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Crítica: As Duas Faces da Lei

Quem pode dizer que Michael Mann estava errado? Quando lançou seu "Fogo contra Fogo" em 1995, o cineasta sabia o que estava fazendo ao não dar muito espaço para que os ícones Al Pacino e Robert De Niro estivessem lado a lado, fato que deixava a platéia em suas mãos. E nem contrariando muita gente, Mann decepcionava, fazendo de seu filme um dos mais importantes da década passada.

Quando "As Duas Faces da Lei" (Righteous Kill, EUA, 2008) foi anunciado, então, alardeando uma parceria direta de De Niro e Pacino, uns fizeram cara feia, outros ficaram no suspense, imaginando o que poderia sair dali. Havia prós e contras: um diretor sem grande notoriedade versus um roteirista elogiado por seu "O Plano Perfeito", uma história cheia de clichês versus a força de dois dos maiores atores do cinema mundial.

Ao subirem os créditos na tela, porém, você chega à conclusão de que realmente certo estava Michael Mann. Isso porque no enredo que envolve dois veteranos da polícia de Nova York na cola de um assassino serial poeta - ele tenta justificar seus atos através de rimas -, não há absolutamente nada de novo que justifique mais um filme policial.

A realidade é que apenas os nomes dos atores é atração de "As Duas Faces da Lei", uma vez que sua história é burocrática, trilhando os mesmos caminhos que todas as fitas medíocres do gênero passa, tentando enganar o espectador da maneira mais pobre possível ao armar um final surpresa de dar sono. E a preguiça do diretor Jon Avnet em esconder seu assassino através da manjadíssima câmera-subjetiva dá uma idéia do quanto se deve esperar do longa.

Isso sem contar alguns furos do roteiro, o qual, ao mostrar De Niro se condenando logo nas primeiras cenas, tinha potencial para ser um posso de cinismo, mas desperdiça tudo para se tornar um amontoado de lugares-comuns, cheios de testosterona, que não servem nem para originar boas cenas de ação. O resultado é a preguiça da tela traduzida na morna receptividade da platéia que acaba de assistir a "As Duas Faces da Lei".

Nota: 6

Crítica: Trovão Tropical

 

 

 

 

 

 

 

Talvez um dos filmes mais ousados de 2008, à primeira vista não passe de uma comédia que atira para todos os lados. "Trovão Tropical" (Tropic Thunder, EUA, 2008), porém, utiliza-se do politicamente incorreto e se torna uma sátira ao mundo hollywoodiano pra ninguém botar defeito. Seus personagens são caricatos, muitas vezes um poço de ignorância, mas não deixam de ter seu charme. O melhor é que quando são postos no meio da selva para fazerem um "filme de realidade", os protagonistas - atores egocêntricos e paspalhos - não se tornam pessoas boas, melhores, mas, sim, cada um busca se destacar da melhor maneira, enquanto tentam sobreviver.

O ator/diretor Ben Stiller se sai muito bem numa produção que diz, de verdade, a que veio. Sem papas na língua ele, que também é roteirista ao lado de Justin Theroux e Etan Cohen, vai fazendo graça com a cara de todo mundo e ainda tem tempo de rir de si mesmo. Ainda impressiona a atuação absolutamente bizarra de Tom Cruise como o crápula produtor Les Grossman, cuja careca e barriga fazem o astro se libertar daquele ranço de galã. Ele é parte do afiado elenco que ainda conta com Robert Downey Jr. e Jack Black, ambos à altura.

Nota: 8,5

Comentários de Última Hora: Crítica reduzida para atualização dos filmes que vi no cinema enquanto o Cinefilia estava parado. 

Crítica: Max Payne

É possível dizer que depois que o mundo dos games nos cinemas conheceu o diretor Uwe Boll, os jogos que passarem dos consoles para as grandes telas sem a mão do "diretor" seriam um tipo de lucro. Isso porque o caminho tortuoso já vivido pelas adaptações dos "jogos de vídeo" ainda não rendeu um filme digno do poder dessa indústria, mas eles têm melhorado a cada novo lançamento.

Infelizmente, porém, "Max Payne" (Idem, EUA, 2008) não fará a fama dessas transposições melhorar, ainda que esteja anos luz à frente dos crimes "Alone in the Dark" e "House of the Dead" cometidos por Boll.

Com muito estilo, mas pouca história, o filme segue as investigações do personagem-título em busca dos culpados pela morte de sua família. Frio e amargo com a vida, Payne é o retrato do mundo que rodeia, além de obcecado pela perda de anos atrás. Até aí, tudo é bem posto por Mark Walhberg, se redimindo da terrível performance de "Fim dos Tempos", também desse ano.

Contudo, o roteiro pobre causa a ruína do longa. Com um fiapo de enredo para desenrolar, o estreante Beau Thorne, responsável pelo script, usa a tática da confusão para parecer que está rolando alguma coisa no filme. Assim, mistérios e diálogos aparentemente com algo a mais para ser entendido desfilam nos primeiros terços da fita para, no início do terceiro ato, serem expostos ao ridículo de sua existência.

É aquela velhíssima história do barulho demais por muito pouco. E nesse sentido, todo o belíssimo visual concebido pelo diretor de arte Andrew Stearn e o fotógrafo Jonathan Sela, além, claro, de boas cenas concebidas pelo cineasta John Moore, são desperdiçados numa produção que não tem o que dizer. O resultado é pura sonolência.

Nota: 5,5

Crítica: os Estranhos

"Os Estranhos" (The Strangers, EUA, 2008) é um filme orçado em cerca de US$ 10 milhões. Numa situação normal, apenas o cachê de sua protagonista, Liv Tyler, já consumiria todo ou a maior parte desse dinheiro, o que, obviamente, não foi o caso aqui. Sem dúvida, ela recebeu uma pequena porcentagem do que costuma cobrar para pôr seu nome nos créditos de qualquer produção. Mas por quê?

Simples. O terror dirigido pelo estreante Bryan Bertino é daqueles longas que não corre atrás de astros, mas os atrai com um roteiro que promete muito e rende tudo o que se propõe a fazer. O motor para isso é a criatividade e a originalidade, mesmo que usados para reciclar clichês de uma forma que até fazem com que o espectador nem lembre de que já viu aquilo antes.

Ao equilibrar estilo e conteúdo e cativando o público, o também roteirista Bertino não só praticamente ganhou Liv para seu filme como ainda pôs no mundo uma pequena pérola do horror.

Na história simples do casal que vai passar a noite numa casa isolada e são afligidos por três mascarados, o diretor/roteirista pincela um pouco de drama para, em seguida, dar uma aula de como manter qualquer um travado na sua cadeira, com um susto atrás do outro. E daí se você está cansado de ver alguém pondo a cara na frente de uma janela ao som de uma música ascendente? Mantendo o nível de tensão no máximo quase o tempo todo, fica fácil para "Os Estranhos" assustar o público. E está aí o pulo do gato: há quanto tempo uma película não consegue causar tanta aflição antes de te fazer pular da poltrona?

E o melhor: não existe vingancinha, gente de outro mundo ou qualquer fórmula para explicar as ações do trio que tortura Liv Tyler e Scott Speedman. Se em "Violência Gratuita" Michael Haneke é sacana ao frustrar brilhantemente seu público, "Os Estranhos" é da velha escola, que está ali para amedrontar, ainda que acabe aplicando uma ou duas lições dadas por Haneke, em seus minutos finais.

Nota: 8,5

Resumo de algumas semanas...

Depois de várias semanas sem dar as caras por aqui, eis que retomo de vez o Cinefilia do meu coração! O motivo do meu afastamento do blog é só um: faculdade. Meus caros amigos, para quem não sabe, sou um pobre estudante de Jornalismo - devo continuar pobre - que está se formando nesse semestre. O negócio é que o mês de novembro e dezembro foram de uma preocupaçãos em tamanho com o Projeto Experimental de minha faculdade, o qaul demanda trabalhos impressos, televisivos e de rádio.

Eu e meus sete amigos de grupo, desenvolvemos programas especiais sobre a história de minha cidade, Uberlândia, que como a Bhrama, completa 120 anos em 2008. O negócio é que fomos um tanto quanto lentos nos primeiros três meses desse ProjetoFalei bobagem. Como bons brasileiros, deixamos para a última hora e esta hora se chamava Novembro, mês no qual botamos a mão na massa de verdade. Ao que parece fomos bem sucedidos e nesta quarta (10/12) apresentaremos o "Histórias de Uberlândia" à banca avaliadora. Para eles e mais um monte de convidados. Veremos.

Assim, a "Uberlandices", o "Reviva Uberlândia" e o "Nossa Uberlândia" - respectivamente, nossa revista e programas de TV e Rádio - serão apreciados pelos julgadores e saberemos (liga voz de Silvio Santos) quanto vale o show! (desliga voz de Silvio Santos).

Além do Projeto Experimental em si, sigo com meus dois estágios, ou seja, o tempo dedicado ao Cinefilia só podia ser zero, simplesmente.

Assim sendo, agora com um pouquinho mais de tempo, esse blogueiro que vos escreve declara reaberto o o blog cinéfilo mais legal que vocês leram em toda a vida... (ou não)Riso.

E nessa semana vou me dedicar a pôr em dia as críticas que estão pendentes - ao todo são cinco.

Valeu galera. Curtam a rádio Música Cinéfila que continua na ativa, as críticas dessa semana e todo o resto de quinquilharias que aparecerão por aqui.

Abraço.

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