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Além 29

E as pedras também rolam no Cinema e Vídeo

Crítica: Rolling Stones - Shine a Light

Martin Scorsese realizou “Rolling Stones – Shine a Light” (Shine a Light, EUA/Reino Unido, 2008) não com o detalhamento de “No Direction Home” sobre Bob Dylan, mas parece querer registrar a longevidade de um grupo com mais de quatro décadas de estrada que, inclusive, tem outros dois outros documentários históricos sobre si – “Gimme Shelter”, de 1970, e “Sympathy for the Devil”, de 1968.

 

Longe de ser rico em informações ou fatos inusitados sobre Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Ron Wood, o grande trunfo do diretor na empreitada são os próprios registrados, com sua energia e música inconfundível, ajudados por uma incrível parafernália montada para as filmagens que resultam, aos que estão na poltrona, numa visão quase tão privilegiada quanto a dos que presenciaram o show ao vivo. Não é pra menos, Scorsese comandou um time de estrelas da fotografia durante as filmagens. Robert Richardson, vencedor de dois Oscars por “O Aviador” e “JFK”, encabeça a lista com nomes do quilate de Stuart Dryburgh (“O Piano”), Robert Elswit (“Boa Noite, e Boa Sorte”), Andrew Lesnie (Trilogia “O Senhor dos Anéis”) e Emmanuel Lubezki (“A Princesinha”), todos com, no mínimo, uma indicação da Academia.

Estruturalmente, “Shine a Light” lembra muito “O Último Concerto de Rock”, de 1978, também de Scorsese, no qual o cineasta registra as últimas apresentações do The Band, entrecortadas por depoimentos de seus integrantes sobre a carreira. E é na comparação entre os dois projetos que o mais recente mostra fragilidades. No final da década de 1970, acompanham o Band em sua jornada final, Neil Young, Eric Clapton, Joni Mitchell, Muddy Waters, Bob Dylan, Van Morrison e vários outros músicos de primeiríssima linha, o que somado ao foco do documentário – o fim de uma grande banda -, dá real importância ao registro. Contudo, e apesar da grandiosidade dos Stones para a música como um todo, esse novo filme carece de sentido. OK guardar em película um dos conjuntos mais notórios de todos os tempos, 46 anos depois de sua formação, deixando para história a sua longevidade e música. Por que, então, não dar mais espaço para as imagens de arquivo, algo que estica o horizonte daqueles homens-símbolo do rock e engrandece a fita toda vez que postos na tela?

 

Ninguém pode negar que a forma aqui foi privilegiada. Tanto que o único conflito que se vê na tela é o de Mick Jagger e Martin Scorsese quanto ao palco criado para as apresentações em Nova Iorque e sobre o set list para as filmagens. O que não deixa de ser divertido, ainda que as pendengas durem poucos minutos antes dos Rolling Stones subirem ao palco. E aí, já ao som de “Jumpin’ Jack Flash”, o melhor a se fazer é curtir o desfile de clássicos que compõe o repertório da banda. O destaque, nesse caso, fica para a participação de Buddy Guy levando “Champagne & Reefer” com seu vozeirão - ponto alto do longa. Jack White, do White Stripes, em “Loving Cup” e Christina Aguilera em “Live With Me”, ainda dão as caras para cantarem ao lado de Jagger. Não fazem feio, nem nada de extraordinário.

 

Nota: 7,5

Cannes brasileira

Muitos davam como certa a abertura do 61º Festival de Cannes com "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal". Mas eis que surge Fernando Meirelles e seu "Blindness" deixando Steven Spielberg e George Lucas para trás. Conforme confimou ao site Cinema em Cena, o diretor brasileiro leva sua adaptação do livro "Ensaio Sobre a Cegueira", de José Saramago, no dia 14 de maio à França para mostrar primeiro na badalada premiação.

Com Walter Salles na competição pela Palma de Ouro e outros dois longas nacionais em disputas paralelas, quem sabe não dá Brasil depois de 46 anos desde a vitória de "O Pagador de Promessas". 

Além 28

O filme pode ser ruim, mas os carros são rápidos e já estão no Cinema e Vídeo.

Resumo da Semana (21 a 27 de abr)

Alguém aí também assiste à Sessão de Sábado? Ainda essa semana crítica de "Rolling Stones - Shine a Light".

"Estrada Para Perdição" (Road to Perdition, 2004). De Sam Mendes

Após ter vencido o Oscar logo em sua estréia na telona ("Beleza Americana"), Sam Mendes comandou a adaptação de uma graphic novel de forma muito segura e tendo como ótimo resultado esse filme tão bonito esteticamente quanto em sua temática. Tom Hanks sai de seu tipo bonzinho e/ou carismático ao lado de Paul Newman em sua última indicação ao Oscar. Nota: 8,5

"Capitão Ron - O Louco Lobo dos Mares"* (Capitain Ron, 1992). De Thom Eberhardt

Como tantos outros, aqui há um filme que começa bem, cheio de boas piadas, mas que perde fôlego conforme os minutos se passam. Enquanto Kurt Russell vai perdendo espaço o longa vai se desfazendo de sua platéia. Situações que de início eram verdadeiramente engraçadas são deixadas de lado, cedendo lugar ao óbvio. Nota: 6

"Encantada"* (Encantada, 2007). De Kevin Lima

Em 2005 Amy Adams despontou no mundo do cinema com sua personagem (e a indicação ao Oscar) de "Retratos de Família". Dessa vez ela consolida sua carreira com esse sucesso de bilheteria muito bem-vindo. Com a Disney satirizando suas próprias crias, "Encantanda" consegue atrair tanto o público infantil quanto os seus pais e irmãos mais velhos. Boa história aliada a atuações sensacionais, com destaque para Amy, claro. Nota: 7,5

* Filme visto pela primeira vez

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