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Crítica: Jogo de Amor em Las Vegas

            Quando você entra numa sala para ver um filme do naipe de “Jogo de Amor em Las Vegas (What Happens in Vegas, EUA, 2008) você sabe que não vai encontrar muita coisa, digamos, artística, mas nem assim o espectador médio consegue deixar de ver filmes como esse. Tudo bem, é escapismo, ainda que o máximo proporcionado seja umas risadas e um final feliz previsível.

 

            A velha fórmula do casal que se odeia, mas vai descobrir o amor a certa altura, aqui ganha até certa graça na relação de Jack Fuller (Ashton Kutcher) e Joy McNally (Cameron Diaz). Depois de uma incrível noitada na cidade-título, os dois acabam se casando numa daquelas igrejas onde até Britney Spears já contraiu matrimônio. A ressaca moral na manhã seguinte culmina em briga entre os dois e também numa bolada de 3 milhões ganhos numa máquina caça-níquel. Quem vai ficar com a grana? Ninguém, segundo o juiz que cuida do divórcio dos dois, a menos que eles aprendam a se tolerar durante seis meses.

           O passo seguinte na história é o melhor de “Jogo de Amor”, quando Kutcher e Cameron tratam de se sabotar mutuamente para ver quem pede arrêgo antes. As boas armadilhas e as implicâncias do dia-a-dia são a garantia de que o filme não se perca por inteiro, por que se dependesse do restante do roteiro as coisas não animariam muito. O esquematismo da história é tão evidente que só falta aparecer na história Ato I – Encontro, Ato II – Ódio, Ato III - Amor eterno. Nem os personagens secundários ajudam, sendo nada mais que meros chatos tentando fazer graça - a exceção é o chefe de Joy, vivido por Dennis Farina.

 

            Mas como o primeiro parágrafo dessa crítica já adiantou, todo ano milhares de fitas dessa espécie entram em cartaz e se tratam, sem exceção, de pura fuga, se há uma ou outra piada interessante, melhor. Porém não vá levar a sério ou pôr na lista de seus favoritos, pode ser um pouco embaraçoso.

 

            Nota: 6

Crítica: Agente 86

            Antes de histórias em quadrinhos ou desenhos animados, as séries de TV respondiam por grande parte das adaptações nas grandes telas, só perdendo mesmo para os livros que viravam roteiros. O ritmo com os enlatados diminuiu, mas nem tanto que bons filmes ainda não possam ser produzidos. Caso de “Agente 86” (Get Smart, EUA, 2008), atualização da famosíssima série da década de 1960.

 

            Cunhada para tirar um sarro das produções de James Bond, o seriado foi um tremendo sucesso nas mãos de seus criadores Buck Henry e Mel Brooks – este que, no final daquela mesma década e nos anos de 1970, faria clássicos da comédia como “Primavera para Hitler” e “Banzé no Oeste”. O longa-metragem guarda muito do original, talvez produto da contratação Henry e Brooks como consultores de roteiro.

 

            A história começa com a apresentação do protagonista Maxwell Smart, um dos melhores funcionários internos da CONTROLE, agência criada durante a Guerra Fria para combater as operações da KAOS, equivalente russa tida como grande inimiga vermelha. De tão secreta, a americana se fez passar por desativada após a queda do muro de Berlim para poder trabalhar incógnita, uma vez que os russos do mal continuavam com seus planos perversos.

           Smart, entretanto, tem o sonho de ser um agente de campo, não apenas o certinho que faz relatórios impecáveis que ninguém lê. Eis que sua chance aparece: após um ataque da KAOS, praticamente todos os espiões da CONTROLE são expostos e começam a ser mortos. Atrapalhado, mas bem treinado, ele ganha o codinome Agente 86 e ao lado da Agente 99 irá à luta para desarticular um esquema de roubo de ogivas nucleares.

 

            Da maneira como foi descrito acima, o filme não parece ter tanta graça, mas bastam dois minutos para que as primeiras risadas saiam. Trabalhando num ritmo alucinante de piadas, “Agente 86” só dá um tempo lá pelo seu final, quando excelentes cenas de ação tomam conta da tela, o que pode não agradar há alguns que não estão lá para ver explosões e sim as gargalhadas anteriores. Mas o talento de Steve Carell, escolha das mais acertadas, dá conta de todo o longa, seja nas gracinhas mais absurdas às comicidades mais sutis.

 

O elenco, aliás, não fica atrás nem do bom roteiro. Anne Hathaway, além de linda, serve perfeitamente de escada para o protagonista, só perdendo em destaque para o carismático Dwayne Johnson na pele - e músculos - do Agente 23, a maior estrela da CONTROLE. Alan Arkin volta a trabalhar com Carell depois de “Pequena Miss Sunshine” e chefia a agência com uma atuação séria – até onde isso é possível – e marcante. Enquanto do lado inimigo chama a atenção Ken Davitian (de “Borat”) fazendo um completo paspalho capanga de Terence Stamp, o grande vilão da história – se é que dá pra ter um vilão desse porte na comédia.

 

Ainda com as participações espertas de Bill Murray, um agente que se disfarça em qualquer coisa, e James Caan, o presidente, a fita faz rir de forma muito espontânea, podendo ser visto mesmo por quem não conhece a série – fato que pode até mudar ao ver Smart com seu sapato-telefone na orelha. Originalidade e reverência ao seu original “Agente 86” tem de sobra, ambos com muita competência.

 

Nota: 8

Resumo da Semana (30 jun a 6 jul)

Ainda pendentes três críticas ("Agente 86", "Jogo de Amor em Las Vegas" e "Wall-E"), e com outro inédito em casa.

"Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet"* (Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, EUA/Reino Unido, 2008)

De longe o filme tecnicamente mais apurado de Tim Burton, com fotografia soturna ao extremo, ótimos figurinos, direção de arte fabulosa e bons efeitos especiais. A história de maldade e vingança do barbeiro vivido com primor por Johnny Depp começa um tanto chata, as canções no geral não são tão inspiradas e no início chegam a dar sono - isso quando não irritam. Mas aos poucos a história engrena e o final une o melhor de Burton: ironia, sentimentalismo, horror e a beleza que ele imprime nos lugares menos prováveis. Nota: 8

* Filme visto pela primeira vez

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