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Crítica: Quem Quer Ser um Milionário?

Já disseram que “menos é mais”. Parece que, como nunca, Danny Boyle soube empregar o dito em um projeto. Em Quem quer ser um Milionário? (Slumdog Millionaire, Reino Unido/França, 2008) ele mostra que das respostas do garoto Jamal em um quiz show, pode haver uma história de vida rica a ser descoberta.

 

Passado na Índia atual e de duas décadas atrás, o enredo do garoto pobre que fica milionário através do programa de TV de grande sucesso no país, faz um paralelo muito inteligente com as mudanças urbanas que a Índia sofreu nos últimos anos. Nada que vise ser didático, mas tangente ao objetivo do longa: contar caminhada de seu protagonista e de como ele, simplesmente, sobreviveu.

 

Otimista até o osso, Quem quer ser um Milionário?, porém, não cai na pieguice, não tem drama barato ou se torna ingênuo, e mesmo assim faz Jamal e seu irmão passarem por bocados, às vezes bem pesados. O roteiro trabalha mais ou menos assim: a cada pergunta feita pelo vaidoso apresentador ao concorrente, este tem uma história que vai lhe conceder as repostas. Assim, a platéia descobre que sua mãe foi assassinada, como seu irmão entra para o crime ou de que forma era explorado ao mendigar pelas ruas. Isso, enquanto, o amor de sua vida, Latika, toma caminhos diferentes dos seus.

A fluidez da narrativa impressiona, tanto quanto a boa trilha e edição certeira. Quem conhece Danny Boyle logo percebe a agilidade de sua direção e câmera de olhar perspicaz.

 

Muitos o compararam a Fernando Meirelles ao filmar as favelas indianas de forma alegre e iluminada sem esconder seus problemas. Há o que se discutir, realmente, mas não há um só momento em que se confunda o trabalho do inglês responsável por pérolas como Extermínio e Trainspotting ao do brasileiro – mesmo por que Cidade de Deus é mais sério e superior.

 

É mais fácil dizer que Quem quer ser um Milionário? homenageia a maior indústria do Cinema mundial, Bollywood. Todos os atores principais são indianos – a maior parte não-profissional – e ainda há um número musical que fecha a fita, no melhor estilo aos milhares de filmes feitos no país todo ano, ainda que nenhum faça sombra lançamentos norte-americanos, ingleses e afins.

 

Sair do Cinema com um sorriso largo ao fim da película é o mais que Boyle extrai do menos. E olha que há tortura, miséria e indiferença (e alguns problemas de roteiro) de sobra para fazer qualquer um repensar a vida.

 

Nota: 8,5

Crítica: O Curioso Caso de Benjamin Button

Antes de estabelecer qualquer opinião a respeito de O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, EUA, 2008), é preciso tirar uma coisa da frente. Sim, o longa tem muitas semelhanças com Forrest Gump: suas mães são pessoas fortes, eles têm problemas de locomoção no início de suas jornadas, passam pela guerra, têm amores difíceis pela vida toda. Algo que traz problemas para espectadores mais atentos. Entretanto o crescimento do personagem é outro ponto a se levar em conta, uma vez que sua história tem grandes particularidades a serem descobertas.

 

Passado um primeiro susto, Benjamin Button pode ser visto com mais cuidado, já que atento a esse entrave, o filme tem de conquistar o espectador. E essa missão, não há como negar, a produção cumpre com louvor. Culpa de um roteiro que explora bem muitas nuances do personagem, da direção de David Fincher e, sobretudo, da atuação de Brad Pitt. Vale lembrar que o roteirista aqui é Eric Roth, o mesmo de Forrest Gump (calma).

 

Se para alguns trata-se de um auto-plágio de Roth, Benjamin Button, porém, é um projeto muito pessoal de David Fincher, o qual está nas mãos do cineasta desde o início da década de 1990, quando ele debutava no Cinema com Alien3. Talvez por isso, a despeito de tantas semelhanças, sua direção leva a película a algumas novas direções e sentimentos. Assim a história bizarra do garoto que nasce um bebê velho e vai rejuvenescendo se torna encantadora. A criança velha, o jovem rabugento.

À medida em que Fincher cria imagens de uma beleza plástica absurda, somos tragados aos dilemas de Button, indo da aberração a um milagre. Enquanto isso Brad Pitt empresta um dos melhores trabalhos de sua carreira a efeitos visuais inteligentes, os quais trabalham lado a lado com a maquiagem impecável e torna crível aquele velhinho com o rosto murcho de Pitt. Aliás, essa primeira parte é a mais curiosa (desculpem o trocadilho), quando acompanhamos Benjamim com grande vontade de conhecer o mundo como qualquer criança, mas limitado pelo próprio corpo. A cena dele na cadeira de rodas impossibilitado de descer um pequeno lance de escadas para poder ir para a rua, então, ilustra de forma simples a frustração do garoto-idoso.

 

Sua saída de casa, dessa maneira, é inevitável. Aos poucos, o longa vai perdendo em encantamento, algo natural ao mesmo tempo em que o protagonista vai descobrindo agruras, tristezas.

 

A metragem de O Curioso Caso, entretanto, acaba sendo vilã nessa missão de Fincher, uma vez que os últimos dos 166 minutos do filme são um tanto cansativos e o ritmo se arrasta, salvo apenas pela beleza – agora não plástica - dos momentos finais. Justamente ali Cate Blanchett se sobressai. Tomando a história para si, ela não está na tela mais como uma boneca de rosto liso como porcelana, e sem essa muleta ou a arrogância juvenil que apresentava, comove pela entrega ao amado Benjamin.

 

O filme estranho, mas esteticamente brilhante, acaba imperfeito, apropriadamente, convenhamos, como qualquer biografia.

Nota: 8,5

Oscar 2009

Numa festa que começou com bom ritmo, mas que da metade para frente teve intervalos comerciais a cada premiação ou homenagem, a 81º festa do Oscar terminou tranquilamente, sem grandes arroubos (o trivial) e com Quem Quer ser um Milinário? como melhor filme de 2008 - na opinião deles.

Mas vamos aos comentários:

1. Das minhas apostas acertei 50%, não passei

2. Mas muitas delas acabaram nas mãos de minhas segundas opções, o que diminui um pouco minha dor

3.  Enfim, Heath Ledger recebeu o reconhecimento devido, papando o Oscar de Ator Coadjuvante através de seu Coringa magistral

4. Se eu fosse uma atriz atrás de um Oscar, trabalharia com Stephen Daldry, assim como aconteceu com (o horrível) As Horas e Nicole Kidman há alguns anos, o único prêmio vencido pelo filme do diretor - O Leitor - foi o de Atriz, com Kate Winslet finalmente levando seu carequinha dourado (ui!)

5. Injustiça em relação a Benjamin Button: perdeu o prêmio de Fotografia

6. O Cavaleiro das Trevas venceu o prêmio de Edição de Som, naturalmente não deveria ter levado o de Mixagem de Som? A Academia achou que não, premiou Quem quer ser um Milionário?

7. Não aguentava mais mais ver A.R. Rahman no palco, que ganhou como Melhor Trilha por Quem Quer ser um Milionário?, apresentou duas músicas do filme e voltou para agradecer o Oscar por "Jai Ho", uma música fraca, sejamos sinceros - "O Saya", era melhor

8. David Fincher estava num desconforto total vendo Benjamin Button afundar, enquanto isso Danny Boyle passava vergonha, parecendo um bobo a cada anúncio de Oscar para seu filme

9. Pra mim a grande surpresa foi Sean Penn bater Mickey Rourke e ganhar como Melhor Ator

10. A categoria que me deixou mais em dúvida foi a de Figurino: ganhou A Duquesa, o mais fraco, mais do mesmo

e por último: alguém mais achou uma fraude a premiação de Maquiagem a Benjamin Button? Não estou reclamando do filme, mas até que ponto havia maquiagem e começavam os efeitos visuais? O trabalho em Hellboy II é infinitamente superior.

Abaixo, todos os vencedores:

Melhor Filme
Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Diretor
Danny Boyle, por Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Ator
Sean Penn, por Milk - A Voz da Igualdade

Melhor Atriz
Kate Winslet, por O Leitor

Melhor Ator Coadjuvante
Heath Ledger, por Batman - O Cavaleiro das Trevas

Melhor Roteiro Original
Dustin Lance Black, por Milk - A Voz da Igualdade

Melhor Roteiro Adaptado
Simon Beaufoy, por Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Filme Estrangeiro
Departures (Japão)

Melhor Animação
Wall-E, de Andrew Stanton

Melhor Fotografia
Anthony Dod Mantle, por Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Direção de Arte
O Curioso Caso de Benjamin Button

Melhor Figurino
A Duquesa

Melhor Edição de Som
Batman - O Cavaleiro das Trevas

Melhor Mixagem de Som
Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Montagem
Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Efeitos Visuais
O Curioso Caso de Benjamin Button

Melhor Maquiagem
O Curioso Caso de Benjamin Button

Melhor Trilha Sonora
Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Canção
"Jai Ho", de Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Curta-metragem de Animação
La Maison em Petits, de Kunio Kato

Melhor Curta-metragem
Spielzeugland (Toyland), de Jochen Alexander

Melhor Documentário em Curta-metragem
Smile Pinki

Melhor Documentário em Longa-metragem
O Equilibrista, de James Mars

Resumo da Semana (16 a 22 fev)

MIB - Homens de Preto (MIB - Men in Black, 1997). De Barry Sonnenfeld

Uma pequena pérola, misto de comédia e ficção-científica, esse filme vale pela dupla de protagonistas e pelas brincadeiras que faz com vários cacoetes das ficções B, alternando com efeitos visuais de primeira e sequências de ação inspiradas. Sem muita pretensão, MIB vai longe e garante um ótimo programa. Nota: 8,5

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