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Trilha

Parece que o Trilha agora é bimestral, né? Da última vez que ele apareceu por aqui foi em 5 de outubro! Mas com esse tempo todo dá pra peparar melhor algumas coisas.

Depois da aparição de longas como "Donnie Darko" e "Prenda-me se for Capaz", repito um diretor pela primeira vez: Danny Boyle. E não é à toa, ele é um dos caras que melhor usa a trilha sonora para sublinhar as cenas de seus filmes. No final de julho "Extermínio" foi a atração principal do Trilha, agora é a hora do filme que pôs o nome de Boyle no mundo do cinema, "Trainspotting", de 1996, ainda hoje o maior sucesso de crítica da carreira do inglês.

Poderia escolher várias cenas daquela fita para trazer a vocês - e não se assuste quando o filme voltar a essa seção. Os primeiros minutos, no entanto, se destacam não só pela ótima música mas pelo texto absurdamente sarcástico e inteligente. Ewan McGregor está brilhante como Renton e as batidas da canção são como um compasso a definir os cortes na edição.

Com vocês "Lust for Life" de Iggy Pop a serviço dessa ótima trilha.

Crítica: 30 Dias de Noite

            O conceito da graphic novel homônima que inspira “30 Dias de Noite” (30 Days of Night, EUA/Nova Zelândia, 2007) parte de uma premissa fantástica: numa região do frio estado norte-americano do Alasca, em determinada época do ano, os moradores são obrigados a passarem exatos 30 dias mergulhados na mais completa escuridão. Logo, como é de se imaginar, um grupo de vampiros descobre que ali podem armar um belo banquete. É quando a pequena cidade de Barlow e seus pouco mais de 150 habitantes passam por momentos de puro horror.

           

            Como criatividade se tornou algo cada vez mais raro nos filmes de terror de Hollywood, para a adaptação contrataram o diretor David Slade, destaque em 2005 com o esperto suspense “MeninaMá.com”. Ele não deixa por menos, e a despeito dos problemas de ritmo do longa, elabora cenas de beleza muito sombria. Quando para isso não contrasta o vermelho do sangue que jorra generosamente por todo o filme, trata de mostrar o quanto a cidade gelada pode ser opressora em sua brancura e distanciamento do mundo. Ben Foster, como o estranho que chega a Barlow, logo no início da produção exemplifica muito bem a condição do povoado ao andar na neve afundando-se até o joelho enquanto a câmera se afasta e faz dele um pequeno ponto naquela imensidão.

 

            A inteligência do roteiro em certos momentos opõe-se a deslizes quase inexplicáveis. Se no início tudo é muito bem armado ao cortar todas as ligações dos humanos da trama com o mundo - celulares, cães puxadores de trenó, energia elétrica, etc -, os roteiristas Stuart Beattie, Brian Nelson e Steve Niles (criador da HQ) se repetem em várias passagens e finaliza o longam de forma apressada, mesmo com a ótima idéia que utilizam para isso.

            Slade, ao contrário, cria boa dinâmica entre os personagens antes de a história engrenar – leia-se: antes da chacina. Quando esta começa, “30 Dias de Noite” beira o gore, o que não é algo necessariamente ruim. Entretanto, a elegância de planos como o que acompanha a matança num vôo da lente do diretor, somadas à bela fotografia de Jo Willems, conferem um ar menos podreira à fita – ainda que cabeças sejam decepadas e feridas, expostas -, além de estabelecer boa tensão em vários momentos.

 

            O longa acaba se aproximando de outros que tentam trazer os vampiros ao mundo de maneira menos fantasiosa, a exemplo de “Um Drink No Inferno”. Igualmente espertos aos chupadores do filme de Robert Rodriguez e também preocupados apenas em matar sua fome, os seres de Slade são baixos em suas táticas e se destacam na figura de seu líder vivido por Danny Houston. Seu antagonista é o xerife Eben Oleson e tem o rosto de Josh Hartnett, que mostra serviço, parecendo saber escolher cada vez melhor seus papéis desde “Sin City” – antes ele protagonizou pérolas como “Pearl Harbor” e “Divisão de Homicídios”.

           

            Mesmo com sua estrutura abalada pelas idas e vindas dos personagens por esconderijos, o que acaba repetindo situações de perigo, “30 Dias” prende a atenção e reserva um ou outro drama interessante. Estes poderiam ser os pontos altos do terror, mas nem casos como o do policial que mata sua família para não deixá-los para os sanguessugas, é explorado à fundo. Ao que parece o foco aqui esteve sempre no sangue e não em quem o derrama.

 

            Nota: 7,5

Continuação?

Os filmes brasileiros "Tropa de Elite", "Cidades dos Homens" e "Mutum" foram escolhidos para participar de mostras compeitivas no Festival de Berlim de 2008. Enquanto o longa de José Padilha sobre o BOPE concorrerá ao prêmio principal, o Urso de Ouro, os outros dois estarão nas chamadas categorias Generation. "Cidade" será estará na 14plus, categoria em que longas são julgados por adolescentes, já "Mutum" será classificado através da opinião de crianças na categoria Kplus. Os vencedores levam para casa o Urso de Cristal.


Certo, notícia dada, outro fato chama a atenção. No site oficial do Festival de Berlim, o anúncio dos dois longas brasileiros que competirão nas mostras secundárias traz uma informação no mínimo curiosa. "Cidade dos Homens" é tido como continuação de "Cidade de Deus""the eagerly awaited sequel to the Brasilian cult film City of God, will be screened in the 14plus competition".

Lobby?

No máximo chamaria o trabalho de Paulo Morelli de spin off do "cult film" de Fernando Meirelles. Mas com um marketing desse quem sabe não levamos um prêmio na capital alemã?

  

Além 14

Meus escritos sobre Beowulf chegam ao Cinema e Vídeo.

Nunca Serão!

Brad Pitt já se foi, agora Edward Norton segue o mesmo caminho. O atraso nas filmagens de "State of Play" depois da desistência de Pitt causou um conflito na agenda de Norton, que produzirá e estrelará "Leaves of Grass". Para substituir o novo Hulk, Ben Affleck foi convocado. Semanas atrás correu a notícia de que Russell Crowe estaria praticamente acertado com a Universal para pegar o lugar deixado pelo marido de Angelina Jolie. Agora o projeto que estava sendo vendido como o reencontro da dupla de "Clube da Luta" tem de arrumar outra estratégia de marketing.

"Wall-E" promete ser o filme mais maduro da Pixar até aqui. Sua história sobre a existência solitária do robô-lixeiro que nomeia o projeto dá margem para algo perto de um "2001" juvenil. O novo trailer da animação é ótimo e não traz um diálogo sequer, estariam nos avisando de alguma coisa? Confira.


Resumo da Semana

Mantendo a média: dois filmes em casa - nenhum inédito -e um no cinema - "30 Dias de Noite"

"Fahrenheit 11 de Setembro" (Fahrenheit 9/11, 2004). De Michael Moore

Um dos documentários mais bombásticos da história, feito para bater forte e colocado em George. W. Bush. Não chegou a evitar a reeleição do atual presidente norte-americano, mas mostrou a que veio com denúncias e o estilo inconfundível de Moore, que já fez escola. Mesmo depois de três anos desde a primeira conferida, ainda o considero um dos melhores documentários que já vi. Nota: 8,5

"Blood - The Last Vampire" (Idem, 2000). De Hiroyuki Kitakubo

Animê cheio de estilo mas com alguns problemas de roteiro. Aqui tudo acontece muito rápido, conhecemos a assassina Saya e descobrimos que algo está errado numa base norte-americana no Japão, logo os seus contratantes - algo como a CIA - a põem à caça de criaturas sedentas de sangue, mas que não são exatamente vampiros. Com cerca de 50 minutos, esse movie não chega a frustrar, contudo tudo se desenrola de maneira muito simples, logo vem o sentimento de que algo já vinha se desenrolando e pegamos o filme pela metade. Se não fossem as boas cenas de ação e a ótima concepção visual a animação não teria muito o que mostrar. Uma refilmagem em live-action está a caminho para 2008. Nota: 8,0

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