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Curta

Jorge Furtado, antes de se tornar o ótimo diretor de longas que é, fez seu nome em curtas-metragem absolutamente geniais, a exemplo de "Barbosa" e "O Dia em Que Dorival Encarou a Guarda". Mas, com certeza, o maior deles foi "Ilha das Flores", um misto de denúncia social e ironia sem medida. O filme foi premiado no Festival de Berlim, em 1989, como melhor curta, tornou-se referência e até um pouco clichê ao se falar de Furtado. Contudo, não dá pra ignorá-lo. Aproveitem.

Parte 1 

Parte 2

Crítica: Wall-E

“Wall-E” (Idem, EUA, 2008) é um filme complexo. É uma animação engraçadinha que dialoga com a criançada, mas também uma reflexão muito bonita sobre os sentimentos humanos. Depois de fazer seu filme mais pungente, “Ratatouille”, os estúdios Pixar voltam a acertar em cheio com mais essa produção, única a rivalizar com a história do ratinho cozinheiro.

 

Waste Allocation Load Lifter – Earth-class ou, simplesmente, Wall-E é o único remanescente de sua espécie de robô-lixeiro deixada na Terra após uma crise absurda envolvendo o descarte de lixo em nosso planeta. Não há mais espaço para os humanos, que se refugiam no espaço em transatlânticos voadores, isso, há 700 anos. A vivência solitária do pequeno robô é mostrada pelo filme durante quase toda sua hora inicial. A paisagem desoladora e suja é algo que entra pelos olhos e faz pensar. A sina do pequeno Wall-E, cuja única amiga é uma baratinha, causa pena e uma melancolia ímpar, já que para cada risada despertada há uma cena sobre a solidão do autômato.

 

A curiosidade dele é, em grande parte, o primeiro elo desenvolvido pelo roteiro entre homem e máquina. Observa-se que, através de pequenas lembranças encontradas nas montanhas de lixo, Wall-E cria personalidade própria, bem humana, aguçada ainda mais por uma acabada fita VHS do musical “Hello, Dolly!”, à qual assiste diariamente, gravando suas canções. Nesse primeiro momento, a fita não se utiliza de diálogos e, competentemente, consegue criar uma grande profundidade em seu personagem-título.

A chegada de um semelhante, após séculos, vira do avesso a existência do pequeno e a história ainda consegue reservar surpresas desagradáveis quanto ao futuro da humanidade, com pessoas que se comunicam através de telas de computadores e dependem completamente dos robôs em suas tarefas diárias – algo que torna a todos um bando de obesos sem estrutura óssea decente.

 

Mas como já descrito, aqui há uma obra complexa e é impossível não se afeiçoar com os simpáticos personagens criados pelo roteirista e diretor Andrew Stanton (“Procurando Nemo”). Wall-E é algo meio “E.T.”, de Steven Spielberg, com sua meiguice, e também um transgressor/salvador cheio de inocência, como os melhores heróis criados pelo cinema e literatura. Sua parceira, EVA, fria em sua “diretriz”, muda em contato com o protagonista, e os humanos, ainda que mostrados como bebês cuidados por máquinas, têm o que de melhor as pessoas podem guardar: amor-próprio e compaixão. Da mesma maneira que, com o passar dos anos eles foram esquecendo de sua produtividade, ao ter seus olhos abertos, procuram atingir sua posição de criaturas pensantes e não apenas viventes.

 

Com um recheio desses, o pacote se completa com um visual que só a Pixar consegue atingir, usando o melhor da técnica de computação gráfica que existe atualmente. O resultado, junto a uma direção que (incrível!) põe a câmera como se documentasse os acontecimentos, só poderia ser um dos maiores concorrentes a melhor filme do ano – ainda em julho.

 

Nota: 9

Aléns (?) 36 e 37

Pequena bobeada, mas já foram parar no Cinema e Vídeo, "Agente 86" e "Jogo de Amor em Las Vegas". Confira!

 

Resumo da Semana (7 a 13 jun)

Filmes que vão além de nossas expectativas são o que há!

"O Último Rei da Escócia"* (The Last King of Scotland, 2006). De Kevin Mcdonald

Esse filme ficou muito famoso pelo Oscar que Forest Whitaker levou na pele do ditador Idi Amin, o que é de se fazer justiça. Contudo há muito mais para ser visto, como a direção milimétrica de Kevin Macdonald, o belo trabalho de fotografia de Anthony Dod Mantle, a performance de James McAvoy e o roteiro conciso de Peter Morgan e Jeremy Brock. À medida que mergulhamos na desconstrução de ilusões do médico Nicholas Garrighan a história se tona mais pesada, tensa, enquanto a figura bonachona de Amin vai se transformando no que realmente é: um fraco com poder demais, e por isso perigoso na mesma medida. Nota: 8,5

* Filme visto pela primeira vez

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