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Crítica: Watchmen - O Filme

Watchmen – O Filme (Watchmen, EUA, 2009) prova que grandes expectativas podem não fazer muito bem a um filme. A mais festejada HQ de todos os tempos levou cerca de 20 anos para chegar ao cinema, nesse meio tempo não só se tornou o clássico que é, como ganhou um estranho status de obra essencial sem a popularidade de um Batman ou mesmo um Homem-Aranha. A adaptação passou por vários nomes de respeito em Hollywood, de Darren Aronofsky a Paul Greengrass, e praticamente caiu no colo de Zack Snyder.

 

Nas mãos dele as coisas se desenrolaram numa velocidade impressionante. Com 300 estourado há três anos, muitos torceram o nariz por sua escolha, afinal, Snyder parecia mais um esteta do que um “diretor visionário” como o venderam na divulgação de Watchmen. A boa notícia, no entanto, é que o cineasta acabou construindo uma obra além do puro visual. Há, sim, estofo no longa adaptado de Alan Moore, somado, claro, a cenas de ação insanas e efeitos visuais em abundância.

 

Mas agora vêm as más notícias. Se a estética da produção enche os olhos, sua mensagem carece de força. Calma lá, existe conteúdo e a história dos heróis com desvios de caráter é bem conduzida. Entretanto Watchmen não consegue se aproximar do público e tudo se torna meio frio. Mesmo com personagens que não têm superpoderes, ou seja, pessoas que poderiam andar entre nós, falta identificação entre celulóide e platéia.

Talvez o único que escape disso seja o perturbado Rorschach. É ele quem inicia as investigações sobre a morte do Comediante, fato que dá o pontapé inicial para a trama. Vivido magistralmente por Jackie Earle Haley, Rorschach é paranóico, mau e com sérias tendências à psicopatia, e mesmo assim é quem mais causa impacto. Com o detalhe de ter o rosto coberto por uma máscara a maior parte do tempo.

 

O ritmo do filme também é problemático, uma vez que investe em cenas aceleradas e violentas ao mesmo tempo em que tem de desenvolver as reflexões de Dr. Manhattan, algo feito lentamente, causando um choque de intenções prejudicial, ainda que funcionem bem separadamente.

 

Acertando em 90% das músicas escolhidas para a trilha – de Bob Dylan em “The Times They Are A'Changin'” a “Hallelujah” com Leonard Cohen -, Watchmen tinha tudo para ser o grande filme baseado numa história em quadrinhos ou indo além disso, mas O Cavaleiro das Trevas veio antes e nem a fidelidade à criação de Moore conseguiu aplacar a frieza da película.

Nota: 7,5

Kiss, Kiss, Bang, Bang

Para quem não sabe, hoje é o Dia do Beijo. Então nada melhor do que homenagear a data com, na minha opinião, a cena que melhor representa o beijo no Cinema. Na sequência final de Cinema Paradiso (1988), um já adulto Toto recebe a herança que o amigo Alfredo lhe deixa: os beijos que teve de cortar das projeções no Cinema Paradiso que tanto fascinavam Toto quando criança. Junte a emocionante história do filme de Giuseppe Tornatore mais a música soberba de Ennio Morricone e temos essa cena antológica.

 

Resumo da Semana (6 a 12 abr)

O Exterminador do Futuro 3 - A Rebelião das Máquinas* (Terminator 3 - Rise of the Machines, 2003). De Jonathan Mostow

Enquanto James Cameron criou dois dos mais importantes filmes de ficção-científica no final do século passado, essa terceira parte se mostra de uma idiotice sem tamanho, quase fazendo chacota com o que seu criador impôs seriedade em meio a uma embalagem de blockbuster. Nem a ação anabolizada desse T3 consegue pegar o público quando vemos o herói roubando roupas de um dançarino afetado ou usando óculos de estrelinha. Isso sem contar as absurdas armas que a "exterminadora de exterminadores" tem em seu braço tipo 1001 utilidades. Lamentável. Nota: 4,5

Na Natureza Selvagem* (Into the Wild, 2007). De Sean Penn

Taí um filme que ainda vou ouvir muito pelos problemas que vejo nele. Um dos mais aclamados longas da década, na minha opinião carece de ritmo e de um roteiro com mais liga. Mas é bom deixar claro: Sean Penn cria imagens belíssimas na jornada de seu protagonista, enquanto Emile Hirsch trata de dar peso ao complexo personagem que tem nas mãos. Isso sem falar no melhor do longa, a trilha excepcional de Eddie Vedder, que sozinho se mostra muito mais eficiente que no seu grupo, o Pearl Jam. Mas de todo modo, os quase 150 minutos da trama se tornam arrastados e penosos, enquanto o roteiro, paradoxalmente à direção de Penn, acaba sendo prolixo ao expôr os problemas e as características do próprio protagonista - se você reparar bem, as histórias e as qualidades mais marcantes dele são trazidas pela narração que sua irmã faz. Assim, a primera hora de Na Natureza Selvagem é terrivelmente arrastada, quando simplesmente nada acontece, o que melhora mais tarde, mas aí já é tarde. Nota: 6,5

Forrest Gump - O Contador de Histórias (Forrest Gump, 1994). De Robert Zemeckis

Um filme cheio de emoção e graça, além de uma inteligência e dinâmica ímpares. Vale por cada drama, cada piada e encontra nas atuações e efeitos visuais incríveis a liga que fez dele o grande vencedor do Oscar de 1994, batendo pesos-pesadíssimos como Pulp Fiction. Nota: 9

* Filme visto pela primeira vez

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