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Crítica: Sim Senhor

Vira e mexe um ator de comédia tem de “provar” suas habilidades artísticas em dramas, por melhor que ele seja. Veja os casos de Bill Murray, que só concorreu a um Oscar quando fez Encontros e Desencontros, ou Robin Williams que teve de estar envolvido filmes como Sociedade dos Poetas Mortos ou Gênio Indomável para ser reconhecido pela Academia. Jim Carrey não precisava, mas deixou suas caretas para tentar mostrar que não era apenas um zombeteiro de primeira. Porém nem atuações brilhantes como em Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças fez o Oscar chegar mais perto.

 

Claro que nesse percurso, ao ser ignorado, Carrey pisou na bola também. O suspense Número 23 foi a gota d’água e fez com que o ator voltasse ao terreno seguro das comédias. A começar por Sim Senhor (Yes Man, EUA/Austrália, 2008), fita leve que procura explorar o melhor da comédia de Jim.

 

Ele é Carl, um gerente de empréstimos de um banco cuja vida se resume a rejeitar propostas de gente que precisa de grana e dar o bolo em amigos com as desculpas mais esfarrapadas. Isso enquanto não esquece a namorada de três anos atrás e gasta seu tempo procurando filmes na locadora. Tudo, no entanto, vai mudar quando aceita o convite de um antigo conhecido e resolve participar de um programa que tem como única regara dizer “sim” a todo tipo de oportunidade que o acaso lhe oferecer. Mesmo que custe uma grana e muita paciência.

De humor pouco apelativo, Sim Senhor tem na figura de Carl o seu poder enquanto os coadjuvantes desfilam pela tela como escada para Jim Carrey, mesmo quando têm potencial para boas piadas, como no caso de Rhys Darb, o chefe do banco imaturo e espertalhão. Os destaques do elenco ainda se fecham com o melhor amigo Peter (Bradley Cooper) e a doidinha Alisson, vivida com meiguice por Zooey Deschanel.

 

Sim Senhor chama a atenção por ser positivo, calculando cada situação para que Carl, ainda que se dê mal, obtenha algo de bom. Pode parecer um tanto forçado em certos momentos, mas traz uma sensação agradável, ainda que não se aprofunde em qualquer discussão sobre a sociedade. Na verdade a mensagem é simplória: no melhor estilo O Segredo, a produção diz que o destino é traçado de acordo com a positividade que você impõe à sua vida. A frase anterior desencadeou um nariz torcido? Não se preocupe, as piadas são boas e Jim Carrey é Jim Carrey.

 

Nota: 7,5

Comentários de Última Hora: repare na participação de Fionnula Flanagan como a velhinha Tillie, papel extremo-oposto à sinistra Sra. Mills que ela interpretou em Os Outros.

Oooh Good!

Sobre Christian Bale perdendo totalmente o controle nos sets de T4 e cobrindo o diretor de fotografia Shane Hurlbut de insultos todo mundo já deve estar sabendo - não ouviu? Chegou sua vez. Pois bem, antes mesmo do ator que fará John Connor se desculpar ("Eu estava completamente errado. (...) Agi como um imbecil. (...) É indesculpável. Espero que isso fique bem claro"), o produtor musical Revolucian fez um remix do episódio na Internet. Elogíavel no sentido de música eletrônica, poderia estar em qualquer pista do mundo - se já não estiver - mas de qualquer maneira é oportunismo sem qualquer vergonha. Dá pra se divertir, confira:

 

Assistir a Austrália (Idem, Austrália/EUA, 2008) é conhecer o melhor e o pior do diretor Baz Luhrmann. Espetacular no sentido mais festivo da palavra desde os seus minutos iniciais, o épico não perde um momento sequer sendo introspectivo ou mínimo. Em 100% do longa, as imagens são grandiosas, os dramas, máximos e as atuações são de gestos largos. Over? E muito! Mas assim Luhrmann foi em Romeu + Julieta e, sobretudo, em Moulin Rouge!. Por quê seu “lado negro” teria despertado aqui? 

No enredo da aristocrata inglesa (Nicole Kidman) que vai à Oceania cuidar da fazenda deixada pelo marido e encontra uma terra empoeirada, há um sem número de clichês, mas abraçados com gosto pelo diretor. Eles são trabalhados sem qualquer vergonha, muitas vezes engrandecidos. Se não convencem muito bem, não estragam a história até o seu terço final, quando a entrada do elemento “Guerra” faz com que tudo ultrapasse a linha do aceitável.

Austrália tem como ponto central o romance entre Nicole e o capataz vivido por Hugh Jackman, mas sua força real está no garotinho aborígine Nullah (Brandon Waters). É ele que desencadeia as cenas mais belas do longa, e, com ele, a história tenta se justificar com a sequência de invasão japonesa ao país. De momentos arrastados, Baz Luhrmann tenta criar seu próprio épico de guerra, mesmo tendo apostado quase 70% de Austrália em um tipo de western regular.

 

De técnica exuberante, mas que algumas vezes peca por ser óbvia, o filme quer ser um tipo de “...E o Vento Levou” moderno, louco pelo reconhecimento que a Academia deu ao trabalho anterior do cineasta. Contudo dá um tiro no próprio pé ao não saber equilibrar sua megalomania com algo verdadeiramente interessante a ser contado. Fica coxo em relação à emoção e por forçar a barra no melodrama épico.

 

Excesso por excesso, dá saudade do clima kitsch de Moulin Rouge!, de alma divertida, romântica e pontualmente trágica, enquanto Austrália patina na própria pretensão.

 

Nota: 6

Oscar 2009 - Indicados - Constando

oscar09-posterÉ, eu sei. Os indicados ao Oscar já foram anunciados, debatidos e eu nada por aqui. Mas agora chegou a minha vez de dar uns pitacos, mesmo atrasado.

Não digo que estou decepcionado com a Academia em relação à não-indicação de Batman - O Cavaleiro das Trevas ao prêmio principal, mesmo por que essa mesma Academia ama gente que eu não consigo entender (Stephen Daldry) e ignora quem não devia ignorar (Jim Carrey). Mas esperava, de verdade, que o longa do morcegão fosse mais lembrado. Mas fiquei feliz com a indicação de Heath Ledger. Muito, mas muito merecida.

Concorrendo diretamente com o Coringa, Robert Downey Jr., por Trovão Tropical. Na boa? Para mim a estatueta mais esperada desse ano será a de Ator Coadjuvante, ainda que não ache que Ledger ou Downey levem. Philip Seymour Hoffman, imagino que vença.

Entre os diretores existe uma disputa mais que merecida. Tanto David Fincher (O Curioso Caso de Benjamin Button) quanto Danny Boyle (Quem Quer Ser Milionário?) já deviam ter figurado entre os bam-bam-bans da indústria (sim, indústria) cinematográfica há anos. Isso por projetos de cunho artísticos. Penso que um dos dois ganhe esse ano. Se levarmos em conta o número de indicações, Fincher fica com o Oscar. Se, por outro lado, o oba-oba falar mais alto, Boyle papa.

Vejamos o que mais... Angelina Jolie (A Troca) conseguiu outra indicação por uma mulher fora de série, forte, lutadora, blá, blá, blá - também pudera, exceto pelos filmes de ação em que esteve, ela só faz esse tipo de papel: Gia, Garota, Interrompida, O preço da Coragem, etc. Meryl Streep (Dúvida) garantiu sua indicação anual e Wall-E foi ignorado na categoria principal.

Os totalmente esquecidos: O NevoeiroEnsaio sobre a Cegueira.

Todos os indicados:

Melhor Filme

O Curioso Caso de Benjamin Button
Frost/Nixon
Milk - A Voz da Igualdade
O Leitor
Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Ator

Richard Jenkins - The Visitor
Frank Langella -
Frost/Nixon
Sean Penn -
Milk - A Voz da Igualdade
Brad Pitt -
O Curioso Caso de Benjamin Button
Mickey Rourke - O Lutador

Melhor Atriz

Anne Hathaway - O Casamento de Rachel
Angelina Jolie -
A Troca
Melissa Leo -
Rio Congelado
Meryl Streep -
Dúvida
Kate Winslet - O Leitor

Melhor Ator Coadjuvante

Josh Brolin - Milk - A Voz da Igualdade
Robert Downey Jr. - Trovão Tropical
Philip Seymour Hoffman -
Dúvida
Heath Ledger - Batman -
Batman-O Cavaleiro das Trevas
Michael Shannon - Foi Apenas Um Sonho

Melhor Atriz Coadjuvante

Amy Adams - Dúvida
Penelope Cruz -
Vicky Cristina Barcelona
Viola Davis -
Dúvida
Taraji P. Henson -
O Curioso Caso de Benjamin Button
Marisa Tomei - O Lutador

Melhor Diretor

David Fincher - O Curioso Caso de Benjamin Button
Ron Howard -
Frost/Nixon
Gus Van Sant -
Milk - A Voz da Igualdade
Stephen Daldry -
O Leitor
Danny Boyle - Quem Quer ser um Milionário?

Melhor Roteiro Original

Rio Congelado, Courtney Hunt
Simplesmente Feliz, Mike Leigh
Na Mira do Chefe, Martin McDonagh
Milk - A Voz da Igualdade, Dustin Lance Black
WALL•E, Andrew Stanton

Melhor Roteiro Adaptado

O Curioso Caso de Benjamin Button, Eric Roth e Robin Swicord
Dúvida, John Patrick Shanley
Frost/Nixon, Peter Morgan
O Leitor, David Hare
Quem Quer ser um Milionário?, Simon Beaufoy

Melhor Filme Estrangeiro

Der Baader Meinhof Komplex (Alemanha/ França/ República Tcheca)
The Class (França)
Departures (Japão)
Revanche (Áustria)
Waltz with Bashir (Israel/ Alemanha/ França/ EUA)

Melhor Animação

Bolt - Supercão
Kung Fun Panda
WALL•E

Melhor Fotografia

A Troca, Tom Stern
O Curioso Caso de Benjamin Button, Claudio Miranda
Batman - O Cavaleiro das Trevas, Wally Pfister
O Leitor, Chris Menges e Roger Deakins
Quem Quer Ser um Milionário?, Anthony Dod Mantle

Melhor Direção de Arte

A Troca
O Curioso Caso de Benjamin Button
Batman - O Cavaleiro das Trevas
A Duquesa
Foi Apenas um Sonho

Melhor Figurino

Austrália
O Curioso Caso de Benjamin Button
A Duquesa
Milk - A Voz da Igualdade
Foi Apenas um Sonho

Melhor Documentário

The Betrayal (Nerakhoon)
Encounters at the End of the World
The Garden
Man on Wire
Trouble the Water

Melhor Documentário em Curta-Metragem

The Final Inch
The Conscience of Nhem En
Smile Pinki
The Witness - From the Balcony of Room 306

Melhor Montagem

O Curioso Caso de Benjamin Button
Batman - O Cavaleiro das Trevas
Frost/Nixon
Milk - A Voz da Igualdade
Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Maquiagem

O Curioso Caso de Benjamin Button, Greg Cannom
Batman - O Cavaleiro das Trevas, John Caglione, Jr. e Conor O’Sullivan
Hellboy II - O Exército Dourado, Mike Elizalde e Thom Floutz

Melhor Trilha Sonora

O Curioso Caso de Benjamin Button
Um Ato de Liberdade
Milk - A Voz da Igualdade
Quem Quer Ser um Milionário?
WALL-E

Melhores Efeitos Visuais

O  Curioso Caso de Benjamin Button
Batman - O Cavaleiro das Trevas
Homem de Ferro

Melhor Canção Original

“Down to Earth”, WALL-E
“Jai Ho”,
Quem Quer Ser um Milionário?
“O Saya”, Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Curta de Animação

La Maison en Petits Cubes
Lavatory - Lovestory
Oktapodi
Presto
This Way Up

Melhor Curta-Metragem

Auf der Strecke (On the Line)
Manon on the Asphalt
New Boy
The Pig
Spielzeugland (Toyland)

Melhor Edição de Som

Batman - O Cavaleiro das Trevas
Homem de Ferro
Quem Quer se um Milionário?
WALL-E
O Procurado

Melhor Mixagem de Som

O Curioso Caso de Benjamin Button
Batman - O Cavaleiro das Trevas
Quem Quer ser um Milionário?
WALL-E
O Procurado

Resumo das Semanas (12 a 31 jan)

Constando: após duas semanas sem computador, devido a pequenos problemas técnicos, volto 100% ao Cinefilia.

Sr. & Sra. Smith* (Mr. & Mrs Smith, 2005). De Doug Liman

A cópia. Um filme que começa até bem, mas vai perdendo em graça e no fôlego da ação, finalizando numa cena meia boca que falsamente resolve os problemas do casal. Nota: 5,5

True Lies (Idem, 1994). De James Cameron

O (quase) original. Um filme cheio de graça que mantém o bom nível de comicidade e ação, finalizando num misto de comédia pastelão com tiros e pancadaria irresponsáveis da melhor espécie. Refilmagem do francês La Totale! Nota: 8

O Nevoeiro (The Mist, 2007). De Frank Darabont

Ótima pedida para quem gosta de filmes de terror cabeça, que não dispensam uma boa dose de sangue. Isso sem contar o final absolutamente desesperador. Grande elenco, ótima direção, roteiro impecável. Nota: 9

Team America - Detonando o Mundo* (Team America - World Police, 2004). De Trey Parker

Dos criadores do desenho South Park, você espera o quê? Se você não sabe muito bem o que responder assista a Team America. Uma comédia rasgada, sem qualquer papa na língua. Engraçado e infame o filme atira em tudo e todos e se sai bem como sátira. Nota: 8,5

O Exorcista (The Exorcist, 1973). De William Friedkin

É estranho como esse clássico ainda perturba platéias acostumadas com longas que pagam pesado no grafismo. Vale cada segundo, muito devido a atuações de primeira e realismo praticado por Friedkin. Nota: 9

* Filme visto pela primeira vez

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