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Crítica: Planeta Terror

           Tido por muitos como um copiador do estilo de Quentin Tarantino, Robert Rodriguez há muito já provou ter talento próprio em longas como “A Balada do Pistoleiro” e “Sin City”. Tudo bem que ele guarde alguns maneirismos próximos aos do diretor de “Pulp Fiction”, mas se fosse o caso de chamá-lo de plagiador, o próprio plagiado deveria ser mortificado pela quantidade de reciclagens que faz – ou alguém aí acha que foi ele que inventou os duelos de espadas de “Kill Bill”?

 

            Deixando essas histórias de lado, os dois voltam a colaborar entre si no financeiramente rechaçado “Grindhouse”. Homenagem aos filmes B – C ou D – que salas pulguentas norte-americanas passavam em dose dupla a preços baixos, o projeto era trazer um filme de zumbis de Rodriguez, seguido da história do matador de Quentin, unidos por trailers falsos dirigidos por amigos como Eli Roth e Rob Zombie. Contudo a produção teve resultados pífios nas bilheterias yankess, o que forçou a Weinstein Company a dividir os longas, que seriam relançados em datas diferentes, para recuperar o dinheiro investido.

 

            Segundo os próprios produtores, o motivo do fracasso seria a extensa metragem da sessão – algo próximo de 180 minutos. A se julgar pela estréia brasileira do que era a primeira metade de “Grindhouse”, “Planeta Terror” (Planet Terror, EUA, 2007), a justificativa não passa de balela. De ótimo humor, a película ainda trás um elenco afiadamente canastrão.

            Muito provavelmente o grande público norte-americano não entrou na onda de nostalgia dos diretores, aplicados conhecedores de longas de segunda. Acostumados com filmes ultra-limpos, bem no estilo “quanto-menor-a-censura-mais-se-fatura”, a molecada estadunidense, principal filão a deixar dólares nas salas, não aprovou o estilo exagerado e empoeirado que mostra Rodriguez.

 

            O filme trata de uma invasão de mortos-vivos depois do vazamento de um gás tóxico que leva as pessoas a se tornarem ávidos apreciadores de carne humana. Ademais o que se tem é o desfile de feridas nojentas, mortes sanguinárias e Rose McGowan. Aliás, que se faça justiça, ela é o destaque de um elenco que se conecta perfeitamente com tudo o que “Planeta Terror” quer ser, uma homenagem/paródia das mais inventivas. Ela, no entanto, está deslumbrante como a dançarina Cherry Darling e leva o filme no bolso – ou seria no decote? Robert Rodriguez a filma com tamanho gosto que parece querer compartilhar sua nova paixão com o público.

 

            Astros como Bruce Willis e mesmo Tarantino fazem suas pontas como manda o figurino. Estão lá para se divertirem e também à platéia, enquanto as cenas de ação mostram-se bem originais e hilárias – a certa altura, Cherry ganha uma AR-15 no lugar da perna direita levada pelos zumbis e arrebenta com os inimigos que se atrevem a desafiá-la. Enquanto vão acontecendo as amputações, piadas e mortes, a ótima trilha sonora bate forte nos ouvidos do espectador.

 

            “Planeta Terror” é antecedido pela prévia do inexistente “Machete”, ainda mais clichê que qualquer passada de sombras na frente da câmera do longa de Rodriguez, também autor do trailer. Não se surpreenda se você também ficar instigado a assistir ao longa falso estrelado por Danny Trejo. O certo é que se ele te fez abrir um sorriso, a “atração principal” será um prato cheio – nem que seja do churrasco de J.T. Hague, auto-intitulado “o melhor do Texas”.

             

              Nota: 8


Comentários de Última Hora: Um dos protagonistas de "Planeta Terror" é o machão El Wray, seu nome parece ser uma brincadeira com as palavras "O Rei" em espanhol - "El Rei". "À Prova de Morte", o filme que faz dupla com este, tem estréia marcada para março de 2008.

Ele não será só ele - aliás, ele nem será

Brad Pitt acaba de deixar o projeto "State of Play", depois de não concordar com as mudanças de roteiro aprovadas pela Universal Studios. Segundo informações, ele gostaria de aguardar o fim da greve dos roteiristas para que uma nova versão do script fosse feita, mas isso não está nos planos do estúdio.

A Universal pretende processar o ator caso não consiga manter o cronograma de filmagens que já está atrasado. O diretor Kevin McDonaldo já deveria estar detrás das câmeras desde o último dia 15. O que pode afetar a agenda de outras estrelas do filme, como a vencedora do Oscar Helen Mirren.

"State of Play" seria a volta da dupla de atores Brad Pitt e Edward Norton oito anos depois de seu bem-sucedido encontro em "Clube da Luta".

Inspiração

Li hoje algo que me deixou curioso. No comentário de Rubens Ewald Filho sobre "Ratatouille", que já está nas locadoras, ele nos informa que o personagem Anton Ego, um dos mais interessantes da animação, foi inspirado nas feições do ator francês Louis Jouvet. Como a aparência de Ego é das mais sinistras, tinha de ver com meus olhos sua semelhança com Jouvet. Apenas com uma busca rápida de imagens no Google, fiquei bastante curioso em asssitir o ator em ação, pois o desenho é - ou os pixels são- idêntico(s) ao de carne e osso. Comparem.

Resumo da Semana

Dois longas inéditos em casa - um na frente do computador -, e "Planeta Terror" nos cinemas. Crítica deste, em breve:

"La Jetée" (Idem, 1962). De Chris Marker

Conhecido por inspirar Terry Gilliam e seu "12 Macacos", esse curta de quase 27 minutos prima pela total originalidade. Na verdade, o filme é um marco da ficção-científica, mostrando apenas em uma montagem de fotos em preto e branco e um fino trabalho de edição de som, uma viagem por entre o tempo e a mente de um homem atormentado pela imagem de uma mulher no aeroporto de Paris. É estranho, um tanto medonho e absolutamente genial. Vi por empréstimo de um colega, mas não é difícil de ser achado no You Tube. Nota: 9,5

"Ela é a Poderosa" (Georgia Rule, 2007). De Garry Marshall

Vendido como uma comédia sobre relacionamentos entre três gerações de mulheres, esse filme vai surpreender muita gente esperando apenas um passatempo. Sim, há a discussão de relações aqui, porém de maneira bem mais séria do que se pensa. Há um alívio cômico em uma ou outra cena, mas o mote do longa é abordar limites, distanciamento e reconciliação de maneira bem espinhosa. O destaque fica todo para o trio de protagonistas: Lindsay Lohan, Felicity Huffman e Jane Fonda. Dica: esqueça o título nacional horroroso. Nota: 7,5

Concorrência

Não à toa "Persepolis" vem sendo cotadíssimo para o Oscar nas categorias de Melhor Filme de Animação e Filme Estrangeiro, ou até na principal, de melhor longa do ano. Confiram o trailer e saibam o motivo do alvoroço.

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