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Além 27

Daniel Plainview chega ao Cinema e Vídeo para exploração.

Preferências

Agora que vi todos os filmes que concorreram ao Oscar desse ano, queria deixar registrado o meu ranking de preferências, mesmo dois meses da entrega do prêmio - nada como ter um atraso monumental na chegada de filmes na cidade onde reside, no meu caso Uberlândia - MG. Aí vão eles:

  1. Sangue Negro Nota: 9
  2. Desejo e Reparação Nota: 9
  3. Onde os Fracos Não Têm Vez Nota: 8,5
  4. Juno Nota: 8,5
  5. Conduta de Risco Nota: 8

Justificativas: Por mais injusto que eu possa achar a entrega do Oscar de Melhor Filme a "Onde os Fracos Não Têm Vez", não nego que o prêmio está em excelenets mãos, afinal, todos os filmes estão muitíssimo acima da média, com roteiros de primeira e atuações no mesmo padrão. Mas acho "Sangue Negro" um quê acima de "Desejo e Reparação" - talvez tematicamente -  e os dois são trabalhos, na minha opinião, mais completos no sentido de sugar a platéia para dentro da história, enquanto que o longa dos irmão Coen tratam da violência e de nossos tempos tortuosos de uma forma um pouco mais afastada, ainda que executem isso genialmente. Deixando claro, também, que "Zodíaco" deveria ter estado no páreo.

Já em relação a "Juno" e "Conduta de Risco" são filmões que descolaram uma posição no Oscar. Acho o primeiro mais interessante por oscilar menos em seu ritmo, sendo o segundo de início e finais muito mais pesados, tanto estilisticamente quanto em suas atuações, que em seu desenvolvimento.

Pronto, agora posso ser crucificado.

Crítica: Sangue Negro

            Um ponto de tangência entre dois dos melhores filmes a estrear nos cinemas brasileiros em 2008 é uma trilha sonora primorosa, caso de “Desejo e Reparação” e “Sangue Negro” (There Will Be Blood, EUA, 2007). O primeiro encontra o equilíbrio na fusão de elementos sonoros de cena com as belas composições de Dario Marianelli, já na nova empreitada de Paul Thomas Anderson, o destaque está na estranha e ao mesmo tempo instigante música de Jonny Greenwood, guitarrista do Radiohead.

 

            Não à toa, o sentimento das seqüências emolduradas pelos acordes dos dois compositores potencializa-se, exprimindo o máximo de sua urgência, amargor, grandeza e genialidade. A abertura de “Sangue Negro”, então, torna-se algo impressionante. Contando com uma rápida intervenção da música de Greenwood, os aproximadamente 20 minutos iniciais são silenciosos e ditados pala atmosfera criada pela paisagem inóspita e pela trilha tão curta ali, quanto forte.

 

            Mas a música não é a única responsável pelo êxito da fita. Além da direção milimétrica de Anderson, que cria planos crus e pungentes, Daniel Day-Lewis é uma força em cena. Não há um take sequer em que ele mostre um trabalho abaixo do impecável. Da insanidade de seus momentos mais perturbadores às cenas em que seu duro personagem deixa escapar alguns dos sentimentos mais recalcados, sua presença é digna de todos os prêmios que colecionou mundo afora.    

            Paul Thomas Anderson se afasta um pouco do seu estilo Roberto Altman visto em “Magnólia”, aproxima-se de um tom mais kubrickiano e deixa suas marcas na adaptação do romance “Oil!” de Upton Sinclair sobre o prospector Daniel Plainview (Day-Lewis), que segue sua história fazendo fortuna através do petróleo, passando como um rolo compressor por quem se mete à frente. Sua esperteza em se adaptar a qualquer situação, só parece ter reflexos de culpa quando o assunto é seu filho adotivo, H.W. Nem mesmo o jovem pastor Eli Sunday, interpretado vigorosamente por Paul Dano, parece preocupar muito Daniel. Ele sabe da influência do líder religioso em meio à comunidade na qual perfura poços, mas também tem conhecimento daquilo que o seu poder lhe concede.

 

            O filme lembra a história solitária e perversa do romance “São Bernardo” de Graciliano Ramos, no qual seu protagonista, Paulo Honório, ascende sem qualquer ética, porém o diretor põe na tela um final muito mais sacana e cínico. Ao que parece, Daniel atinge seu objetivo máximo: ganhar a quantidade de dinheiro que lhe conceda o privilégio de estar afastado das pessoas, que ele confessa odiar.

 

              Nota: 9

Resumo da Semana (7 a 13 de abr)

Sem o Madman para me entreter, volta o bom e velho cinema:

"Bill & Tedd -  Dois Loucos Soltos no Tempo" (Bill & Tedd's Bogus Journey, 1991). De Peter Hewitt

No caminho para se tornar um dos maiores astros de Hollywood, Keanu Reeves fez essa ótima comédia sobre o além-túmulo, adolescentes bobocas, viagens no tempo e temas diversos envolvendo o rock 'n roll. Divertido, absurdo e com boa dose de originalidade, até nas sátiras. Nota: 8

"Desejo de Matar"* (Death Wish, 1974). De Michael Winner

Antes de virar paródia de si mesmo, "Desejo de Matar" traz um anti-herói que combate o crime de maneira suja e realística depois que a violência chega à sua casa. Charles Bronson num de seus papéis mais conhecidos, que inclusive faz menção aos tantos westerns em que atuou, sendo o longa também, uma espécie de faroeste atualizado. Perde pontos por trazer uma cena a mais em seu final tentando dar clímax ao que foi interessante justamente por não ser um espetáculo. Nota: 8

"Um Cão Andaluz"* (Un Chien Andalou, 1929). De Luis Buñuel

A pouco a se dizer sobre um filme feito para não fazer qualquer sentido. Na verdade o objetivo de Buñuel, ao lado de Salavdor Dalí, era o de chocar e trazer imagens sonhadas à realidade, e aí os dois artistas surrealistas conseguem resultados dificilmente igualados. Uma série de sequências incríveis são desfiladas pelos 16 minutos do curta-metragem. É bizarro, perturbador e impossível de tirar os olhos. Nota: 8,5

"O Guia do Mochileiro das Galáxias" (The Hitchhiker's Guide to the Galaxy, 2005). De Garth Jennings

Essa ótima adaptação do livro de Douglas Adams vence muito pelas suas soluções, ao levar para as telas um romance tão complexo e cheio de referências. Fora a escolha certeira do elenco, cujo destaque nem é o ótimo Martin Freeman como o protagonista Arthur, e sim o Presidente da Galáxia, Zaphod, na pele de Sam Rockwell. O filme tem o espírito de sua obra inspiradora e só peca na quantidade de informações que, às vezes, saturam a tela. Nota: 8,5

* Filme visto pela primeira vez

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