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Crítica: O Nevoeiro

Tim Burton e Johnny Depp, Martin Scorsese e Robert De Niro, Hitchcock e James Stewart. A maior parte das grandes parcerias cinematográficas acontece entre um diretor e um ator, ambos de gabarito irrefutável. No caso do cineasta francês (sim, ele é) Frank Darabont seu maior parceiro é o escritor Stephen King. Dos quatro longas que ele dirigiu, três são baseados em contos do mestre do terror - a exceção foi o malfadado “Cine Majestic”. O filho mais recente dessa parceria é o poderoso “O Nevoeiro” (The Mist, EUA, 2008).

 

            O que chama muito a atenção nas adaptações que Darabont é a naturalidade com a qual trabalha o texto de King. Desde “Um Sonho de Liberdade” e com “À Espera de um Milagre” percebe-se o entendimento completo por parte do homem do cinema com o das letras. A ironia é: nenhum dos dois filmes anteriores tratava-se de obras de terror no verdadeiro sentido da palavra, ainda que King seja o famoso pelo gênero.

 

            Dessa vez, porém, o diretor e roteirista procurou o óbvio sem ser previsível. Foi trabalhar um conto de horror buscando o essencial de seu terror. Assim, rapidamente você percebe que quando baixa o nevoeiro do título numa pequena cidade americana, encurralando um bom número de pessoas num supermercado, o maior problema delas está justamente entre si e não exatamente aquilo que ataca quem se arrisca na bruma.

           E olha que não são poucos os momentos nos quais os personagens passam por maus bocados se atrevendo a entrar na imensidão branca. Em determinadas cenas a tensão é segurada por vários minutos, algo só comparável ao que a Sra. Carmody apronta no supermercado. Vivida por Marcia Gay Harden com intensidade absurda, ela é uma carola fanática que começa a ver sinais do fim dos tempos naquele acontecimento até então inexplicado. Assim, logo a imensa antipatia causada pelas suas palavras de fé distorcida começa a dar lugar a algum tipo de sentido para alguns em meio ao caos. Os que se mantêm sãos se “aliam” ao protagonista David (Thomas Jane), fazendo crescer ainda mais os problemas de todos.

 

            Claro, em se tratando de um produto de Hollywood, para tudo há uma explicação, o que muitas vezes mina forças de um enredo cuja estranheza dos minutos iniciais dá liga a filmes que manipulam o horror. “O Nevoeiro”, no entanto, evita o tombo ao dar espaço mínimo para porquês e vai em frente com sua história, reservando para o momento das respostas uma de suas seqüências mais emblemáticas.

 

            Caminhando entre discussões muito acima do simples medo ou tensão, o longa ainda deixa para o final o seu melhor e leva ao espectador o desespero máximo que toda aquela situação pode trazer. Mais uma vez monstros e assombrações, como todo terror deve ser, serão apenas desculpas para acabar com os nervos de quem está na poltrona.

 

            Nota: 9

Free Bird

"For the Birds"?

Vi aqui que viu aqui

Sem A Voz

Don LaFontaine, um dos maiores narradores de trailers para cinema, morreu ontem, aos 68 anos. A causa da morte, oficialmente, não foi divulgada, mas informações dão conta de que a A Voz tombou devido a um colapso em seu pulmão.

Foram cerca de 5 mil trailers em 30 anos de carreira. Qualquer cinéfilo reconheceria sua voz sem nunca tê-lo visto.

No vídeo abaixo, você pode conferir uma pequena homenagem e saber um pouco da carreira de Don.

São dele as narrações dos trailers de "Náufrago""Dr. Fantástico""Batman - O Retorno" e muitos outros.

Resumo da Semana (25 a 31 ago)

Dois pra tentar compensar a semana passada.

"[REC]" (Idem, 2007). De Jaume Balagueró Paco Plaza

Antes de tudo sou obrigado a dizer que aumento em 0,5 a nota que dou a esse filme, depois de minha terceira conferida. Afinal de contas, os problemas de ritmo em seu segundo terço devem ser perdoados, pois os diretores preparam território para um choque ainda maior nos minutos finais absurdamente agoniantes. Um dos melhores filmes de terror dos últimos anos. Nota: 8,5

"Good Copy Bad Copy"* (Idem, 2007). De Andreas Johnsen, Ralf Christensen e Henrik Moltke

Como o próprio site define, esse é um documentário sobre como andam os direitos autorais e a cultura. De produção dinamarquesa, o filme discute o que é pirataria, de que forma a cultura do samplers - muito presentes nas músicas eletrônicas e no hip-hop - se fazem puras cópias, como a Lei vê esse tipo de trabalho e dá soluções inteligentes, através de entrevistas múltiplas, indo da Nigéria à Rússia, passando pelo Brasil, sobre como a indústria cultural pode se reformular. Bem interessante. Nota: 8

* Filme visto pela primeira vez

Crítica: A Múmia - Tumba do Imperador Dragão

Indiana Jones deu origem a um sem-número de derivados, caso de Rick O’Connell, protagonista da – até aqui – trilogia iniciada por Stephen Sommers e cujo terceiro episódio, “A Múmia – Tumba do Imperador Dragão” (The Mummy - Tomb of the Dragon Emperor, EUA/Canadá/Alemanha, 2008) chega aos cinemas depois de sete anos sem dar as caras. Mas esse aspecto pode até ser deixado de lado quando se põe os olhos na besteira que é essa nova “aventura”.

 

A coisa é tão grave que nem Rachel Weisz, co-protagonista ao lado de Brendan Fraser, nem Sommers quiseram voltar. Ela, já com um Oscar na mão, percebeu a mancada que poderia ser mais um filme da série. Já o antigo diretor preferiu passar o cetro para Rob Cohen (“Triplo X”) e tocar “Comandos em Ação”, ficando apenas como produtor.

 

Mas também pudera, “Tumba do Imperador Dragão” já começa errado, tentando fazer com que um espírito de saudosismo em relação aos filmes anteriores impere, como se alguém tivesse saudade de “A Múmia” e “O Retorno da Múmia”, dois filmes bestinhas dos quais se esquece assim que acaba a pipoca dentro do cinema. E mais: tanto montagem, quanto roteiro e direção falham feio nos minutos iniciais ao entrecortar cenas da busca do filho de O’Connell, Alex (já adulto), pela tal tumba do título e o cotidiano entediante de Rick e Evelyn - agora na pele de Maria Bello. Nada tem graça, pelo contrário, é até um tanto vergonhoso, tamanha a falta de criatividade e graça das situações.

Assim que Jet Li (não) dá as caras parece que o longa até vai ganhar certa emoção, afinal, um dos maiores astros da ação entra em cena num filme que tem para amostrar apenas correria e efeitos visuais. Contudo não se engane, Li fica alguns bons minutos coberto por uma máscara digital característica dos vilões de “A Múmia”. Ele é o imperador amaldiçoado na China antiga que desperta no mundo da primeira metade do século passado, quando a história da película se desenrola. Daí pra frente seqüências burocráticas são ajudadas por um belo visual – o melhor da trilogia – e por algumas gracinhas genuinamente boas.

 

Lá pelas tantas, porém, você se dá conta de que viu uma fita infantil, no pior sentido, que tomou alguns cobres seus para pôr em cena um iaque vomitando em personagens, Brendan Fraser garantindo o pão e Jet Li sendo sabotado por efeitos que o transforma em animais míticos quando, na realidade, espera-se que ele saia na mão com alguém. Diversão coxa.

 

Nota: 5

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