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Cadê Tarantino?


Alguém aí pode me explicar o que acontece com os filmes do Tarantino no Brasil? Um dos diretores mais famosos e cultuados no mundo, simplesmente não tem seus trabalhos postos com dignidade nos cinemas brasileiros.

O caso mais problemático vem acontecendo com Death Proof. A produção de 2007 foi idealizada para ser exibida junto com Planeta Terror, de Robert Rodriguez, no projeto Grindhouse, homenagem às produções baratas de terror da década de 1970. Com o fracasso da exibição dupla, os dois longas, então, foram separados e cada trilhou seu caminho. O que chama a atenção é que Rodriguez ganhou sua vez nas salas brasileiras apesar de ser um cineasta menos conhecido que Tarantino. E qualidade das produções à parte, Death Proof continua no limbo verde-amarelo dois anos depois de sua estréia em Cannes. Tarantino, inclusive, já finalizou e exibirá Inglorious Basterds na França em alguns dias sem ter sua última cria posta comrcialmente no Brasil.

O que chama a atenção é que quanto mais famoso o cineasta foi se tornando, maior o hiato de suas peículas por essas bandas. Pup Fiction estava em cartaz desde outubro de 1994, quando aportou no Brasil em fevereiro do ano seguinte, já com suas sete indicações ao Oscar. No projeto seguinte, Jackie Brown, os quatro meses de espera se tornaram cinco, entre a premiere americana (dezembro de 97) e a brasileira (maio de 98).

Já com Kill Bill os brasileiros esperaram sentados, deitados, dormindo. Para assistir ao Vol. 1, levou um semestre inteiro - nos EUA: outubro de 2003, no Brasil: abril de 2004 -, enquanto lá fora o mundo já sabia como Bill ia pro saco no Vol. 2, o qual demorou mais quatro meses para dar um oi por aqui. Aí já tinha americano com o DVD (original) na coleção.

Eu não sei dizer o que acontece, se é falta de bilheteria, excesso de blockbusters, indiferença ou falta de respeito com o público mesmo. O caso é que fãs de Quentin Tarantino sofrem nas mãos dos distribuidores. E olha que nem falei de Cães de Aluguel, que até onde sei, não teve lançamento comercial nos cinemas tupiniquins. Depois reclamam da pirataria...

Crítica: X-Men Origens: Wolverine

 

Quando os mutantes da Marvel aportaram nos cinemas em 2000, com X-Men – O Filme, o desafio era grande. O diretor da ocasião, Bryan Singer, trabalhava com um material rico, vindo dos quadrinhos, que ainda não tinham nem um terço das adaptações nas telas grandes de hoje. Pois a aposta em um elenco sem nomes extremamente populares - mas muito competente – e num roteiro habilmente concebido fez estourar de vez as transposições das páginas das HQs para os cinemas.

 

Nove anos depois, e uma ótima trilogia criada, chegamos a X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine, 2009, EUA), produção cuja tarefa é a de dar continuidade ao mundo cinematográfico daqueles seres especiais por meio de uma de suas histórias mais intrigantes, a de Logan. O personagem é, de longe, o mais popular da série e não à toa foi o escolhido para essa nova empreitada. Contudo alguma coisa parece ter se perdido no meio do caminho.

 

Seria o roteiro? Não é a única perda de rumo, mas, com certeza, a principal delas. Enquanto em todos os filmes anteriores dos Homo superior seus dilemas e isolamento social eram postos como características importantes de seu caráter, em Wolverine as coisas são simplesmente impostas. Fulano é mal porque sim. Cicrano é legal porque mesmo. Um problema grave para um longa sobre origens e com a responsabilidade de ser explicativo.

Assim, enquanto acompanha-se o drama do pequeno James Howlett – o futuro Wolverine, ainda no século XIX –, que descobre sua parte animal através duma revelação importante sobre seu passado e que determinará boa parte de seu futuro, também é mostrado o motivo da rixa entre ele e Victor Creed, o Dentes-de-Sabre. Além do roteiro enveredar-se pelos caminhos que levam Logan a receber o adamantium em seus ossos e de onde nasce o ódio por Wiliam Striker.

Mesmo que os fatos passados da vida do herói sejam interessantes por si só a quem o conhece minimamente, a fragilidade do script de David Benioff e Skip Woods se torna latente se eliminarmos o fator curiosidade. Se uma pessoa que nunca ouviu falar de Wolverine – ou simplesmente não for seu fã - entrar no cinema, dificilmente conseguirá se aproximar dos dramas baratos preparados pelo filme.

Outra coisa que irrita muito no longa são seus efeitos visuais. Em vários momentos, eles chegam a ser amadores, como na cena do banheiro em que Logan descobre suas garras de adamantium. Para falar a verdade, em nenhum instante é possível crer nas inserções digitais na tela. O máximo que se consegue é causar um impacto de beleza ou estilístico.

 

Problema quase tão preocupante quanto o de elenco, que conta com atuações pífias de gente como Wil.i.am e Kevin Durand ao mesmo tempo em que o trio principal Hugh Jackman, Liev Schreiber e Danny Huston fazem o que podem com o mínimo de profundidade de seus respectivos papéis, Wolverine, Creed e Striker. São eles, algumas boas cenas de ação e o bom humor que salvam esse primeiro X-Men Origens do desastre total. Não há como negar que o diretor Gavin Hood, apesar de burocrático soube gerar pontos-chave aqui e ali que dão lastro ao longa. Diverte, porém é pouco para a linhagem X-Men.

 

Nota: 7,5


Comentários de Última Hora: só eu achei que o Gambit não tinha um pingo de sotaque francês?

Resumo da Semana (4 a 10 mai)

Titanic (Idem, 1997). De James Cameron

É engraçado, muita gente senta o pau nesse filme, mas tenho certeza que boa parte dos detratores que estiveram nos cinemas há 12 anos atrás, mesmo que o tenham achado água com açucar, se impressionaram com o espetáculo visual-tecnológico que James Cameron criou. Mas existem outros méritos nesse épico que te leva de um lado para o outro de maneira tensa e/ou romântica. Não nego que sou um fã do filme e que não me canso de assistir. Vale cada um dos 194 minutos. Nota: 8,5

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