Cinefilia - UOL Blog
Final Alternativo

Para botar ainda mais fogo na discussão sobre o desfecho de "Eu Sou a Lenda", no mercado norte-americano, o DVD do longa-metragem já trará um final alternativo. É de se esperar que o mesmo aconteça aqui no Brasil. O diretor Francis Lawrence disse que a nova conclusão dará ao filme um ar mais intelectual. Veremos.

Crítica: Eu Sou a Lenda

           As más críticas que “Eu Sou a Lenda” (I Am Legend, 2008, EUA) vem recebendo o fazem ser comparado ao “Guerra dos Mundos” de Steven Spierlberg: longa eletrizante com final risível. Já as boas críticas pouco se preocupam com o desfecho da história e enfocam a ótima atuação de Will Smith, além da boa direção de Francis Lawrence.

 

            A resposta para qual das opiniões estaria certa é uma questão de gosto, que, ao ser discutido, deve trazer argumentos e contra-argumentos relevantes. No caso deste texto, a segunda categoria, a que versa sobre as qualidades do filme por inteiro, é a melhor opção para encaixá-lo.

 

            Os motivos começam pela forma como toda a história é apresentada, havendo mais acertos que erros. Veja o caso dos minutos iniciais em que Will Smith caça um cervo em uma Nova Iorque tomada pela natureza. Prédios em ruínas e um caos silencioso marcam as andanças de Robert Neville e de sua cadela Sam na busca pela sobrevivência, depois que praticamente toda a humanidade foi dizimada por um vírus que transforma pessoas em vampiros-zumbis. Como em quase todo o resto de “Eu Sou a Lenda”, a cena inicial é caracterizada pelo misto de ação e melancolia ao se acompanhar a movimentação solitária de Neville em meio ao que um dia foi a maior cidade do mundo. Junte ao caldo doses cavalares de suspense e tem-se uma história que consegue se manter muitíssimo interessante durante os 100 minutos do filme.           

            Os escorregões existem realmente. Entre eles diluir toda a ação de isolamento de Manhattam em vários flashbacks, minando forças da seqüência, ou inacreditavelmente fazer com a personagem de Alice Braga, Anna, simplesmente ignore a existência de Bob Marley, o que a distancia de quem está do lado de cá da tela.

           Há ainda a questão do desfecho do filme. Sim, o epílogo é um tanto apressado, principalmente se for levado em conta como o roteiro gasta dois terços de seu tempo desenvolvendo o protagonista, dando-lhe dimensões reais. Porém, tematicamente ele não se opõe ao restante do filme – spoiler, não leia se não viu o filme: em nenhum momento o roteiro tem marcas pessimistas; um final otimista, mesmo que corrido, fecha bem a história -, fora que Hollywood nunca foi de ousar demais em seus blockbusters.

 

            Então, mesmo como todos os defeitos, “Eu Sou a Lenda” não chega nem perto de ser uma decepção como a dos minutos finais de “Guerra dos Mundos”. Se há mais algum ponto contra, pode-se discutir o visual das criaturas que aterrorizam o protagonista. Contudo, pela opção de enorme agilidade que Lawrence queria dar aos vilões, bonecos digitais eram a melhor escolha. Seria possível fazer algo mais parecido com o que se vê em “Abismo do Medo”, em que atores maquiados travam a platéia de medo, mas isso impossibilitaria algumas boas seqüências concebidas pelo diretor. Enfim, em detrimento a um medo maior optou-se pela ação, mais uma vez questão de gosto.

 

            Gostando ou não do produto final, uma coisa é certa: Will Smith mostra que não à toa é o grande astro do momento. Quer precise de alguém que saia no braço com seres estranhos e outros vilões, quer necessite de um ator que tenha sensibilidade para interpretações intensas, ele é uma ótima opção. E isso é uma questão de competência, não de gosto.

 

           Nota: 8

Comentários Respondidos

Apenas um aviso. Agora todos os comentários postados no Cinefilia terão uma reposta minha, ok? Pois aqui é assim, falou levou uma resposta! Calma gente, esse última frase foi sarcástica! As repostas serão amigáveis, tá?

Então é isso. Voltem para verem o que respondi! Valeu!

GrindHouse sucks!

Isso que é um verdadeiro Grind House! Vejam esse trailer, não é preciso comentários, a narração tosca e a premissa do filme - Jesus Cristo volta para enfrentar vampiros à socos e ponta-pés -  falam por si. Com vocês "Jesus Christ Vampire Hunter".

O Momento Vega Boy de Tarantino

Em meio ao Festival de Sundance desse ano - cujos vencedores ficcional e decumentário foram, respectivamente, "Frozen River" e "Trouble the Water" - o diretor Quentin Tarantino teve um momento de fúria contra um paparazzo e demonstrou seu lado Vega Boy, no melhor estilo truculência sucedida de sarcasmo - em certo momento ele diz que só não arrasta a bunda do xereta de cima abaixo na rua por que ele estava filmando. Nota-se que o dono da câmera, depois de levar um safanão do cineasta, o chama para a briga - "Go! Hit me!". Confiram no vídeo abaixo.

Crítica: Meu Nome Não é Johnny

           Nos últimos sete ou oito anos Selton Mello se tornou um dos nomes mais celebrados do cinema nacional, seja nas entrevistas de seu Tarja Preta, seja nos inúmeros papéis importantes que vem conseguindo. Ele virou sinônimo de qualidade de trabalho, ainda que os filmes nos quais apareça não sejam lá maravilhas. Tanto no penúltimo longa, o ótimo “O Cheiro do Ralo”, quanto em “Meu Nome Não é Johnny” (Idem, Brasil, 2008), sua performance arrasadora chama a atenção de um público menos ligado no muitas vezes rejeitado cinema brasileiro.

           

            Por si só tal fato já seria bom para o desenvolvimento dessa arte tão dependente de incentivos como é o no Brasil, mas o longa de Mauro Lima também ajuda e o ator sabe o que faz na pele de João Guilherme Estrella. O personagem real foi o maior traficante “do asfalto” carioca no fim dos anos de 1980 e início de 90. Sem pisar uma vez sequer nos morros para conseguir a droga que vendia, Estrella é encarnado de forma intensa por Mello, que pouco o viu durante as filmagens, preferindo uma visão particular do biografado.

           A produção é caprichada, com boa reconstituição de época através de músicas, cenários, locações e figurino. Contudo, não há ali o retrato de uma geração, “Meu Nome” não está para os adolescentes oitentistas como “Christiane F.” está para os jovens dos anos 70. O objetivo aqui é o de narrar uma história que, aliás, se afasta do comum. Para isso Lima, também roteirista ao lado da produtora Mariza Leão, conta com muito bom humor e algumas passagens dignas de emoção, sempre com a ajuda do desempenho primoroso de Selton Mello.

 

            Ele passa das tristes cenas de arrependimento às melhores piadas com um timing impressionante, o que chega a empalidecer a bela presença de Cléo Pires, que faz sua namorada Sofia. Outra presença muito marcante é a de Eva Todor como a distinta velhinha que vende a Estrella cocaína sob o código de brevidade.

           

            O longa perde alguns pontos devido ao final obviamente pouco redentor, mas que insiste em colocar letreiros um tanto tendenciosos em relação à personalidade do protagonista como um exemplo para a sociedade. Principalmente a frase que fecha o filme, escrita pela juíza vivida por Cássia Kiss. Rasa, ele trata o jovem como qualquer outro que entra para o mundo das drogas, o que não é bem verdade, afinal João Guilherme pode não ter tido limites na família, porém o nível de vida que tinha não chega nem perto de milhares de garotos vindos de famílias desestruturadas e perdidas em meio a problemas de cunho financeiro-social. O que fica, no entanto, é a maneira muito eficiente que Lima põe os fatos na tela.

 

            Nota: 8

Resumo da Semana (21 a 27 de jan)

Semana um pouco bagunçada, mas ainda assim rolou alguns filmes, fora "Eu Sou a Lenda" no cinema.

"V de Vingança" (V for Vendetta, 2005). De James McTeigue

Sem dúvida uma das três melhores adaptações de quadrinhos para o cinema. Os irmãos Wachowski ficaram a cargo da produção e roteirização e deram a direção a James McTeigue, seu segundo diretor na trilogia "Matrix". Ninguém fez feio, inclusive o elenco com Natalie Portman tomando a frente e Hugo Weaving ensinando a atuar atrás de uma máscara. Se Alan Moore não fosse tão intransigente com relação aos filmes feitos a partir de sua obra saberia que pelo dessa vez alguém não deturpou seu trabalho. Nota: 9

"Tá Dando Onda"* (Surf's Up, 2007). De Ash Brannon e Chris Buck

Uma das injustiças do ano foi a indicação dessa boa animação ao Oscar em detrimento de "Os Simpsons - O Filme". O filme é muito bem acabado, é preciso fazer justiça, mas sua história não passa do trivial ao falar pela enésima vez sobre valores entre amigos e realização pessoal. As imagens são lindas, a idéia de fingir um documentário sobre pingüins surfistas é muito legal, mas no final de tudo personagens são usados como peões bobos. Vale por cada onda pêga pelas aves do frio e por algumas piadinhas aqui e ali, mas o porco-aranha foi muito mais filme. Nota: 7,5

* Filme visto pela primeira vez

[ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, UBERLANDIA, Homem