. Por si só isso já pode ser considerado um absurdo depois de tudo o que ele aprontou no longa anterior, derrubando um dos maiores pilares da Igreja. Mas quem iria se preocupar com tal fato, não é mesmo?

 

Furos a parte, Anjos e Demônios demonstra tentar corrigir os erros passados, mas a equipe liderada pelo cineasta Ron Howard ainda sim peca aqui e ali. E os tais furos são o fato complicador mais uma vez. A história faz um paralelo interessante entre modernidade e clero, e para isso conta como a antimatéria é criada em um acelerador de partícula e de que maneira ela é roubada e usada contra a Igreja como ameaça terrorista. Aí já entra o primeiro escorregão. Para roubar a tal antimatéria, o larápio tem de tirar o olho de um cientista, passar pelo scanner que reconhece a retina e ter acesso a uma sala, e o caso é: o estudioso já está dentro do laboratório, ou seja, não teria como alguém tirar seu globo ocular para entrar na câmara onde se encontra o alvo do assalto.

Entretanto, quem conseguir passar por cima desse tipo deslize, poderá assistir a um filme bem melhor amarrado que seu antecessor, de investigações mais interessantes e que novamente trata de um tema espinhoso: a centenária pendenga entre católicos e Illuminati, um grupo científico perseguido pela Igreja e que aqui quer dar o troco.

 

O ritmo continua acelerado e leva Robert Langdon - novamente vivido por Tom Hanks - numa briga contra o tempo, enquanto cardeais são assassinados e um novo Papa tem de ser escolhido. E mesmo com a pressa do roteiro de Akiva Goldsman e David Koepp, as coisas vão se encaixando e a confusão tomando uma forma compreensível.

 

Tudo bem que a forçada de barra nos minutos finais envolvendo um tipo de clérigo Jack Bauer e seu helicóptero arranca umas risadas involuntárias, mas logo as coisas voltam aos eixos sérios em Anjos e Demônios. É uma pena, no entanto, que o longa feito com mais rigor, ainda não atinja o patamar de grande thriller paranóico ou conspirador e se torne um tipo de fast food: tem sabor, satisfaz por alguns instantes, mas ainda sim é de paladar pobre.

 

Nota: 6,5

Posteridade

Já seria de se prestar bastante atenção apenas por se tratar de um filme de Martin Scorsese, mas Shutter Island vem mostrando outros atributos. Um deles é o ótimo pôster teaser que rola pela Internet. E, claro, não poderia ser de outra maneira, ele é o grande destaque desse Posteridade.

A arte sombria e ao mesmo tempo iluminada traz uma grande carga dramática e um quê de suspense que dão até gosto em esperar essa mais nova parceria entre Scorsese e Leonardo DiCaprio. E a frase em vermelho-sangue "O que teria acontecido com a Paciente 67?" é a cereja no topo do bolo e fecha o tom mórbido do cartaz.

Shutter Island trata da investigação sobre uma assassina hospitalizada que desaparece. Intrigas e rebeliões também fazem parte do caldo, que traz ainda nomes do porte de Mark Ruffalo, Patricia Clarkson, Jackie Earle Haley, Ben Kingsley, Michelle Williams e (o grande) Max von Sydow.

A estréia está marcada no Brasil para 9 de outubro. E enquanto não colocamos os olhos nessa produção que promete muito, apreciamos o pôster.

Resumo da Semana (11 a 17 mai)

Highlander - O Guerreiro Imortal (Highlander, 1986). De Russe Mulcahy

Um filme feito há mais de duas décadas que consegue ser tão moderno, mesmo com realizado em meio aos exageros oitentistas - e que muitas vezes se utiliza deles positivamente - é de se admirar. As boas idéias e a trilha sonora irretocável do Queen fazem de Highlander muito maior que seus problemas - um furo ou outro no roteiro são os maiores - e o longa ainda se mantém no panteão dos mais admirados. Esqueça as continuações. Nota: 8,5

Kung Fu Panda* (Idem, 2008). De Mark Osborne e John Stevenson

Com belo visual e ótimas cenas de ação, Kung Fu Panda vence por ser singelo e investir em outros atributos diferentes de seu roteiro, obviamente um dos elementos menos originais da produção. Assim, entre uma câmera lenta e outra, entre um soco e um tombo, rimos das trapalhadas de seu protagonista e nos divertimos nos seus rápidos 90 minutos. Nada que justifique a indicação ao Oscar de Melhor Animação do Ano, mas ainda sim um bom filme. Nota: 8

Assalto à 13ª DP* (Assault on Precinct 13, 2005). De Jean-François Richet

Esse é mais um daqueles filmes que você não dá nada por ele, mas que quando se assiste descobre uma pequena pérola de tensão. Com ótimo ritmo e bons atores encabeçando, a história anda que é uma beleza. Assim, o jogo de gato e rato entre uma turma de invasores e policiais encurralados na tal DP do título vai ficando cada vez mais interessante enquanto um reviravolta aqui e outra acolá seguram a trama. Destaque para Ethan Hawke que ganha o público logo no primeiro minuto. Refilmagem da produção homônima de John Carpenter, de 1976. Nota: 8

* Filme visto pela primeira vez

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