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Rambo em Números

Eu não sei de qual veículo é essa estatística (update: do Los Angeles Times) sobre os filmes do Rambo, mas me parece bem coerente. No mais, se for tudo uma brincadeira, dá pra rolar umas risadas, além de provar a descendente do personagem de Stallone. Triste e ao mesmo tempo engraçado. Clique para ampliar.

Crítica: Rambo IV

            Ao final dos rapidíssimos 90 minutos de “Rambo IV” (Rambo, Alemanha/EUA, 2008) fica até difícil emitir uma opinião relevante em relação ao filme. O motivo é bem simples: ausência total de complexidade.

           

            Se um filme de ação se propõe a ir além das meras cenas de correria, é de se respeitar e tentar entender o que seu autor quer passar. Em 1982, “Rambo – Programado para Matar” conseguiu a façanha: era eletrizante ao mesmo tempo em que tinha drama suficiente para aproximar-se da platéia.

 

            Mas esse não é o caso de “Rambo IV”. Não que ele não tente, em vários momentos Stallone, diretor e co-roteirista ao lado de Art Monterastelli, cria dilemas para o herói ou aflora lembranças nele, o que, ao contrário do ótimo retorno de Rocky Balboa há dois anos, não cria qualquer tridimensionalidade ao personagem. 

            Assim, ao pôr John Rambo isolado do mundo e fazê-lo entrar como um super-homem em mais um conflito, não há discurso bonito e/ou amargo que crie empatia ao ex-boina verde. Dessa vez, sua missão será resgatar um grupo norte-americano que vai até a antiga Birmânia (hoje Mianmar) com o intuito de ajudar as vítimas da guerra civil que há décadas assola o país.

            Não há dúvida que o astro tentou fazer algo bom com seu personagem mais notório. Ele vinha de um acerto no tom de “Rocky Balboa” e nem a sua idade avançada evidente atrapalhou tanto. O problema é que em meio às boas intenções ele se lembrou de que ali estava um filme de ação antes de tudo, e imaginou que espalhando membros e muito sangue por toda a fita o impacto seria grande. Uma grande perda de tempo, na realidade, por que o “espírito Mel Gibson” de “Rambo IV” chega a um resultado quase cômico quando o décimo corpo é despedaçado - a seqüência da bomba da 2º Guerra Mundial é de um absurdo tremendo.

           

            Sem criar um vilão que vai além da mera maldade descabida, Stallone erra até quando tenta fazer Rambo ser um pouco mais humano ao colocá-lo em meio a um grupo de mercenários para que não pareça um exército-de-um-homem-só. No final das contas o serviço sujo é todo dele, que salva os bondosos americanos, os mercenários e sua própria pele com um arco, um facão, algumas minas e uma metralhadora. E se há um resumo para a película, as três últimas linhas fazem bem esse trabalho.

 

               Nota: 5,5

Subversão

O que Stanley Kubrick acharia eu não sei, mas o caso é que o clip abaixo, envolvendo uma versão disco do "Danúbio Azul" de Strauss e um dos longas mais contemplativos do mestre inglês, "2001 - Uma Odisséia no Espaço", é hilário, quase genial pelo senso de humor. Não entraria no Trilha, mas é muito divertido. Subversão pouca é bobagem!

Terror na Vila

Não é cinema de verdade, mas tinha que compartilhar! Um trailer falso do primeiro longa-metragem de terror de Chaves. 

Vi no Chongas que viu no Uruca

Além 25

Mal apareceu por aqui, Anton Chigurh já bateu na porta do Cinema e Vídeo.

Resumo da Semana (10 a 16 de mar)

Boa média aproveitando a vadiagem, com a conferida de "Rambo IV" no cine.

"Edward Mãos-de-Tesoura" (Edward Scossorhands, 1990). De Tim Burton

Arrisco a dizer que até hoje Burton não conseguiu um filme à altura desse, um filme lírico como nenhum outro do diretor, que ainda arruma espaço para criticar a sociedade maniqueísta e fútil. Claro, além de ser uma incrível fábula no melhor estilo irmâos Grimm. Nota: 8,5

"Suicide Club"* (Jisatsu Saakuru, 2002). De Sion Sono

Filmes de terror estranhos são especialidade do oriente e aqui a coisa não é diferente. O detalhe é que a coisa vai ficando tão bizarra que certos momentos soam totalmente fora de contexto. A história de trincar os dentes sobre suicídios coletivos toma rumos que chegam a ser cômicos, o que mina a seriedade da trama, só retomada nos últimos e novamente esquisitos minutos. Vale muito pela primeira hora. Nota: 7,5

"Sexta-Feira Muito Louca"* (Freaky Friday, 2003). De Mark Waters

Originalidade nem sempre vale todos os pontos e esse filme prova isso. Histórias de mudanças de corpo entre pessoas totalmente diferentes não são nenhuma novidade, o que não impediu o diretor Waters e as protagonistas Lindsay Lohan e Jamie Lee Curtis - principalmente - a fazerem uma comédia divertida que serve a vários públicos. Nota: 7

"Possuídos"*(Bug, 2007). De William Friedkin

Há anos o diretor de "O Exorcista" e vencedor do Oscar por "Operação França" devia um filme relevante. Com "Possuídos" ele entrega uma pérola sobre a loucura como pouco já se viu. Ele parte do drama para a mais pura paranóia de maneira simples e desconfortante, dá a Ashley Judd um dos papéis de sua vida, além de um final sem qualquer mensagem, a não ser a mais óbvia: o mundo é um lugar mau. Nota: 8,5

* Filme visto pela primeira vez

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