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Crítica: Superbad - É Hoje!

           Você odeia aqueles filmes adolescentes cheios de baixaria, garotos loucos por uma transa e com zero de massa cinzenta, além de mulheres tratadas como objetos. O que te levaria, então, a ver um filme como “Superbad – É Hoje!” (Superbab, EUA, 2007)? A primeira resposta seria um sonoro “nada!”, mas no caso do longa de Greg Mottola é possível uma análise um pouco mais a fundo antes da recusa.

           

Como tantas outras comédias do tipo, essa fita também trata de jovens colegiais que rumarão para suas faculdades e tentam de toda maneira perder sua virgindade. E como deve ter vindo à sua cabeça, eles não são nenhum modelo de beleza e têm popularidade baixa. Seus nomes: Seth (Jonah Hill), Evan (Michael Cera) e Fogell (Chritopher Mintz-Plasse). Sua missão: conseguir as bebidas para a festa que poderá ser sua última chance de terem alguma relação sexual antes de deixarem a escola.

 

Feitas as devidas apresentações, é partir daí que “Superbad” se afasta de coisas como “American Pie”. Na verdade, desde o início você já percebe algo diferente. Não se tem na tela adultos relembrando seus 15 anos, mas adolescentes de verdade, se comportando como tal e falando naturalmente como entre amigos. Dos protagonistas, apenas Jonah Hill nasceu antes da segunda metade da década de 1980 - não à toa se mostra o mais “experiente” da turma. Um detalhe que faz toda a diferença na identificação entre platéia e personagens. Fato que conta com grande ajuda dos três atores, todos ótimos em seus papéis – destaque para Cera.

Sem nenhum problema em soltar palavrões atrás de palavrões, o roteiro vai se tornando cada vez mais interessante ao se aproximar da temática de uma obra-prima jovem, “E Sua Mãe Também”. Assim como o filme de Alfonso Cuarón, aos poucos o espectador começa a perceber que acompanha as últimas farras de amigos que irão se separar em breve. A cena em que Seth e Evan dormem lado a lado e demonstram que realmente se amam (fraternalmente, que fique claro) é um achado ao explorar a comicidade de um momento, digamos, tão íntimo.

 

“Superbad” pode ser rotulado como um filme-baixaria com cérebro e sensibilidade, mas não deixa de ser daquelas comédias de chorar de rir, com o detalhe de não precisar apelar para qualquer tara bizarra como molestar uma torta. As situações são por si só exageradas e constrangedores o bastante para que não se precise acionar o lado fantasioso do cérebro.

 

Imagine os protagonistas de “Penetras Bons de Bico” um pouco antes de irem para uma universidade, mas os separe nesse ponto e conte como eles tentaram aproveitar o máximo de seu tempo juntos, e deixe claro que essa amizade fará falta para os dois. Talvez por isso o subtítulo nacional caia tão bem para essa produção: “É Hoje!” dá a real dimensão do que representa aquele dia para eles.

 

Nota: 8

Posteridade

Tanto os fãs da franquia "Alien" quanto os de "Predador" podem ter ficado irados com o lançamento de "Alien vs. Predador" em 2004. Os que não se sentiram ofendidos com o longa de Paul W. S. Anderson agora têm mais uma chance de repensarem sua posição quanto aos caminhos que os personagens vêm tomando na continuação "Alien vs. Predador Réquiem" - o híbrido dos dois seres estelares é algo muito, mas muito bizarro, no mau sentido.

Contudo, o primeiro pôster do segundo longa a pôr frente a frente os bichões tem uma arte bem expressiva e que mostra melhor que o filme original o problema dos humanos com o embate entre as duas raças aqui na Terra. Muito interessante, bem que o longa poderia ser dessa forma. De qualquer maneira, o seu cartaz é o destaque do Posteridade da vez.

Um fauno em Hogwarts

Em 2003, Guillermo del Toro recusou o convite dos produtores dos filmes de Harry Potter para dirigir "O Prisioneiro de Azkaban". Sugeriu e pôs em seu lugar o amigo Alfonso Cuarón. A justificativa era a de que os personagens eram ensolarados demais para suas idéias.

Agora, no entanto, o diretor de "O Labirinto do Fauno" percebeu sombras nos garotos de Hogwarts e disse que poderia dirigir o epílogo das aventuras de Potter, "As Relíquias Macabras". Comparando os últimos livros de J.K. Rowling aos de Charles Dickens, ele estaria "disposto a ser o cara que vai matar todo mundo".

Entenderam o recado senhores da Warner?


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Resumo da Semana

Semana boa, quatro filmes em casa e "Superbad - É Hoje!" no cinema. Vamos lá:

"Metal - Uma Jornada pelo Mundo do Heavy Metal" (Metal - A Headbanger's Journey, 2005). De Sam Dunn

Se a tarefa de um documentário passa por mostrar a realidade, seja ela boa ou não, "Metal" faz muito bem o dever de casa. Entrando no mundo muito particular dos metaleiros, Dunn - um deles - não hesita em falar sobre alienação, machismo ou satanismo, ao mesmo tempo que procura demonstrar que muitas vezes esses temas são pura caricatura do Heavy Metal. Entrevistas com gente como Bruce Dickinson, Lemmy, Alice Cooper e mais. Inédito pra mim. Nota: 8,5

"Quero Ser Grande" (Big, 1988). De Penny Marshall

Clássico absoluto do cinema juvenil que não me canso de rever. Tom Hanks em sua primeira indicação ao Oscar nesse toca num tema pelo qual todo garoto pré-adolescente passa: quem nunca quis ser mais velho aos 12 anos? O mundo nos é apresentado, mas não podemos ir até ele. Josh (Hanks) conseguiu, e adoramos acompanhá-lo. Nota: 8,5

"Um Noite no Museu" (Night at the Museum, 2006). De Shawn Levy

Fiilme família, bastante engraçado, mas sem qualquer novidade e que lembra "Jumanji", inclusive com Robin Williams no elenco. Diverte sem grandes pretensões, talvez por isso foi uma das grandes bilheterias da temporada. Destaque para Owen Wilson na pele do cowboy Jedediah e seu inimigo romano Octavius vivido por Steve Coogan. Nota: 7,5

"A Rocha" (The Rock, 1996). De Michael Bay

Engraçado como nós gostamos dum filme quando o vemos e ao longo dos anos as coisas vão mudando. Aqui foi a mesma coisa, sempre achei "A Rocha" um grande filme de ação, mas dessa vez o vi como apenas um bom longa e mais nada. Bay vinha do sucesso de "Os Bad Boys" e teve um elenco de primeira para esta incursão: Ed Harris, Sean Connery e Nicolas Cage. Eles fazem toda a diferença. Nota: 7,5

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