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Crítica: [REC]

Assim como disse no dia 27 de fevereiro, esse filme tem minha primeira crítica de longa que ainda não chegou aos cinemas brasileiros. Faço isso pela dúvida de sua vinda às salas nacionais.

 

É uma moda? Cada vez mais é possível reforçar a tese de que “A Bruxa de Blair” foi um marco sem precedentes no cinema mundial. Depois do blockbuster “Cloverfield – Monstro”, uma fita bem mais modesta, só que de impacto quase igual, traz mais câmeras subjetivas com imagens impressionantes. Ela é “[REC]” (Idem, Espanha, 2007), terror espanhol que ao contrário da produção de J.J. Abrams não usa efeitos especiais mirabolantes, mas sim um roteiro enxuto e medonho sobre zumbis.

 

Tudo se inicia com a reportagem de Ângela Vidal  (Manuela Velasco) documentando o cotidiano no Corpo de Bombeiros de Barcelona. Logo na primeira chamada eles se dirigem a um prédio no qual uma mulher teve um surto psicótico e começou a atacar quem morava ali. Obviamente isso terá um fundo mais complexo que o mero psicológico. A partir dali a câmera tremida concebida pelos diretores Jaume Balagueró e Paco Plaza registrará o horror que moradores, equipe de TV, policiais e bombeiros passarão ao serem perseguidos por figuras estranhas no ambiente sinistro que se torna o prédio.

Além da óbvia referência a ”A Bruxa de Blair”, “[REC]” tem algo de “Extermínio” na movimentação insana de seus zumbis. Nos últimos e pesados minutos traz ainda o sentimento de total falta de controle tal qual a escuridão claustrofóbica de “Abismo do Medo”. Se tudo isso parece uma mistura com ingredientes demais, não se deixe enganar, é pura impressão. O filme é tocado a mão de ferro e tudo parece ainda mais amador que em qualquer longa que finge ser desta forma. Os planos-seqüência são tão ou mais orgânicos que em “Cloverfield”, cada perda de foco ou corte de imagem e som tem um motivo para serem feitos. O caos é o objetivo maior, o medo, conseqüência.

           

Se há um defeito, ele está na falta de vigor do segundo ato da película. Por ter curtos 75 minutos, a grande gritaria promovida por “[REC]” poderia ser ainda mais agoniante se toda a conversa daqueles minutos fosse promovida em meio à angústia que virá em seguida. Entretanto, ao levar em conta a pequena pérola de tensão que passa na tela, não há como eclipsar as qualidades do filme por inteiro.

 

Nota: 8

Nota: 8,5 


Comentários de Última Hora 2: Como dito em Resumo da Semana de 25 a 31 de agosto, altero a nota do longa em mais 0,5 ponto.

Comentários de Última Hora: Agradecimentos ao amigo Douglas D'Andrade que apresentou o filme a esse blogueiro que vos escreve.

 

Framboesa de Ouro

Já ia me esquecendo do Framboesa de Ouro 2008! Esse ano a "não-festa" deve ter sido um tanto monótona, pois apenas três filmes levaram os "prêmios". Foram eles "Eu Sei Quem Me Matou", "Norbit" e "Acampamento do Papai" com, respectivamente, oito, três e uma framboesas. Vale lembrar que o filme de Lindsay Lohan estabaleceu um novo recorde de "vitórias" no Framboesa de Ouro. Que venham outras bombas!

Abaixo os "vencedores" por categoria:

Pior Filme - "Eu Sei Quem Me Matou"

Pior Ator - Eddie Murphy, "Norbit" (como Norbit)

Pior Atriz -Lindsay Lohan, "Eu Sei Quem Me Matou" (como Aubrey e Dakota)

Pior Ator Coadjuvante - Eddie Murphy, "Norbit" (como Sr. Wong)
 
Pior Atriz Coadjuvante - Eddie Murphy, "Norbit" (como Rasputia)

Pior Dupla - Lindsay Lohan & Lindsay Lohan, "Eu Sei Quem Me Matou" (como o Yang de seu próprio Yin)

Pior Refilmagem ou Cópia Descarada - "Eu Sei Quem Me Matou" (cópia de "O Albergue", "Jogos Mortais" e "The Patty Duke Show" - série dos anos 60)

Pior Continuação ou Pré-Continuação - "Acampamento do Papai"

Pior Diretor - Chris Siverston, "Eu Sei Quem Me Matou"

Pior Roteiro - "Eu Sei Quem Me Matou"

Pior Desculpa Para Se Fazer um Filme de Terror - "Eu Sei Quem Me Matou"

  

Além 20 e 21

Vacilei aqui, saíram duas críticas minhas no Cinema e Vídeo: "Desejo e Reparação" e "O Caçador de Pipas". Vale a pena ler de novo.

Oscar - Minha Vez

Tão achando que o Oscar é privilégio só de grandes atores? Se até Roberto Benigni conseguiu levar a estatueta pra casa, não é de se espantar que esse blogueiro que vos escreve tenha conseguido ganhar um prêmio da Academia, como a foto abaixo comprova. Clique para ampliar.

Oscar - Vencedores

Já que estou atrasado mais de dois dias, farei somente cinco cometários rápidos sobre a 80º cerimônia de entrega do Oscar:

  1. Acertei 5 das 7 previsões do dia 22 de janeiro - Tilda Swinton levando por Atriz Coadjuvante em "Conduta de Risco" e "O Ultimato Bourne" vencendo os prêmios que achei que não conseguiria foram minhas derrotas;
  2. A mania "Escafandro e a Borboleta" não levou nada;
  3. "Transformers" perdeu para "A Bússiola de Ouro" em Efeitos Visuais, alguém explica?
  4. Marion Cotillard se igualou a Sofia Loren ao vencer por Melhor Atriz sem qualquer fala em inglês;
  5. A transmissão da Globo foi uma piada: começou no terceiro bloco da cerimônia e José Wilker é um chato de marca maior quando o assunto é comentar filmes.

Abaixo vocês conferem todos os vencedores da noite que premiou os Irmãos Coen e seu "Onde os Fracos Não Têm Vez".

MELHOR FILME - "Onde os Fracos Não Têm Vez"

MELHOR DIRETOR - Joel e Ethan Coen, "Onde os Fracos Não Têm Vez"

MELHOR ATOR - Daniel Day-Lewis, "Sangue Negro"

MELHOR ATRIZ - Marion Cotillard, "Piaf – Um Hino ao Amor"

MELHOR ATOR COADJUVANTE - Javier Bardem, "Onde os Fracos Não Têm Vez"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE - Tilda Swinton, "Conduta de Risco"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL - "Juno"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO - "Onde os Fracos Não Têm Vez"

MELHOR FOTOGRAFIA - "Sangue Negro"

MELHOR MONTAGEM - "O Ultimato Bourne"

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE - "Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet"

MELHOR FIGURINO - "Elizabeth - A Era de Ouro"

MELHOR MAQUIAGEM - "Piaf – Um Hino ao Amor"

MELHORES EFEITOS VISUAIS - "A Bússola de Ouro"

MELHOR TRILHA SONORA - "Desejo e Reparação"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL - Falling Slowly, "Once"

MELHOR SOM - "O Ultimato Bourne"

MELHOR EDIÇÃO DE EFEITOS SONOROS - "O Ultimato Bourne"

MELHOR FILME ESTRANGEIRO - "The Counterfeiters", Áustria

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO - "Ratatouille"

MELHOR DOCUMENTÁRIO - "Taxi to the Dark Side"

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM - "Freeheld"

MELHOR CURTA-METRAGEM - "Le Mozart des Pickpockets" (The Mozart of Pickpockets)

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO - "Peter & the Wolf"

Resumo da Semana (18 a 24 de fev)

Uma mudança em relação ao ano passado. Os filmes que eu assistir em casa antes de chegarem aos cinemas do Brasil - e só farei isso quando tiver dúvida se tais filmes realmente virão para cá -, ganharão críticas como os lançados normalmente.

Semana exclusivamente com filmes em casa, sendo o espanhol "REC" o primeiro dos que especifiquei anteriormente - ou seja, em breve uma crítica só pra ele.

"O Aviador" (The Aviator, 2004). De Martin Scorsese

No Oscar daquele ano foi uma briga deste Golias contra o Davi "Menina de Ouro", que venceu merecidamente. Mas o filme de Scorsese tem seus méritos: a atuação de DiCaprio, a de Cate Blanchett, a fotografia deslumbrante de Robert Richardson e a boa história contada. Entre os defeitos está a metragem pelos menos 20 minutos exagerada e passagens um tanto entediantes. Nota: 8

"Nascido Para Matar"*  (Full Metal Jacket, 1987). De Stanley Kubrick

Kubrick em um de seus últimos filmes - isso a 12 anos de sua morte! - e não deixando a majestade de lado. Comédia e um profundo sentimento de agonia permeiam todo o trabalho cuja trilha sonora destaca-se pelo inusitado e cujo enredo é dividido em dois pela insanidade. O primeiro terço é impactante como poucos. Nota: 9

"MeninaMá.com" (Hard Candy, 2005). De David Slade

Deste tenso suspense saíram despontaram duas promessas: o diretor Slade e a ótima Ellen Page. Aqui um jogo entre a maldade velada e o desejo revelam uma trama carregada sem ser nenhum pouco explícita. Vale salientar o roteiro corajoso e inteligente, além da fotografia lindamente iluminada. Esperto e instigante como poucos. Nota: 8,5

"Ligeiramente Grávidos"* (Knocked Up, 2007). De Judd Appatow

Certa vez disse que "O Dia Depois de Amanhã" era o melhor meio filme que tinha visto. Acaba de perder o posto. O diretor de "O Virgem de 40 Anos" cometeu o mesmo erro de dois anos atrás. Começa o seu longa de maneira genial, fazendo rir às tampas, cheio de um humor sujo e esperto para depois descambar, em sua metade final, numa história quase árida em boas piadas e cansando quem o assiste com suas mais de duas horas - exatos 129 minutos. Vale pela insana primeira parte. Nota: 7,5

* Filme visto pela primeira vez 

Dois dias off
Seguinte galera, fiquei segunda e terça-feira sem meu estimado computador, por isso postarei algumas coisas que parecerão atrasados (e estarão!), mas que não posso posso deixar de pôr. Compreensão, por favor!
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