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Crítica: Dragonball Evolution

Há projetos que nascem já fadados ao fracasso. Não são projetos que perecem ser um suicídio comercial, gastando milhões para receberem uma ninharia nas bilheterias. São filmes conduzidos de uma maneira tão frouxa e besta que só podem dar errado. Era essa a expectativa de todos quando Dragonball Evolution (Idem, 2009, EUA, Hong Kong) foi anunciado.

Mas eis que o prognóstico acabou, em partes, errando. Não, a adaptação de um animes mais famosos de toda a história não é um bom filme, que fique claro. Todavia, para o público a que se destina (leia-se: infanto-juvenil) pode ser uma grande diversão sem qualquer compromisso.

Com bom ritmo e cenas de ação coladas uma atrás da outra, além de efeitos visuais razoáveis, Dragonball Evolution pode não ser o mais fiel possível à sua fonte, contudo seus rápidos 84 minutos passam numa boa, e sem medo, é possível dizer que o carisma dos personagens e atuações desencanadas são as grandes responsáveis por isso. Assim, a história da busca pelas esferas do dragão, contra o mal encarnado por Picollo é levada despretensiosamente. 

Mas é essa mesma falta de ambição – artística e não financeira – que acaba irritando em vários momentos, quando rombos absurdos no roteiro aparecem, algo que mina a simpatia da trama. E, claro, não dá pra dizer que a batalha final entre Goku e Picollo seja exatamente um clímax. Falta feijão.

 

Mas se você não está nem aí para esse negócio de coesão e arte, Dragonball Evolution não fará feio, mesmo porque Emmy Rossum como Bulma e Jamie Chung na pele de Chi Chi são colírios para os olhos.

 

 

Nota: 5,5

Comentários de Última Hora: Deixando claro que não sou fã do anime. Pelo contrário, acho Dragon Ball bem sem graça, o que não influenciou na apreciação do filme, que até surpreende.

Crítica: Presságio

A inconstância tanto do diretor quanto do protagonista de Presságio (Knowing, EUA/Austrália, 2009) pode, com razão, causar desconfiança em qualquer um que pôr os pés no cinema. E não é para menos. Mas Alex Proyas e Nicolas Cage souberam escolher que projeto tocar dessa vez.

 

Apesar de comandante e comandado terem um abismo entre eles em popularidade, eles se igualam nas escolhas equivocadas que fizeram durante a carreira. O cineasta egípcio surgiu para o mundo em 1994 no cult O Corvo, para logo em seguida sumir e reaparecer em Cidade das Sombras, filme que dividiu a crítica. Só voltou 11 anos depois com o blockbuster Eu, Robô, o qual se valia de bons efeitos e trama minimamente profunda. Nessa mesma década e meia, Nicolas Cage ganhou um Oscar por Despedida em Las Vegas, estabeleceu-se como grande astro de filmes de ação (A Rocha) e romance (Cidade dos Anjos), e foi se tornando cada vez mais canastrão (O Sacrifício) e errando feio nos projetos nos quais se metia (Motoqueiro Fantasma).

 

Ainda que Cage tenha ido bem em filmes de respeito como Os Vigaristas e Adaptação, vê-lo em uma história acerca do fim do mundo é de se pensar duas vezes antes de comprar o ingresso. Mas em Presságio as coisas se juntam aos poucos e acabam formando um bom mosaico. Não á toa a trama se desencadeia lentamente. Tudo começa em 1959 quando uma garotinha despacha, numa cápsula do tempo, uma série de números desconexos. Exatos 50 anos depois, esse papel é dado ao filho do astrofísico John Koestler (Cage), que encontra sem querer uma série de datas e números referentes a desastres nas últimas cinco décadas. Esses mesmos fatos estariam ligados ao fim da humanidade.

Cheio de mistérios, o roteiro de Ryne Douglas Pearson, Juliet Snowden e Juliet Snowden faz uma mistura de conceitos religiosos e científicos bastante interessantes, confrontando-os de acordo com que a história vai para frente. Enquanto Proyas trata de dar clima à trama e criar seqüências incríveis como a queda do avião comercial próximo a uma estrada interditada.

 

Mesmo com bom ritmo, o filme falha quando tenta pegar a platéia pela emoção. É nessas horas que a veia canastra de Cage ameaça saltar. Ele, aliás, se mostra bem mais problemático que seu diretor, variando sua atuação do muito bom à falta de expressividade latente, mas que acaba tendo mais acertos do que erros.

 

Assustador em muitos momentos, Presságio também escorrega em algumas soluções encontradas. Todavia, um filme que faz com que algo ridículo não seja visto dessa forma pelo espectador - uma despedida nos minutos finais – merece ser apreciado de peito aberto. Mesmo trazendo duas carreiras irregulares como cabeças da empreitada.

 

 

Nota: 7,5

Resumo da Semana (13 a 19 abr)

Madagascar 2 * (Madagascar - Escape 2 Africa, 2008). De Eric Darnell, Tom McGrath

Eu não consigo entender como um produtor aprova o roteiro da continuação de um filme hilário sem metade da quantidade de piadas que há no original. Madagascar 2 não é filme ruim, mas está bem uns dois dergaus abaixo da graça do primeiro. Não é de se estranhar que em determinados momentos sua atenção disperse devido à falta de ritmo. Ainda bem que em grande parte, as piadas continuem engraçadíssimas, ponto para o Rei Julien, que mesmo com tempo reduzido em relação aos outros personagens tira de letra suas gracinhas. Nota: 7

* Filme visto pela primeira vez

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