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Crítica: Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

            Alguns personagens, em pouco tempo, vêem suas figuras se tornarem míticas no cinema. Nomes como Tony Montana (“Scarface”) ou mesmo John Rambo (“Programado para Matar”) ficaram maiores que seus próprios filmes, ganharam uma couraça e um pedestal - para o bem ou para o mal. O primeiro deu uma persona definitiva a Al Pacino, o segundo virou emblema da política norte-americana dos anos de 1980. Esse, aliás, foi revisitado recentemente por Sylvester Stallone e desagradou a muitos. Fato que pode aproximar o ex-boina verde de um dos maiores símbolos dos filmes de aventura. “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” (Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull, EUA, 2008) é o retorno do famoso arqueólogo que estreou em 1981 nas grandes telas e vem completar sua saga quase 20 anos após sua última cruzada.

 

            Pode até ser um exagero comparar essa boa produção com a lambança aprontada por Stallone para retomar seu personagem mais notório, afinal Dr. Jones volta num filme com boa dose de ação, o sarcasmo de sempre e uma história que dá a seu público quase tudo a que se propõe. Aquilo que mais aproxima os dois heróis, entretanto, é seu regresso após tantos anos sem darem as caras e suas motivações. Stallone já havia trazido de volta o boxeador Rocky Balboa e o trio George Lucas, Steven Spielberg e Harrison Ford deixaram-se levar pela onda de retomadas/refilmagens que há alguns anos tomou Hollywood – e a melhor desculpa para isso é a de que eles vinham ensaiando essa volta há muito tempo, mas nunca chegavam a um acordo.

 

            O caso é que, entre tantos espécimes com cheiro de naftalina sendo revisitados – alguém inclua também o policial duro de matar, John McClane -, Indy é um dos que volta em melhor forma apesar do seu intérprete sexagenário. O filme se passa em 1957, 19 anos após a busca pelo cálice sagrado levada a cabo pelo arqueólogo e seu pai. Agora Jones se vê às voltas com a estranha história de um crânio de cristal e o desaparecimento do amigo Oxley (John Hurt). Coloque no caldeirão um jovem motoqueiro (Shia LaBeouf) que busca a ajuda de Indiana para salvar sua mãe (Karen Allen), os vilões soviéticos durante a Guerra Fria e, claro, a idade do protagonista. Tudo vai convergir numa busca insana, em meio à Amazônia peruana, para a explicação da origem do artefato que dá título à fita.

            A trama de “O Reino da Caveira de Cristal” tem um toque de produção B, muito popular durante a década na qual o filme se passa. Fala de seres de outro planeta, paranormalidade e avança por caminhos desconhecidos e tumbas antigas. É Indiana Jones bem inserido em seu contexto, ainda que seu roteiro dê voltas demais para revelar um segredo que está na cara de qualquer um que assista aos primeiros 30 minutos. Com o agravante de que isso faz o filme parecer se levar a sério demais, o que nunca foi a tônica dos capítulos anteriores, extremamente leves.

 

            Por falar em defeitos, o filme começa a deixá-los claros a partir da chegada à floresta. É na grande perseguição pela Amazônia que duas seqüências constrangedoras começam a minar pra valer “O Reino”. Primeiro o personagem de Shia LaBeouf acaba preso em alguns cipós, algo que não lhe impede de ir à frente em sua briga pela caveira de cristal contra a oficial soviética vivida por Cate Blanchett. Todo enrolado, instantaneamente, ele aprende a voar por entre as árvores usando os cipós no melhor estilo Tarzan. Em seguida, todos os envolvidos nessa disputa têm de se livrar de uma horda de formigas vermelhas que atacam quem estiver na frente, inclusive levando o descuidado para o seu formigueiro gigante. De corar.

 

            Com o desfecho chegando, só não há frustração porque Henry Jones Jr. continua ultra-carismático e por mais que sua nova incursão seja do tipo “muito barulho por pouco”, a nostalgia faz seu papel incrivelmente bem, mesmo ao perceber as (muitas) rugas do herói. O que poderia ter sido o grande problema da volta de Indy acabou bem contornado, até não incomoda. O roteirista David Koepp parece ter se esquecido que, solucionada aquela questão, escrever um roteiro à altura de seus predecessores deveria ser o tópico número um. Digamos que estamos diante de um Indiana Jones com uma pontinha de reumatismo, mas que ainda tem o que ensinar em campo.

 

             Nota: 7,5

Coffin Joe

"Pensam que estou vencido, enfraquecido pelo tempo?"

Zé Voltou

Além 32

Speed também corre pelas pistas do Cinema e Vídeo.

 

Resumo da Semana (26 mai a 1º jun)

Tio Indy nas grandes telas e mais DVDs...

"Mandando Bala"* (Shoot 'Em Up, 2007). De Michael Davis


"Carga Explosiva" fez escola. O filme mudou (para melhor) as direções de filmes de ação descerebrados. Basicamente caprichou nas seqüências de pancadaria, tiros e perseguições de carros, deixando-as ainda mais complexas, e acrescentou um extra de maldade, cinismo e exagero descarado, além de risos a gosto. Tudo com um trilha sonora escolhida a dedo. "Mandando Bala" não chega a ser tão inspirado quanto um "Adrenalina", mas diverte com seus tiroteios e as frases de efeito soltas por Clive Owen e Paul Giamatti. Monica Bellucci, como uma prostituta lactante, não faz muita coisa além de ser a beldade em cena. Diversão bacana com zero de compromisso. Nota: 7

"Lilo & Stitch" (Idem, 2002). De Chris Sanders e Dean DeBlois


Esse é aquele tipo de filme que vejo freqüentemente, sei de cór sua história e mesmo assim não deixo de me emocionar ao revê-lo. A Disney acertou a mão na criação dos protagonistas dessa aventura singela, cheia de lições sobre família que mesmo resvalando no piegas, não deixa de ser tocante - além de muitíssimo divertido. Vale ressaltar que um personagem um tanto menos certinho que o comum do estúdio só existe por causa do ogro Shrek, que deu outras coordenadas às animações mainstream. Nota: 8

* Filme visto pela primeira vez

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