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Crítica: Arquivo X - Eu Quero Acreditar

De cara é bom responder à pergunta que mais se faz quando uma continuação chega aos cinemas: “É melhor que o original?”. No caso de “Arquivo X – Eu Quero Acreditar” (The X Files – I Want to Believe, EUA/Canadá, 2008) a resposta não é tão simples, mas para resumir o assunto pode-se dizer que ele está no mesmo nível de seu predecessor, de 1998. Contudo, ambos estão abaixo do que a série já trouxe às telinhas.

 

A mitologia na qual o programa se tornou durante seus nove anos, ainda não ganhou um representante à altura nos cinemas, o que não quer dizer que ao entrar na sala para uma sessão dessa segunda incursão da série na grande tela você acompanhará um filme ruim. A mente por trás dos mistérios de “Arquivo X”, Chris Carter, dessa vez assume tanto roteiro quanto direção e se sai com uma história misteriosa na medida e fantástica o bastante para fazer os “X-ers” se sentirem satisfeitos.

 

Há anos afastados do FBI, após o fechamento do braço que investigava os casos inexplicáveis com os quais o bureau se deparava, Fox Mulder e Dana Scully se reencontram devido ao sumiço de uma agente da polícia federal norte-americana. Eles entram meio de gaiato na busca de uma ligação entre o caso e Padre Joseph Crissman, um condenado por pedofilia que diz ter visões com o sumiço daquela mulher.

Crescendo nos momentos drama, particularmente os do casal de protagonistas, “Eu Quero Acreditar” ainda propõe discutir fé e ciência de sob o foco das relações humanas, decisão inteligente de Carter, uma vez que evita reabrir toda a discussão da série a respeito de conspirações alienígenas sem deixar de citar o passado dos personagens e levar em conta seus demônios.

 

O que não garante a angariação de novo público ao “universo X”. A história em si, mesmo com toda a qualidade de suas discussões, não propõe algo verdadeiramente novo ou que rivalize com todos os apelos de um “Lost”, por exemplo. O típico produto consumido pela geração que na década de 1990 ainda nem tinha noção do significado de termos como abdução, híbridos ou canceroso – se você é fã vai saber a conexão dessas três palavras.

 

Sendo parte de um todo, “Arquivo X – Eu Quero Acreditar” pode se mostrar bem mais interessante do que realmente é, ao envolver nostalgia, respeito e paixão. Sozinho, é um bom thriller, com suas limitações e erros, mas várias qualidades.

 

Nota: 8

Saindo na mão

O site Slate.com trouxe na segunda-feira um artigo que discute a evolução das cenas de luta no cinema. Além disso, faz um painel com 10 das lutas mais interessantes levadas às telas nos últimos 50 anos. Eles vão de "Da Terra Nasce os Homens" (1958) a "Senhores do Crime" (2007), passando por "O Vôo do Dragão" (1972) e "Batman Begins" (2005), cuja continuação, "O Cavaleiro das Trevas", inspirou o texto. Clique aqui para ler o texto e aqui para ver os vídeos das pancadarias.


Na lista acima falta, no entanto, aquele que pode ser considerado o canto do cisne quando o assunto é porrada: "Clube da Luta". Então aqui vai uma das esmagadoras cenas (sem trocadilho) do longa de David Fincher.

Resumo da Semana (21 a 27 jun)

Em filmes escolhidos pela minha irmã, curti dois em casa.

"Jogos Mortais IV"* (Saw IV, 2007). De Darren Lynn Bousman

Mantendo a mesma veia sádica de sempre, os mesmos jogos engenhosos de sempre e o roteiro inconstante de sempre - mas piorado a partir do segundo capítulo -, a saga do assassino serial Jigsaw prova que seu fôlego já foi para o saco há muito tempo. Mataram o protagonista no filme anterior e nem assim ele descansa em paz. John Kramer ainda assombra àqueles que não sabem a dádiva que sua vida é, porém, aqui, o roteiro é absurdamente confuso e cheio de furos como numa colcha gasta. O mesmo adjetivo pode ser usado para a franquia, contudo um quinto filme vem por aí. Nota: 5,5 

"Ratatouille" (Idem, 2007). De Brad Bird

Só o recente "Wall-E" conseguiu chegar perto da graciosidade dessa animação que levou o Oscar da categoria esse ano. A história do ratinho cozinheiro não traz mensagens cebeça como no filme do robô solitário, mas de acordo com os preceitos defendidos durante toda a sua exibição, sabe emocionar e fazer rir, enquanto se vale de imagens belíssimas, sejam da idolatrada Paris, sejam dos pratos incríveis que despertam a fome de qualquer um! Nota: 9

* Filme visto pela primeira vez

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