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Além 23 e 24

Nova dobradinha minha no Cinema e Vídeo. Estão lá "Cloverfield - Monstro" (ô titulozinho nacional safado!) e "Conduta de Risco". Lembrar é viver!

Crítica: Onde os Fracos Não Têm Vez

            Os irmãos Ethan e Joel Coen são os típicos cineastas-autores. Sua filmografia é construída sem interferência externa – a não ser que queiram -, trabalham a linguagem que lhe agradam, discorrem sobre temas recorrentes e mesmo quando adaptam obras alheias deixam clara a tangência do objeto com sua “história cinematográfica”. “Onde os Fracos Não Têm Vez” (No Country For Old Men, 2007, EUA), é um destes exemplos. Ao usarem o livro de Cormac McCarthy como ponto de partida, os diretores propõem uma discussão sobre violência e ganância como já fizeram antes, só que dessa vez duma forma bem singular.

           

            A aura da produção é densa, joga os elementos de sua história com um tom pesaroso e fatalista, explicando-se pelo acaso. Os acontecimentos se sucedem com a interferência do imprevisto, a partir de decisões ou situações que, mesmo com a inteligência de seus personagens – do protagonista em maior grau -, não escapam de um destino desenhado.

 

            São três eixos que guiam o filme: o xerife Ed Tom Bell, policial já calejado com o mundo e sua brutalidade, o matador Anton Chigurh, que não mede qualquer esforço na busca duma mala cheia de dinheiro cujo novo dono é Llewelyn Moss, homem rude, simples e que conhece um pouco daquela aspereza da qual Ed tanto fala.

            Trabalhando imagens e diálogos habilmente, os Coen imergem a platéia em seu longa, fazem da edição um dos grandes trunfos do trabalho e dispensam quase completamente a trilha sonora – só nos minutos finais você se dá conta de que parece não ter ouvido uma música sequer, mas ela está lá, mesmo tímida. Por isso mesmo é de se aplaudir a forma como “Onde os Fracos Não Têm Vez” se constrói. Ao não manipular os sentimentos de seu espectador através da música, Joel e Ethan utilizam o essencial e mínimo para contar uma história: personagens e enredo. Ambos de primeira, nunca é demais ressaltar.

 

            Depois disso, claro, vem a mensagem que permeia a história. Por sua frieza e maldade é fácil rotular o vilão Chigurh como o mal maior, mas com o passar do tempo fica claro que a corrupção humana pelo dinheiro faz-se o pior dos problemas. O desencadeamento do sofrimento físico ou de alma de todos os personagens advém dali.

 

            Por tratar de algo tão típico do homem, não foram casuais as escolhas dos diretores, tanto na forma de narrar quanto nas atuações de seu elenco. Se Javier Bardem se destaca como assassino, não se pode excluir a força de Tommy Lee Jones na pele do homem da lei descrente, nem Josh Brolin, que duela de igual para igual com seu perseguidor, talvez motivado pela mesma força que o transformou em caça: o dinheiro.

 

             Nota: 8,5 

           

Uma Mais

"O Bebê de Rosemary" (1968)

Roman Polanski na sua melhor forma, dando a Mia Farrow seu papel mais importante.

Expoente dos filmes de terror psicológicos.

A refilmagem está a cargo da Platinum Dunes, produtora de Michael Bay reponsável pelos remakes de "O Massacre da Serra Elétrica" e "A Morte Pede Carona".

As frases de 2007!

O instituto Global Language Monitor premiou aquelas que foram consideradas as melhores frases de filmes de 2007. Em primeiro lugar ficou as palavras de Anton Chigurh, "Call it, friendo", personagem de Javier Bardem em "Onde os Fracos Nâo têm Vez". Segundo Paul Payack, presidente do instituto, a frase começou a ser muito usada em meio à sociedade americana, o que deu ainda mais força ao vencedor.

Em segundo lugar apareceu "I drink your milkshake" de Daniel Day-Lewis em "Sangue Negro", seguida de "Shoulda gone to China, because I hear they give away babies like free IPods", de "Juno", saída da ótima interpretação de Ellen Page.

Em quarto e quinto lugares, respectivamente, vieram "This is Sparta!" proferida a plenos pulmões por Gerard Butler em "300" e "I'm not the guy you kill. I'm the guy you buy off", momento-chave de "Conduta de Risco" e protagonizada por George Clooney.

Só faltou mesmo um dos bordões do Capitão Nascimento.

China proibe atriz na mídia

A atriz Tang Wei, de 28 anos, teve sua imagem proibida na mídia chinesa. A Administração Estatal de Rádio, Filme e Televisão a China teria comunicado às TV's e jornais do país o mando de não-veiculação de uma campanha da empresa Pond's que a atriz de "Lust, Caution" protagoniza.

Nenhum motivo foi apontado, mas especula-se que a polêmica em torno do filme de Ang Lee foi a causa. A produção desagradou autoridades chinesas devido às suas sensuais cenas de sexo. Seria, então, um boicote velado da Associação que no dia 7 de março reiterou as diretrizes de censura com ênfase nos conteúdos que considera lascivos e pornográficos.

Esse foi o primeiro trbalho de Tang Wei no cinema, mas não a primeira vez que seu papel no filme vencedor do Leão de Ouro lhe causa algum desconforto. As premiações de seu país foram desaconselhadas a dar-lhe qualquer estatueta ou convidarem os produtores da fita para cerimônias, uma vez que o conteúdo de "Lust, Caution" foi considerado "uma glorificação dos traidores e um insulto aos patriotas". Na trama, passada durante a ocupação japonesa, ela vive uma estudante que se envolve com um alto-funcionário do governo da China a quem tem que matar.

Resumo da Semana (3 a 9 de mar)

Desempenho melhor que o da semana passada, ainda com "Onde os Fracos Não Têm Vez" no cinema:

"Quero Ficar com Polly"* (Along Came Polly, 2004). De John Hamburg

Comédia romântica que tenta ser o que os Farrelly foram há uns 10 anos, mas o tom de romance aqui é mais açucarado e não combina nada com as piadas de banheiro que Hamburg arma. De se estranhar a participação de Philip Seymour Hoffman num papel tosqueira que destoa das escolhas que o ator costuma fazer. Jack Black caberia melhor. Salvam-se algumas piadas e parte da fauna de personagens bizarros, além do carisma de Jennifer Aniston. Nota: 6

"Peter Pan" (Idem, 2003). De P.J. Hogan

Preciosismo é a palavra de ordem desse longa em que, das movimentações de câmera aos cenários - virtuais ou reais -, tudo é um espetáculo para os olhos. E o melhor: não se esquece de contar uma história relevante, guardando novas dimensões para personagens manjados. No pacote, então, não só aventura, mas magia, beleza, graça e bons atores. Nota: 8

* Filme visto pela primeira vez

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