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Crítica: A Duquesa

Histórias de mulheres fortes chamam muito a atenção do cinema. Da rainha inglesa Elizabeth à estilista brasileira Zuzu Angel, personagens femininas de fibra sempre foram motivo de filmes de maior ou menor qualidade, mas que tiveram destaque tal que despertaram o interesse de atrizes famosas querendo interpretá-las. 

No caso de Georgiana Cavendish, cuja história é contada em "A Duquesa" (The Duchess, Reino Unido/Itália/França, 2008), o cinema pode não ter feito justiça à sua personalidade. O caso é que a Duquesa de Devonshire é retratada na película de Saul Dibb hora como uma mulher à frente de seu tempo, hora como uma sofredora ingênua e impassível quanto aos infortúnios da vida. É possível até argumentar que dessa maneira a personagem se tornaria algo mais tridimensional, mas nas linhas do roteiro de Anders Thomas Jensen, Jeffrey Hatcher e do próprio Dibb, acaba não havendo nenhuma justificativa para o filme em si.

Assistir a "A Duquesa" é chover no molhado. Quem conhece a história não terá nada de novo a que ver, a não ser acompanhar Keira Knightley na pele da nobre sendo maltratada pelo marido frio, vivido sem grandes problemas - e sem grande vulto, na verdade - por Ralph Fiennes. Já os que querem conhecer a vida de Georgiana, se depararão com uma produção que não pode ser chamada de ruim, porém "boa" é adjetivação demais.

Sonolento em muitos momentos, chama a atenção quando tenta ousar, contudo, como em todo o material, o drama acaba ficando no meio do caminho em suas intenções. Assim, sobram imagens palacianas muito bonitas, fotografia bem acabada e as perucas da Duquesa que desafiam a gravidade. Tudo numa obviedade que minam qualquer intenção de criar um ícone histórico-cinematográfico. Não há amarra para a Duquesa de Devonshire, aqui, que justifique sua ida ao panteão das mulheres modernas demais para sua época.

 Nota: 6

WTF!?

Como muitos devem saber, "Hancock" era para ser um filme bem pesado, subvertendo por completo a imagem de um herói. Pois bem, ecos desse filme underground que não existiu (mas que virou um bom blockbuster) começam a surgir Internet afora. Um deles é o vídeo abaixo, no qual o personagem de Will Smith tem, digamos, uma noite de amor (ou alguns minutos) com uma fã. É nessa cena que o filme de Peter Berg poderia retomar os caminhos do roteiro inicial de Vincent Ngo. Em uma palavra? Superejaculação.

Resumo da Semana (15 a 21 dez)

Voltando com a programação normal

"Assassinos por Natureza" (Natural Born Killers, 1994). De Oliver Stone

Absurdamente violento, tanto no grafismo quanto na tortura que é sua edição, essa pérola de Stone cansa, mas não por ser um filme ruim, mas por ir fundo na proposta de entrar na mente de um casal de assassinos seriais e ainda discutir a insanidade de um mundo que valoriza de tal forma a violência, que transforma em show a matança de Mickey e Mallory Knox. Quer ironia? Era para você odiar, mas o carisma dos dois é tal que é impossível sentir raiva deles. Nota: 10

"O Pai da Noiva" (Father of the Bride, 1991). De Charles Shyer

Essa é a típica comédia que se recomenda para a família toda. Leve, é daqueles programas para arejar a cabeça sem ser insultado pela falta de conteúdo. Com atuação em sintonia de todo o elenco, dá até para se emocionar em algumas cenas, fora que é sincero como poucos em suas intenções. Nota: 8

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