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Crítica: Juno

            No ano passado, “Pequena Miss Sunshine” foi o grande azarão do Oscar, chegando a concorrer ao prêmio de Melhor Filme. Acabou sendo a segunda opção na torcida de muita gente devido à simpatia de sua história. “Juno” (Idem, EUA/Canadá/Hungria, 2007) faz as vezes de zebra na premiação da Academia esse ano. Não à toa, é de se lembrar. Ele é o típico caso de talentos que se juntam meio sem querer e resultam num trabalho descontraído, mas com muito que dizer.

 

            Elenco, roteiro e direção mostram sintonia singular. Os atores são liderados por uma Ellen Page, no papel-título, impressionante. Não que ela já não tenha demonstrado alcance interpretativo antes, “MeninaMá.com” está aí para provar a competência da garota de apenas 21 anos. Seu trabalho incrivelmente descolado ofusca até mesmo gente do calibre de J.K Simmons. Isso levando em conta que de Jennifer Garner a Jason Bateman, passando pelo outro jovem prodígio Michael Cera, todo o cast traz atuações dignas de prêmios.

 

            São eles que dão vida aos interessantes personagens do enredo sobre a adolescente que engravida de seu melhor amigo e que quer dar o bebê para a adoção. As coisas se desenrolam naturalmente, sem os típicos dramalhões que tal tipo de história costuma originar. Há certa compreensão da roteirista Diablo Cody com suas criaturas, ainda que os erros deles estejam bem evidentes, o que dá abertura para uma série de piadas organicamente surgidas em meio aos diálogos espertíssimos.

            A fluidez das cenas apenas prova o entendimento entre Cody e o diretor Jason Reitman (“Obrigado por Fumar”), que aponta sua câmera para os atores, tira deles o melhor em cada palavra dita e tenta interferir o mínimo possível na narrativa. Ajudado pela trilha sonora que se encaixa perfeitamente com o espírito do filme, Reitman apenas guia o bom material que tem em mãos.

 

            Quando a emoção, então, fica explícita, “Juno” simplesmente fecha seu ciclo, evitando explicações demais ou chororô. Final feliz? Bem, quase isso. Mas não há como não se sentir revigorado ou um pouco menos descrente com o mundo mesmo o longa não dando qualquer lição de moral. A felicidade vem de dentro e não da tela.

 

             Nota: 8,5           

Akira terá DiCaprio

O site Ain't Cool News adiantou que Leonardo DiCaprio estará na versão live-action do clássico anime "Akira". Ele interpretará Kaneda, cujo nome deverá ser alterado, uma vez que o filme se passará em Nova Iorque e não mais em Tokyo. Para o papel de Tetsuo, a Warner Bros. contratou Joseph Gordon-Levitt, hoje nas filmagens de "Comandos em Ação".

A revista Variety informou recentemente que "Akira" será uma das grandes apostas do estúdio para 2009. O roteirista Gary Whitta se baseará nos seis volumes do mangá de Katsuhiro Otomo, também responsável pelo filme de 1988. A direção ficará a cargo do irlandês Ruairi Robinson, estreante em longas-metragem. Seus únicos trabalhos como diretor são os curtas "Fifty Percent Grey" e "The Silent City", o primeiro indicado ao Oscar e o segundo com Cillian Murphy no elenco. Os dois mostram a predileção do diretor por finais abertos, o que seria uma boa notícia caso um estúdio tão forte não estivesse por trás do projeto. Assim, é possível esperar por mudanças em relação ao original.

Há rumores de que essa nova versão será divida em duas partes.


DiCaprio e o personagem Kaneda, de "Akira"

Crítica: Cloverfield - Monstro

          Talvez o ano de 1999 tenha sido um dos mais importantes da história do cinema. O motivo é um só: o terror “A Bruxa de Blair”. Não obstante ter antecipado para o mundo a estética You Tube, o realismo que os diretores Daniel Myrick e Eduardo Sanchez imprimiram em seu filme não era apenas palpável, mas sim real. Seus atores estavam mesmo vivendo aquela situação. Assistir, então, a “Cloverfield – Monstro” (Cloverfield, EUA, 2008) é mais ou menos como reviver aquele pesadelo de uma maneira anabolizada e com certa originalidade.

 

            Descoberta como grande veículo de marketing também pelos realizadores de “Bruxa de Blair”, a Internet foi um dos grandes trunfos do produtor J.J. Abrams e seu filme. Assim como aconteceu em 1999, informações falsas a respeito da produção foram sendo jogadas em sites virais que aguçavam cada vez mais a curiosidade de quem acompanhava a campanha. Assim, o filme de monstro recebeu um nome, “Cloverfield”, depois sua página oficial ganhou fotos que não revelavam muita coisa, veio o cartaz e a imagem da Estátua da Liberdade decapitada fez nerds do mundo todo urrar. O trailer, no entanto, não trouxe aquilo que mais se esperava: a cara do monstrengo que assombraria Nova Iorque. Com mais numa jogada muito esperta, Abrams fez com que o mundo se debruçasse sobre como seria seu grande protagonista. Conceitos e mais conceitos acerca de sua aparência foram especulados, parecia que o assunto mais relevante da Internet era esse.

 

            Quando estreou nos Estados Unidos, “Cloverfield” bateu recordes nas bilheterias. A curiosidade era tamanha que ninguém queria ser o último a assisti-lo. Porém, tamanha expectativa traz alguns riscos, se o longa não fosse interessante logo as salas se esvaziariam. Não foi o caso, a película dirigida por Matt Reeves tem seu charme. Apesar de não ser original na proposta de pôr a platéia em meio à crise vivida pelos personagens através da câmera 100% subjetiva, a tensão que isso proporciona é incrivelmente tangível.

           De início são apresentadas as pessoas que guiarão o enredo. É em meio à festa de despedida de Rob - que se mudará para o Japão, vale lembrar – que um estrondo tira todos do prédio de onde estavam. Do nada algo muito grande voa em direção às pessoas. O espanto do estrago proporcionado pelo objeto só não é maior do que quando descobrem tratar-se da cabeça do maior símbolo de Nova Iorque. A partir daí o que se pode ver é uma sucessão de cenas com doses cavalares de adrenalina.

 

            Muito disso pode ser atribuído aos efeitos especiais de primeiríssima, provando que, na mão de um diretor habilidoso, eles causam assombro tal qual os terrores mais intimistas. Sobra sugestão, mas as imagens estão lá, só que sem a gratuidade que dilui intenções de criar medo. Isso somado ao roteiro habilidoso em montar situações verdadeiramente instigantes fazem a alegria de quem busca uma diversão perversa. 

            A criação de um monstro para rivalizar com qualquer gigante saído da mente de Harryhausen, pode render muito aos cofres de seus responsáveis. Tanto assim que uma continuação já está a caminho, com a promessa de trazer mais alguns mistérios e revelar outros, bem ao gosto do criador de “Lost”. Mantendo o padrão de seu original, não seria ruim acompanhar o futuro da criatura. Promessa de mais barulho, literalmente.

            Nota: 8,5

Além 19

Se Estrella comandava, contra Frank Lucas não há muito o que se fazer, o Cinema e Vídeo está com ele agora.

Lindsay Lohan na pele de Marilyn Monroe

Lindsay Lohan posou para a New York Magazine na recriação do último ensaio sensual de Marilyn Monroe, de 1962. Um mês e meio depois da sessão de fotos, a maior estrela do cinema seria encontrada morta.

Lindsay foi fotografada por Bert Stern, o mesmo criador das fotos originais. Ela foi escolhida pelo próprio Stern e se mostrou muito a vontade. Clique na imagem abaixo e veja o slide de fotos direto do site da New York.


Comentários de Última Hora: à New York: obrigado; aos homens: de nada.

Resumo da Semana (11 a 17 de fev)

Para a corrida do Oscar, conferi "Juno" no cinema, além de "Cloverfield - Monstro". Em casa foram os três abaixo.

"Um Sonho de Liberdade" (The Shawshank Redemption, 1994). De Frank Darabont

Sabe aqueles filmes que emocionam sem forçarem a barra? Aqui está um exemeplo. A forma fluída como que o longa se desenrola, além do magnífico desenvolvimento dos personagens culminam num final que vai além da redenção do título original. Atuações inesquecíveis de Tim Robbins e Morgan Freeman. Este, aliás, ganhou o Oscar por "Menina de Ouro" num estilo de trabalho que lembra bastante seu Red deste filme. Nota: 9

"A Tortura do Medo"* (Peeping Tom, 1960). De Michael Powell

Tenho que admitir, filmes anteriores a 1965 que falam sobre violência ou perversões, muitas vezes são alvo do meu preconceito, visto que suas tramas abstraem muito do gráfico que tais assuntos poderiam tratar. Todavia, não canso de me surpreender pela forma como que histórias como a de "A Tortura do Medo", que me seguram até seu desfecho. É quando tenho de dizer: "puro preconceito meu". Aqui homem perturbado mata suas vítimas enquanto filma suas expressões de medo. Estranheza e maldade muito bem distribuídos pelo diretor. Nota: 8

"Frida" (Idem, 2002). De Julie Taymor

Cinebiografia de uma das maiores pintoras mexicanas de todos os tempos. De visual espantoso e história um tanto novelesca, vence pela paixão com que é contada. Salma Hayek e Alfred Molina têm química e são o norte do longa. Julie Taymor motra talento nas recriações das telas de Frida Kahlo, enquanto dá uma pitada do surrealismo ao gosto das obras da artista. Incrível trilha sonora, que conta com a participação de Caetano Veloso na canção tema. Nota: 8

* Filme visto pela primeira vez

Mesmo sofrendo críticas negativas da maior parte da imprensa e ter uma exibição com tradução simultânea em inglês feita por uma mulher, o filme de José Padilha, "Tropa de Elite", saiu do Festival de Berlim com o Urso de Ouro ontem. Batendo fortes adversários, como o indicado ao Oscar "Sangue Negro", de P.T. Anderson, o filme que fala de maneira muito crua sobre as ações do BOPE nos morros cariocas, foi contra todos os prognósticos ao levar o prêmio principal.

Padilha, em seu discurso de agradecimento, ressaltou que os trabalhos de Costa-Gavras foram de grande importância para a América Latina. Esse ano, o diretor de grego reponsável pelos clássicos políticos "Z" e "Desaparecido" foi o presidente do júri em Berlim.

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