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Posteridade

O Posteridade que abre 2008 volta no tempo. Quando inaugurei essa seção do Cinefilia, disse que traria grandes novidades como também filmes antigos. Eis que só agora um cartaz que se encaixa nessa categoria aporta por aqui: "2001 - Uma Odisséia no Espaço".

Quando achei o pôster que colocaria aqui hoje (logo chegará a vez dele), mudei de idéia ao procurar exemplos que sustentariam minha escolha. "2001" tem vários cartazes estilosos, bonitos e até icônicos, mas algo tão simples e marcante ainda não tinha visto. Justamente por isso tive que adiar meu primeiro escolhido e dividir com vocês esse achado (pra mim, pelo menos).

Notem o largo traço negro que remete ao monolito do filme de Kubrick e a escrita por extenso do título, genial.

Crítica: Antes Só do que Mal Casado

           Ao contrário do que se pode pensar, “Antes Só do que Mal Casado” (The Heartbreak Kid, EUA, 2007) não é só contra-indicado para casais próximos de seu matrimônio. O nono filme dos irmãos Peter e Bobby Farrely mostra, mais uma vez, que sua fama de ases da comédia ficou lá pelos idos da década de 1990, quando despontaram com “Debi & Lóide”.

 

            O longa começa bem, com ótimas piadas e situações constrangedoras como só os irmãos diretores sabem aprontar quando inspirados. Toda a seqüência do casamento de uma ex-noiva de Eddie Cantrow (Ben Stiller) é arrasadora, mantendo a linha de personagens hilariamente humilhados na filmografia dos Farrely. Mas a partir do momento em que Eddie deixa sua insegurança de lado e pula de cabeça num relacionamento com a bela Lila (Malin Akerman), sua vida se tornará um tormento. O mesmo acontece com o espectador, que passará por maus bocados nos minutos seguintes do filme.

 

            O casamento apressado do protagonista é a desculpa do roteiro para que o comportamento de Lila passe da água para o vinho – ou seria melhor dizer da água para a pior viagem que uma droga pode proporcionar? –, e o matrimônio passe a ser visto como uma tortura pelo até então apaixonado protagonista, ainda na lua-de-mel. No entanto, é pouco convincente essa mudança brusca na personalidade de Lila, que se torna insuportável à mais altiva das almas. Não à toa Eddie vê com olhos muito maliciosos sua amizade com Miranda (a outra bela Michelle Monaghan). Nela se encontra um oásis em meio ao desértico esfacelamento de “Antes só”, que apela para todo tipo piada de gosto duvidoso na tentativa de arrancar o riso da platéia – para fazer justiça vale citar o pai de Eddie, muito divertido na pele de Jerry Stiller.

           Parece que os Farelly perderam a mão naquilo que os caracterizou: as piadas de banheiro. Pelo menos 80 por cento do que tentam nesse sentido falha miseravelmente, prova disso é desastrosa cena da água-viva, algo que deveria ser esquecido por qualquer um que põe os olhos nela, mas que infelizmente tem o efeito contrário. Ela é o exato oposto do nada ortodoxo gel utilizado por Cameron Diaz em “Quem Vai Ficar com Mary?”, auge do bem-sucedido politicamente incorreto proposto por Peter e Bobby. Aliás, a impressão que se tem é que um (não realizado) reencontro entre Cameron e Stiller foi um dos motivadores de “Antes Só do que Mal Casado” – a fórmula “loira espevitada + cara bobalhão + mau gosto = sucesso” não foi muito bem aqui.

 

            O próximo trabalho da dupla será o tão sonhado por eles “Os Três Patetas”. É bom que busquem bastante inspiração para repetirem o sucesso de dez anos atrás. Talvez assim, a melhor cena de seu filme não seja aquela que muda o tom das gracinhas de todas as outras, a exemplo do cínico final deste seu trabalho mais recente.

 

            Nota: 5,5


Comentários de Última Hora: Nem a ótima trilha com vários sucessos de David Bowie salva o longa

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas divulgou os nomes dos nove pré-selecionados para a concorrência ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro do ano passado, e "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias" está entre eles. Numa lista que surpreendeu muita gente, não constam franco favoritos como a animação francesa "Persepolis" e o drama romeno "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias", algo que deixa uma possível indicação e posterior vitória brasileira menos complicada.

Constam, ainda, entre os que seguem o caminho para o Oscar, velhos conhecidos da Academia como Guiseppe Tornatore, vencedor do prêmio com "Cinema Paradiso" em 1990, e Denys Arcand, que levou a estatueta por "As Invasões Bárbaras" em 2004. Eles podem ser os maiores adversários do filme de Cao Hamburger. É torcer e esperar pelo dia 22 de janeiro, quando os indicados ao Oscar serão anunciados.

Confira a lista:

Áustria, “The Counterfeiters” de Stefan Ruzowitzky;

Brasil, “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias” de Cao Hamburger;

Canadá, “Days of Darkness” de Denys Arcand;

Cazaquistão, “Mongol” de Sergei Bodrov;

Israel, “Beaufort” de Joseph Cedar;

Itália, “A Desconhecida” de Giuseppe Tornatore;

Polônia, “Katyn” de Andrzej Wajda;

Rússia, “12” de Nikita Mikhalkov;

Sérvia, “The Trap” de Srdan Golubovic.

Globo de Ouro 1

Longe da badalação de todos os ano anteriores, o Globo de Ouro de 2008 foi entregue ontem numa coletiva televisionada e sem a participação dos astros agraciados com as estatuetas. Contudo o prêmio por si só dá dicas do que virá no Oscar. É verdade, ainda, que há algum tempo os ganhadores aqui costumam não repetir o feito na premiação da Academia, deixando para os vencedores dos Sindicatos a alcunha de francos favoritos. Mas vamos aos comentários rápidos.

  1. Nada de grandes surpresas;
  2. Pensava que a mania "Escafandro e a Borboleta" havia passado, mas pelo jeito o longa ainda é moda por lá, tanto que levou dois Globos ontem;
  3. Mais uma vez Paul Thomas Anderson foi ignorado;
  4. "O Gângster" também não foi lembrado;  
  5. Tim Burton ainda é o cara;
  6. Johnny Depp também - depois da 8º indicação levou o primeiro Globo de Ouro;
  7. A moda continua sendo encarnar grandes nomes da música mundial, e Marion Cotillard levou o prêmio de Melhor Atriz/Drama em "Piaf";
  8. E Cate Blanchett, de Atriz Coadjuvante em "Não Estou Lá";
  9. A única surpresa é que "Desejo e Reparação" ganhou apenas dois dos sete que concorria.

Abaixo você confere os vencedores, esperando que o Oscar não seja cancelado também...

Globo de Ouro 2

Os Donos da Não-Festa

Melhor Filme Drama - "Desejo e Reparação"

Melho Filme Comédia/Musical - "Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet"

Melhor Diretor - Julian Schnabel, "O Escafandro e a Borboleta"

Melhor Roteiro - Ethan e Joel Coen, "Onde os Fracos Não Têm Vez"

Melhor Ator Drama - Daniel Day-Lewis, "Sangue Negro"

Melhor Atriz Drama - Julie Christie, "Longe Dela"

Melhor Ator Comédia/Musical - Johnny Depp, "Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet"

Melhor Atriz Comédia/Musical - Marion Cotillard, "Piaf – Um Hino ao Amor"

Melhor Ator Coadjuvante - Javier Bardem, "Onde os Fracos Não Têm Vez"

Melhor Atriz Coadjuvante - Cate Blanchett, "Não Estou Lá"

Melhor Filme em Língua Estrangeira - "O Escafandro e a Borboleta" (França/EUA)

Melhor Animação - "Ratatouille"

Melhor Trilha Sonora - Dario Marianelli, "Desejo e Reparação"

Melhor Canção Original - "Guaranteed", "Na Natureza Selvagem"

Resumo da Semana (7 a 13 jan)

Semana muitíssimo proveitosa. Foram cinco longas em casa e mais um no cinema - "Antes só do que Mal Casado", crítica logo, logo.

"Saneamento  Básico - O Filme" (Idem, 2007). De Jorge Furtado

Furtado é um dos maiores diretores brasileiros no momento, ele faz comédias juvenis como ninguém - vide "Meu Tio Matou um Cara" -, além usar o mesmo humor em projetos ambiciosos como esse em que discute: o que é mais importante, o puramente pragmático ou o que o homem tem de mais especial, sua cultura? O resultado está poucos passos atrás de sua obra-prima, "O Homem que Copiava". Nota: 8,5

"Rogue - O Assassino" (War, 2007). De Philip G. Atwell

Quem já me viu falando sabe que gosto do estilo de Jason Stathan para filmes de ação. Ele continua bem aqui, porém não o roteiro, nem a direção. Não há nada em "Rogue" que não se tenha visto em outros filmes do gênero "policial-pancadaria". Até o clichê de vingança contra o matador do parceiro tem destaque. Não enjôa, mas não convence. Nota: 6

"O Conde de Monte Cristo" (The Count of Monte Cristo, 2002). De Kevin Reynolds

Reynolds faz boa adaptação do livro de Alexandre Dumas já fartamente trazido para o cinema. A ótima história de vingança de Edmond Dantes não ganha muito em originalidade, mas tem bom elenco - a exceção está na fraca atuação de Guy Pierce - e é levado na ascendente pelo diretor. É apressado, contudo faz-se bom passatempo. Nota: 7,5

"Austin Powers - Um Agente Nada Discreto" (Austin Powers - International Man of Mystery, 1997). De Jay Roach

Se há uma paródia definitiva para os filmes de James Bond, ela pode ser os dois primeiros longas de Austin Powers. Nesse, que abriu a - até agora -  trilogia, muita pscicodelia e boas piadas sexuais, algo totalmente com os anos 60 dos quais o agente secreto sai. O choque que ele sofre ao acordar na década de 90 depois de 30 anos congelado é o grande mote do longa. Nota: 8

"Moulin Rouge - Amor em Vermelho" (Moulin Rouge!, 2001). De Baz Luhrmann

"Chicago" deve seu Oscar de Melhor Filme a "Moulin Rouge", que trouxe de volta ao mainstream os grandes musicais tão amados pela Academia. Extremamente original e fazendo uma incrível fusão de clássicos da música pop para ilustrar suas loucas sequências de cantoria, o filme derrubou há alguns anos o preconceito desse blogueiro que vos escreve para com o gênero. Nota: 9,5

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