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Além 26

Quase que instantaneamente a maldição do Cinefilia foi parar no Cinema e Vídeo.

Crítica: O Orfanato

            Sejam em pastiches que reciclam os vários clichês do gênero, sejam em filmes verdadeiramente medonhos, as casas mal-assombradas são sempre um prato cheio para o terror. O não indicado representante da Espanha para a disputa do Oscar desse ano, “O Orfanato” (El Orfanato, México/Espanha, 2007), trata exatamente desse tipo de residência, e ainda que tenha certa falta de ritmo, ocupa facilmente um lugar naquele segundo grupo ao saber jogar seus elementos mais arrepiantes sem a gratuidade de terrores baratos.

 

            Laura (Belén Rueda) viveu num orfanato boa parte da infância, hoje, porém, é uma mulher com recursos suficientes para ajudar a crianças com necessidades especiais no mesmo casarão que passou seus primeiros anos. Depois da desativação da instituição, ela e seu marido compraram o imóvel e o preparam para a acolhida daqueles jovens. Seu pequeno filho Simón (Roger Príncep), como é normal na sua idade, preocupa-se mais em brincar que com o que os pais vêm preparando. Talvez pela falta de garotos de sua idade junto à família ou um processo que passará com os anos, Simón brinca apenas com dois amigos imaginários, fato que não preocupa os pais, afinal, a chegada de várias crianças possa ser algo positivo ao filho. Antes disso, no entanto, ele começa a relatar que fez novos amigos invisíveis, sendo o mais próximo um certo Tomás. Como de praxe no gênero, algo estranho acaba catalisando uma história macabra, o que não será diferente em “O Orfanato”.

            É uma pena, então, que um argumento com tal potencial perca tantos pontos através da narrativa oscilante do diretor Juan Antonio Bayona. Ao contrário do que acontece, por exemplo, com “Os Outros”, o diretor não consegue imprimir o clima angustiante de suas melhores cenas no resto da película. Apesar de criar a atmosfera certa, a opção de investir pesado no drama causa certa sonolência no desenrolar da história. Lembra as escolhas de Walter Salles para o remake de “Água Negra” - um filme bem menos apreciado que o de Bayona, é bom ressaltar.

 

            Tanto assim que colocando todos os aspectos de “O Orfanato” numa balança, os acertos acabam prevalecendo. Seu refinamento técnico é enorme, sem a boa direção de arte, fotografia e, principalmente, a edição de som o longa se tornaria coxo. Nem mesmo os momentos de maior inspiração, a exemplo das cenas finais, teriam qualquer impacto sem essa retaguarda. Incluindo aí a boa atuação de Belén Rueda na pele de Laura, uma espécie Diane Freeling (a mãe de “Poltergeist”).

                       

            Ao fazer um paralelo entre seu conto de terror e a história de Peter Pan, o roteirista Sergio G. Sánchez mostra bons instintos em criar um desfecho aflitivo e dúbio na forma de filmar do diretor – que, inconstante, insiste em uma tomada a mais, desnecessária.

 

            Nota: 7,5

Posteridade

Jared Leto foi, de verdade, sinônimo de apenas um filme muito bom, "Réquiem para um Sonho". Boas produções como "O Quarto do Pânico" ou "O Senhor das Armas" tinham ele até com certo destaque no elenco, contudo devem seu sucesso a outros atores, roteiro ou direção.

Pode ser que Leto volte a fazer o mesmo barulho que no filme de Darren Aronofsky, em 2000. É que o também vocalista da banda emo 30 Seconds to Mars se enfeiou e voltou a trabalhar com um diretor fora do mainstream sobre um tema polêmico. Ele viverá Mark Chapman, o assassino de John Lennon, em "Chapter 27", e a julgar pelo pôster do longa, os 30 quilos que ele teve de engordar farão diferença na hora de vê-lo na tela - olhe que nem estou falando de suas medidas.

Não à toa trago o cartaz para o Posteridade. Mais bizarro que propriamente original, só de colocar o galãzinho da maneira como vêem abaixo, o longa-metragem já ganha pontos - além de ser uma propaganda e tanto, claro.


Comentários de Última Hora: No elenco ainda estará (a bonitinha, mas ordinária) Lindsay Lohan. O que esperar de "Chapter 27"? Um filme que põe para interpretar John Lennon um cara chamado Mark Lindsay Chapman é no mínimo uma piada de humor muito negro.

Resumo da Semana (17 a 23 mar)

Semana na média, três em casa e "O Orfanato" no cinema:

"Rambo - Programado para Matar" (First Blood, 1982). De Ted Kotcheff

Diferentemente do que aconteceu com o último filme de Rambo, sua estréia foi um acerto ao mesclar ação pesada com drama real. Stallone tem uma atuação que não lhe exige muito, mas mesmo na apatia de seu rosto durante quase todo o longa é possível perceber algo além dos músculos, principalmente nos minutos finais quando revela sua emoção. Nota: 8 

"The Doors"* (Idem, 1991). De Oliver Stone

Para entender a onda de cinebiografias de grandes nomes da música como Johnny Cash e Edith Piaf, esse filme de Oliver Stone é essencial. Além de seu estilo ser dos mais ousados, traz a melhor atuação do tipo até hoje. Val Kilmer parece estar possuído pelo espírito de Morrison e, ao contrário do que tem acontecido aos intérpretes dos músicos, ele não recebeu nenhum prêmio notório sequer. Injustiça pouca é bobagem. Nota: 9

"Eu, Christiane F., 13 anos, Drogada e Prostituída" (Christiane F. - Wir Kinder vom Bahnhof Zoo, 1981). De Uli Edel

Sabe quando a crítica diz que o filme retrata uma realidade ou uma época? Pois bem, aqui está um dos maiores exemplos desse tipo de recorte histórico. Pesando a mão na fotografia escura, o filme vai afundo na história da garota alemã que dá título ao longa. Muitas produções sobre drogas e a perda da juventude já foram feitas, poucas chegam perto da crueza e desespero dessa. Nota: 9

* Filme visto pela primeira vez

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