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Crítica: Sete Vidas

Não adianta ir contra a maré, Will Smith é, sem dúvida, o maior astro do momento. O mais interessante, porém, é que além de um nome que rende milhões, ele é um ator de verdade. Entre comédias de ação (Bad Boys) e veículos para manutenção no mainstream (o bom Hitch), ele exercita os músculos da dramaturgia em fitas que verdadeiramente exigem trabalho (Ali).

Se em Eu sou a Lenda Smith provou que consegue carregar, literalmente, um filme sozinho, em Sete Vidas (Seven Pounds, 2008, EUA) novamente é o grande motivo para se pôr os olhos na segunda parceria do ator com o cineasta italiano Gabriele Muccino. E mesmo com os bons resultados obtidos há dois anos em À Procura da Felicidade, dessa vez os dois não acertaram a mão.

A história do agente do fisco americano, Ben Thomas (Smith), cheio de segredos e em busca de pessoas boas para as quais quer conceder certa graça, parece até ter boas intenções, mas, ao final, mostra que está em busca apenas do choro fácil da platéia.

Criando personagens com potencial dramático, o roteiro de Grant Nieporte não se preocupa, contudo, em dar desenvolvimento aos problemas daquelas pessoas e se concentra, basicamente, na depressão de Ben e em sua aproximação de Emily Posa, vivida muito naturalmente por Rosário Dawson. Ela é uma das pessoas boas que ele procura, uma cardíaca na fila de espera por um coração e de prognóstico pouco animador.

Confuso e enganador, Sete Vidas tem sua força em Smith, alternando momentos de pura emoção com outros em que tenta esconder a miséria de Ben através de um sorriso largo, desfeito logo que não precisa mais falar com alguém. Pena que um trabalho desse quilate seja desperdiçado quando a produção chega a seus últimos 30 minutos, de resoluções rápidas e artificiais. E ainda que tudo pareça de uma nobreza e entrega absolutas, a sensação que se tem é que falta algo, de que algum aspecto daquele drama fora apenas uma intenção.

A essa altura, não há Will Smith que consiga salvar um filme que poderia ser um média-metragem de 40 minutos, o qual tenta esconder algo de maneira frágil e calculadamente fechado para emocionar os mais suscetíveis. Muitos não caem na armadilha.

Nota: 6

Globo de Ouro 2009

E o Globo de Ouro, hein? Parecia que a festa seria dos astros absolutos, como Brad Pitt, sua mulher Angelina e Tom Cruise, mas a história foi um pouco diferente. Um pouco. Tudo bem que as indicações foram absolutamente marketeiras, porém não dá pra negar que as premiações, no mínimo, tentaram seguir outro rumo, buscando performances dignas de prêmios.

Já visto como o independente amado do ano, a exemplo de Juno e Pequena Miss Sunshine, Slumdog Millionaire foi o dono da noite. O novo de Danny Boyle papou quatro prêmios: Melhor Filme de Drama, Melhor Diretor, Melhor Roteiro e Trilha Sonora. O feito da noite coube a Kate Winslet. Ela foi a vencedora de dois Globos como Melhor Atriz de Drama em Apenas um Sonho e também como Atriz Coadjuvante por O Leitor.

Talvez, contudo, os grandes indicadores de que os votantes do Globo de Ouro tentaram premiar quem realmente devia, estejam nas categorias Melhor Atriz de Musical ou Comédia e Melhor Ator Musical ou Comédia. Ainda que nomes como Frances McDormand (Queime Depois de Ler) e Meryl Streep (Mamma Mia!) concorressem, Sally Hawkins em Simplesmente Feliz acabou ficando com o globinho dourado. Mais ou menos o mesmo caso de Colin Farrell por Na Mira do Chefe, o qual bateu Javier Barden (Vicky Cristina Barcelona),  Dustin Hoffman (Last Chance Harvey), entre outros.

Mas o ponto alto da noite foi a premiação póstuma a Heath Ledger, pela sua aula em Batman - O Cavaleiro das Trevas. Quando Demi Moore anunciou a vitória do ator australiano como Ator Coadjuvante, o diretor Chris Nolan subiu ao palco para receber o prêmio ante a platéia que aplaudia de pé o trabalho de Ledger. Agora é esperar o Oscar!

Veja todos os vencedores de cinema:

Melhor Filme de Drama
Slumdog Millionaire

Melhor Filme de Comédia ou Musical
Vicky Cristina Barcelona

Melhor Ator de Drama
Mickey Rourke - O Lutador

Melhor Atriz de Drama
Kate Winslet - Apenas Um Sonho

Melhor Ator de Comédia ou Musical
Colin Farrell  - Na Mira do Chefe

Melhor Atriz  de Comédia ou Musical
Sally Hawkins - Simplesmente Feliz

Melhor Ator Coadjuvante
Heath Ledger - Batman - O Cavaleiro das Trevas

Melhor Atriz Coadjuvante
Kate Winslet - O Leitor

Melhor Diretor
Danny Boyle - Slumdog Millionaire

Melhor Roteiro
Slumdog Millionaire, por Simon Beaufoy

Melhor Canção Original
The Wrestler, de O Lutador

Melhor Roteiro
Slumdog Millionaire, de A.R. Rahman

 Melhor Filme Falado em Língua Estrangeira
Valsa com Bashir (Israel/Alemanha/França/ EUA)

Melhor Animação
Wall-E

Resumo da Semana (5 a 11 jan)

united 93

Vôo United 93 (United 93, 2006). De Paul Greengrass

Aqui sim um verdadeiro retrato da tristeza que representou o 11 de Setembro, sem qualquer palhaçada ufanista. Fora que o caos causado no espaço aéreo americano é posto na tela de forma impecável. Mais uma vez Greengrass prova que não há complexidade que ele não consiga lidar. Aqui ele vai da burocracia às lágrimas na unha. Nota: 8,5

 

big posterQuero ser Grande (Big, 1988). De Penny Marshall

 Se há um filme em que adultos e pré-adolescentes invejam, ao mesmo tempo, o protagonista ele é Quero ser Grande. De criança a adulto e de volta à tenra idade,  Josh (Tom Hanks/David Moscow) aproveita o que de melhor as duas idades pode oferecer, sendo ele mesmo o tempo todo. Um clássico oitentista. Nota: 8,5 

 

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