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Crítica: Imagens de Além

O óbvio diz que as refilmagens podem tanto ser melhores que seus originais, quanto mais fracas. No caso de “Imagens do Além” (Shutter, EUA, 2008), porém, é possível criar uma terceira categoria: a daquelas “reimaginações” tão insossas que quase não fazem quem as vê emitir juízos sobre elas. Quase.         

 

O filme reconta a história de “Espíritos – A Morte Está ao seu Lado”, sucesso tailandês de 2004 que versava sobre casal que atropela garota numa estrada e depois se vê às voltas com estranhas aparições em suas fotos, além de mortes que, julgam, estarem ligadas ao acidente. O original de Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom já não era exatamente uma fita excelente, forçava mais um pouco na moda das garotas orientais de cabelo na cara, mas assustava por algumas soluções que tirava da cartola. “Imagens do Além”, para quem já viu aquele, então, passa a ser uma recontagem do enredo quase cena a cena, o que muitas vezes causa grande sonolência.

Beira o absurdo a falta de originalidade norte-americana na hora de criar filmes de terror. Quando não passa pelo filão das refilmagens, o que o público tem para consumir são fitas gráficas que os anestesiam pela violência, clichês diversos sendo costurados em retalhos de roteiro ou continuações que não dão em nada. Pode ser exagero dizer que foi-se o tempo em que grandes diretores como Roman Polanski e Stanley Kubrick criavam clássicos do medo, entretanto anda cada vez mais difícil vislumbrar obras que pelo menos se aproximem de um “O Iluminado” ou “O Bebê de Rosemary”, ante a tantas notícias de que terrores de 20 anos atrás voltarão às telas.

 

“Imagens do Além” é o tipo de produção na qual se guarda uma curiosidade mórbida. Não pelo mal que irá mostrar, e sim para acompanhar até onde Hollywood vai para conseguir faturar algum. Dessa vez, protagonistas americanos – Joshua Jackson e Rachel Taylor - estão em meio a uma equipe cheia de japoneses, incluindo diretor e antagonista – respectivamente, Masayuki Ochiai e Megumi Okina. O detalhe é que a questão geográfica vem se tornando cada vez menos relevante. O “onde” de algumas frases atrás se refere mais a com o que o gênero vem sofrendo do que de qual local vem sua “inspiração”.

 

Nota: 6 

W

Há algumas semanas falava do cast de "W", cinebiografia de George W. Bush dirigida por Oliver Stone, e de como o elenco foi escolhido sem qualquer medo de pôr os personagens reais mais bonitões na tela. Eis que a Enterteinement Weekly solta as primeiras imagens de Josh Brolin ("Onde os Fracos Não têm Vez") na pele do presidente americano. E na capa como vocês podem conferir abaixo. Ao lado dele, Elizabeth Banks como a primeira dama mais poderosa do mundio, Laura Bush.

Esperemos pra ver como Thandie Newton se tornará Condoleezza Rice.


Comentários de Última Hora: Clique aqui e leia uma matéria minha inspirada na escolha do enlenco de "W".

Além 30!

Concomitantemente, Stark aporta no Cinema e Vídeo.

Crítica: Homem de Ferro

            Há um elo entre as adaptações de quadrinhos mais bem sucedidas, e não se trata da moda de tirá-los do papel e levar para a grande tela. Entre a Trilogia “X-Men”, “Batman Begins”, “Homem-Aranha” e até em “V de Vingança” a preocupação com o elenco faz grande diferença na hora de avaliar os pontos positivos de cada um deles. Nesse sentido, a opção pelo ator ou atriz que irá a frente de todos é de extrema importância, e a escolha dos nomes Hugh Jackman, Christian Bale, Tobey Maguire e Hugo Weaving ao lado de Natalie Portman foram fundamentais àquelas transposições. Não por coincidência, uma das maiores atrações de “Homem de Ferro” (Iron Man, EUA, 2008) é o seu ponteiro, Robert Downey Jr.

 

            De alternativa estranha a dono de uma das melhores atuações dentre as tantas adaptações de HQ’s, Downey Jr. conduz bem o expectador por entre os sentimentos conflitantes de Tony Stark, dono de uma fortuna construída através de suas indústrias bélicas. Genial, sarcástico e playboy assumido, Tony, no entanto, muda sua perspectiva de vida após ser seqüestrado e quase morrer nas mãos de terroristas afegãos que até então eram compradores (ainda que escusos) das armas que a Stark Industries construía para “proteger” e “garantir” os interesses de seu país pelo globo. Sua fuga do cativeiro culmina na construção do primeiro modelo da armadura que irá lhe dar o título heróico de Homem de Ferro.

 

            Evidentemente o ator não levaria um filme desse porte sozinho nas costas, tem como aliado um bom roteiro e direção precisa. O que também ajuda outros exemplares do sub-gênero a se darem bem – quando isso não acontece nasce um “Superman – O Retorno”, de roteiro mediano e protagonista idem. Chama muito a atenção em “Homem de Ferro”, o bom-humor e acidez de algumas piadas, demonstrando a tranqüilidade de Jon Favreau (“Zathura”) na direção ao gerir um blockbuster cujo grande objetivo é o de contar uma história divertida e faturar. Algo que não impede os quatro roteiristas - Mark Fergus, Hawk Ostby, Art Marcum e Matt Holloway – de darem uma conotação política ao herói, fazendo clara referência aos talibãs, que na Guerra Fria receberam armas dos Estados Unidos para a expulsão dos soviéticos do Afeganistão e que hoje se voltam contra os yankess.

            Esse é o primeiro longa-metragem da Marvel como produtora independente. Até aqui, seus personagens tinham os direitos vendidos a grandes estúdios e a casa entrava como parceira na criação do filme. Daqui pra frente a coisa toma nova forma. Empresas como a Fox, Warner e Universal terão de se coçar e procurar super-heróis em outros terreiros. Em “Homem de Ferro” nota-se a preocupação da Marvel em desenvolver sua cria de maneira bem redonda, dosando humor, drama, romance e ação para garantir a continuidade da série. Mas se a produção tem um defeito, ele está no volume de cenas de ação. Se as primeiras aparições de Stark em sua armadura vermelha e amarela causam furor, não se pode dizer o mesmo de seu combate final contra o Monge de Ferro. Com o agravante de todas as seqüências serem um tanto mais rápidas do que se espera.

 

            Para contrabalancear o problema, os efeitos especiais enchem os olhos, impressionando pela complexidade na concepção da armadura de ouro e titânio – mas o “de Ferro” é marcante, como salienta Stark. O time por trás de Downey Jr. também marca, com Jeff Bridges e Gwyneth Paltrow em destaque. O primeiro, como Obadiah Stane, cria um vilão não-caricato, apesar de algumas falas clichês, e a segunda mostra descontração vivendo a assistente-exemplo Pepper Pots, apesar de mostrar algumas limitações. O único incontestável é mesmo Robert Downey Jr., que deve ter pela frente um concorrente e tanto na atuação de Heath Ledger como Coringa em “The Dark Kinght”, da concorrente Dc Comics.

 

             Nota: 8,5


Comentários de Última Hora: Não saia da sala antes que subam todos os créditos, há uma importante cena escondida. Quem conhece de quadrinhos vai curtir.

Resumo da Semana (28 abr a 4 mai)

Feriado ajudando, semana um pouco acima da média. "Imagens do Além" e "Homem de Ferro" foram os de cinema.

"[REC]" (Idem, 2007). De Jaume Balagueró e Paco Plaza

Revi esse terror de primeira que mostra como a forma pode reinventar o conteúdo. A história de zumbis mostrada através das câmeras em primeira pessoa, aqui, funciona tão assustadoramente quanto em seu precurssor máximo, "A Bruxa de Blair". É bem verdade que o longa carece em seu miolo, do ritmo forte que possui nos minutos inciais e finais, mas o medo e a tensão estão lá. Nada de data de chegada ao Brasil, como disse meses atrás. Nota: 8

"Pink Floyd The Wall" (Idem, 1982). De Alan Parker

Se Scorsese foi parcialmente feliz com "Shine a Light", Alan Parker, em 1982, conseguiu aquele que pode ser o mais poderoso filme baseado na obra de um grupo de rock. Advindo do disco homônimo do conjunto inglês Pink Floyd, o diretror cria imagens de uma beleza e força ímpares. Imersas em músicas como "Comfortably Numb", "Another Brick in the Wall" ou "Mother", as tomadas vão formando um desfile, ao mesmo tempo, bizarro e envolvente para contar a descida ao inferno pscicológico do protagonista Pink. Nota: 9

"Penélope"* (Idem, 2006). De Mark Palansky

Sabe aquele filme simpático que vai te ganhando aos poucos? "Penélope" é assim. Seu roteiro não reinventa a roda, mas sabe ser menos previsível que se pensa. Mesmo que suas soluções acabem em lugares comuns, a história da menina com nariz de porco é um conto de fadas moderno, bonito plasticamente e cuja protagonista é muito carismática, além de extremamente bem interpretada por Christina Ricci. Produzido há dois anos, só agora chega ao Brasil e direto nas locadoras. Merecia mais, porém já ganha uma recomendação. Nota: 7,5

* Filme visto pela primeira vez

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