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"O Cavaleiro das Trevas" em 5 minutos

Pouca conversa e mais ação, os cinco primeiros minutos de "O Cavaleiro das Trevas".

(Ao Infinito e) Além 35

Hulk esmaga agora o Cinema & Vídeo!

Crítica: O Incrível Hulk

O “Hulk” de Ang Lee foi o sétimo lançamento nos cinemas de um quadrinho da Marvel Comics. A expectativa era muito grande, o sucesso de “X2” no mesmo ano (2003) havia sido estrondoso e o nome do diretor taiwanês dava um peso ainda maior à produção. Foi então que a gigante das HQ’s tomou seu primeiro grande golpe. O longa, sério e contemplativo, dividiu a crítica e desagradou a maior parte do público. Lee investiu no drama em quase toda a primeira metade do filme, chocando aqueles que queriam ver prédios e veículos sendo amassados pelo herói. O resultado final foi a adaptação mais complexa que o cinema de entretenimento já viu – ou não viu, como alguém pode imaginar, já que a bilheteria não agradou a Universal Studios.

 

Cinco anos foi tempo suficiente para que Bruce Banner ganhasse uma repaginada completa. Em “O Incrível Hulk” (The Incredible Hulk, EUA, 2008) sai o introspecto Lee, vem o comandante de espetáculos Louis Leterrier (de “Cão de Briga”), as tragédias ganham menos espaço, a ação comanda e o elenco é todo alterado. Os nomes de Liv Tyler como Betty Ross ou de William Hurt como o General Ross, chamaram a atenção, mas nada fez tanto barulho quanto o anúncio de Edward Norton na pele o cientista que enfurecido se torna Hulk. Nem mesmo a escalação do veterano Tim Roth vivendo Emil Blonsky, que mais tarde torna-se o vilão Abominável, chegou perto da surpresa de Norton como figura central.

 

Os elementos do sucesso infalível estavam montados. Faltava, no entanto, colocar na tela um Hulk mais real do que o trazido em 2003, alvo de muitas reclamações, fossem elas da falta de veracidade da criatura ou pela calça roxa que não arrebentava quando Bruce dobrava ou triplicava seu tamanho. Pode-se dizer que o verde sujo da pele do herói e sua movimentação atestam a missão cumprida pela empresa Rhythm & Blues, que tomou o lugar da Industrial Light & Magic. O verdão desta vez parece ser mais calcado em algo real que nos quadrinhos – veia maior da versão anterior nos cinemas.

Zak Penn, roteirista ao lado do próprio Norton, já põe sua história andando quando o filme se inicia. Apesar de todas as mudanças, é uma escolha acertada não ignorar totalmente a produção anterior, bem recente, ao não recontar as origens dos personagens. Ela é lembrada rapidamente durante os créditos e já se acompanha a busca de Banner pela cura de seu tormento. O lugar escolhido como exílio é o Rio de Janeiro, mais precisamente a favela da Rocinha. Quando é descoberto, volta para os Estados Unidos, reencontra Betty, tem de fugir de seu sogro, que o considera propriedade do exército, e ainda combater Blonsky.

 

A preocupação com o bom elenco reflete os objetivos da Marvel com seus novos projetos, agora como estúdio. Tim Roth é um vilão perfeito: inteligente, ganancioso e nenhum pouco exagerado, derrubado apenas por sua sede grande demais. Edward Norton faz de Banner mais humano, mesmo quando o roteiro o põe para sofrer como numa novela mexicana, seja pela penura de se tornar algo que não controla, seja pelo amor por Betty.

 

Aliás, a falta de momentos verdadeiramente dramáticos para um protagonista que se vê amaldiçoado é uma desvantagem para com o seu predecessor. O máximo que “O Incrível Hulk” consegue é colocá-lo para remoer seu pesar debaixo de chuva e fazer de Liv Tyler uma cópia menos engraçada ou trágica de Ann Darrow, em qualquer das versões de “King Kong”. Algo que só encontra contraponto na divertida cena em que as coisas começam a esquentar entre o casal e a pulsação de Banner sobe.

 

Mas o grande atrativo aqui é mesmo a ação, a escolha de Leterrier mostra o acerto em duas seqüências em particular. A primeira acontece no campus de Harvard, quando Hulk transforma em sucata veículos militares e combate um Blonsky cheio de certa substância que o deixa mais esperto. A segunda cena é a pancadaria promovida novamente entre o herói e o antagonista nas ruas de Nova York. Diferentemente do que aconteceu com “Homem de Ferro”, o duelo final entre os lados opostos é vigoroso e complicado o bastante. Agora é esperar que o caminho do gigante escondido na raiva do cientista trilhe um caminho menos árduo nos cinemas daqui pra frente.

 

Nota: 8

Além 34 - mais além dessa vez

O mundo também parece chega ao fim no Cinema & Video, que está de cara nova e acaba de virar Revista - com minha participação, claro. Confira.

Resumo da Semana (23 a 29 jun)

Cinemas francês, japonês e norte-americano.

"Zatoichi"* (Idem, 2003). De Takeshi Kitano

Kitano não menos violento e explorando um personagem símbolo dos filmes de ronin no Japão. Ele se sai moderadamente bem ao criar belas cenas de combate e algumas boas histórias que orbitam a de seu personagem-título. O roteiro, no entanto, não é dos mais coerentes, chegando a confundir quem o acompanha. Agora, estranho mesmo são as danças no final do longa, pretensamente explicadas por um festival, alguém entendeu aquilo? Além de não ter absolutamente nada a ver com o resto do longa, o número de sapateado ainda mina a seriedade das últimas cenas, que marcam uma reviravolta na trama. Nota: 7

"Os 12 Macacos" (12 Monkeys, 1995). De Terry Gilliam

Esse filme baseado no curta "La Jetée" tem as melhores características de Gilliam, com seu olhar bizarro sobre um futuro desolador, mas deve ser visto de duas formas. Em comparação direta ao filme francês o qual reimagina, não passa de um roteiro enganador que tenta esticar ao máximo a história que no original não tinha nem 30 minutos. Já visto por si só, a produção de Gilliam ganha em paranóia, loucura e estilo, com atuações brilhantes e momentos de apuro visual incríveis. Nota: 8

"La Jetée" (Idem, 1962). de Chris Marker

Ao invés de falar de novo desse filme que vi há poucos meses, trago ele para vocês (sem legendas). Nota: 9,5

* Filme visto pela primeira vez

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