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Crítica: A Pantera Cor-de-Rosa 2

 

Há filmes que não deveriam existir. Isso é fato. E não se trata de coisas bisonhas do tipo Experiência II ou Contato de Risco, esse tipo de produção serve a outro propósito, uma vez que o Cinema, como arte ou brinquedo na mão de estúdios, precisa deles, assim como adoramos uma piada de mau-gosto – desde que não nos ofenda.

 

Agora, veja o caso de A Pantera Cor-de-Rosa 2 (The Pink Panther 2, EUA, 2009). Continuação de um sucesso de público de 2006, que é refilmagem do clássico homônimo que tinha Blake Edwards na direção e Peter Sellers como protagonista. Basta dizer que o essencial nessa “reimaginação” é a presença de Steve Martin no papel que Sellers imortalizou, o Inspetor Clouseau. De resto tudo fica a dever aos clássicos da comédia criados por Edwards na década de 1960, sobrando um roteiro meia-boca e umas risadas esparsas aqui e ali.

 

 

O que leva A Pantera Cor-de-Rosa 2 a fazer parte dos time das películas que não deveriam ter visto a luz do Sol é o simples fato de não ter sentido. O seu original, há três anos, já era assim, então qual a motivação de ir a frente? Grana? Então daria para criar algo minimamente interessante? Num roteiro sobre um super-ladrão que vem fazendo a festa com relíquias como o Santo Sudário e o diamante que dá nome ao filme, tudo é óbvio, tudo é desculpa para colocar Clouseau em mais uma piada física. Quando se exige diálogos, muitas vezes repetem os (poucos) bons momentos de seu antecessor – “Hamburger!”.

 

Assim, sobra Steve Martin defendendo o papel com seu talento desperdiçado. Se besteiras do tamanho de um Van Helsing ainda lhe despertam indignação, aqui o sentimento é de indiferença, esperando que de vez em quando exista uma gracinha para que os 90 minutos não sejam de tédio puro.

Nota: 5

Resumo da Semana (2 a 8 mar)

Coisas Belas e Sujas* (Dirty Pretty Things, 2002). De Stephen Frears

Existem maneiras e maneiras de se abordar uma história. No caso de Coisas Belas e Sujas, Stephen Frears fala de dois temas pesados - a situação de imigrantes na Inglaterra e o tráfico de órgãos - de forma sóbria e sem causar pena de seus personagens. Há, sim, admiração e torcida, ainda que vez ou outra o diretor dê uma forçada de barra. No final, porém, tudo está nos eixos e uma denúncia foi feita sem ser panfletária. Ótimo elenco. Nota: 8

Alta Tensão* (Haute Tension, 2003). De Alexandre Aja

Era para ser um filmaço de terror, pesado, sanguinolento e sádico. Alejandre Aja, porém, sofreu da síndrome de Guerra nos Mundos e nos últimos minutos de Alta Tensão acabou com o sentido de todo o seu longa. Uma reviravolta absolutamente desnecessária acontece e abre um enorme furo no roteiro que vinha bem sem querer reinventar a roda, contando o enredo de sempre sobre um psicopata, de maneira criativa. É de uma frustração ímpar. Dá até pena ver tantas boas cenas - inclusive a perseguição final - desperdiçadas numa fita que tinha tudo para ser um neoclássico. Vale pelos dois tensos primeiros atos. Nota: 6,5

A Invasora* (À l'intérieur, 2007). De Alexandre Bustillo e Julien Maury

No mesmo pique, A Invasora é outro longa que vai fundo no terror e não poupa imagens de lâminas atravessando a pele enquanto o sangue jorra pela tela. Aqui uma estranha invade a casa de mulher grávida, recém-viúva, atrás do filho da mesma. A simplicidade da história se transforma em cenas de pura agonia, no melhor estilo torture porn, sujo e mau. A excessão de duas ou três cenas bestinhas a produção é um prato cheio para quem curte terrores barra-pesada. A cena final é um teste para estômagos fortes. Nota: 8

* Filme visto pela primeira vez

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