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Trilha

Voltando com o Trilha quase dois meses depois da última cena com música fodástica. É a empolgação com a Música Cinéfila! E dessa vez trago para a brincadeira um dos maiores clássicos musicais do cinema de rock, "Pink Floyd The Wall".

O filme, lançado em 1982, foi baseado no disco homônimo do grupo inglês, idealizado por Roger Waters em 1979. Ele mesmo não gostou muito do resultado final do musical dirigido por Alan Parker, contudo hoje a obra é cultuada tanto por cinéfilos, quanto por fãs do Floyd.

Com animações baseadas no trabalho criado Gerald Scarfe para a capa do então LP, trago um dos seguimentos mais inventivos e provocadores do longa: "Empty Spaces", com melodia e letra modficadas especialmente para o cinema. Aumento volume.

Caminho do Oscar

Um diálogo nada amigável entre o Capitão Nascimento de "Tropa de Elite" e o garotinho Mauro de "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias". Clique na imagem.

Uma Mais

"Um Convidado Bem Trapalhão" (1968)

Comédia clássica típica (e anárquica) dos anos 60 de Blake Edwards.

Para muitos, a melhor parceria entre Edwards e o ator Peter Sellers.

O remake, por enquanto, tem Jay Roach ("Entrando Numa Fria") no comando e Sacha Baron Cohen ("Borat") como protagonista.

Crítica: Instinto Secreto

Eu já falei de filmes que nos surpreendem. Mas há também aqueles que te levam ao cinema com uma boa expectativa e tudo se sucede às mil maravilhas. Esse pode ser o caso de “Instinto Secreto” (Mr. Brooks, EUA, 2007).

 

Concebido a partir da parceria dos roteiristas Raynold Gideon e Bruce A. Evans, este também diretor, o filme traz como protagonista o intrigante Sr. Earl Brooks (Kevin Costner). Logo de saída já é sabido que ele tem uma inteligente e mordaz segunda personalidade, conhecida apenas como Marshall (William Hurt). Também fica claro o desejo quase incontrolável de matar de Brooks, instigado mais e mais por Marshall. Enquanto a história acompanha o personagem central e sua luta para controlar todo o seu prazer e culpa ao assassinar alguém, a detetive Tracy Atwood (Demi Moore) nunca esteve tão perto de seu alvo, há anos sendo acompanhado por ela.

 

É fácil perceber que a grande atração de “Instinto Secreto” está no Sr. Brooks. Um sujeito que aproveita de sua aparência absolutamente inofensiva e de sua posição de pessoa séria que inicia o longa recebendo um prêmio de “homem do ano” para saciar o que ele mesmo define como vício. E nesse aspecto a caracterização de Costner merece aplausos. Sua gravata borboleta e seus óculos, apesar do clichê, fazem ótimo contraste com seu olhar e prazer que sente ao matar, e até mesmo ao se desfazer, nu, das fotos que tira da cena do crime, quando pede a Deus para não voltar a cometer seus crimes.

Além do bom trabalho de Kevin Costner, William Hurt também merece destaque por sua atuação que vai de um simples menear de cabeça às palmas histéricas como as de uma criança enquanto trava diálogos secos com Brooks. Repare como o diretor, em alguns momentos soltos pelo película, põe os dois para fazer gestos sincronizados ou muito parecidos, ajudando a estabelecer a boa dinâmica entre criador e cria. E se o assunto é a direção, Evans consegue momentos de inspiração como no primeiro assassinato visto na tela. De extrema elegância, ao mesmo tempo a cena é estranha e conta com a reação que talvez melhor defina a posição de Brooks em relação ao vício de matar, com Costner tento um pequeno ataque de prazer ao ver suas vítimas alvejadas.

 

De resto a história trata de trazer algumas interessantes reviravoltas que vão pondo o expectador cada vez mais interessado em seu desfecho. Nem tudo é perfeito, no entanto. Se o protagonista mostra tantas nuances, a antagonista vivida por Demi Moore não tem carisma, muito menos consegue fazer contraponto ao assassino. Assim, parece que as investigações vão tomando um caminho que os roteiristas determinaram e não que aquilo poderia acontecer no mundo real.

 

Violento, “Instinto Secreto” toma o cuidado de não se tornar gratuito ao evitar mostrar muitas das mortes pelas quais a trama passa, deixando para ser gráfico nos momentos certos. Assim como Earl Brooks, o filme tem suas horas em que Marshall comanda o show.

 

Nota: 8

Novidades na novidade

Olha só galera, entre as quase 20 novas músicas na rádio Música Cinéfila estão "Woo Hoo" do The 5, 6, 7, 8's, "Bang Bang (My Baby Shot Me Down)" de Nancy Sinatra, "A Little Less Conversation" do Elvis na versão de JXL, "Love Fool" do Cardigans, "Hurricane" de Bob Dylan, além do tema principal de "Central do Brasil" composto por Jacques Morelebaum. Tem ainda Radiohead, Chuck Berry, Enya, All Saints e o mestre Bernard Herrmann.

Não deixem de continuar ouvindo! Qualquer sugestão, estou aqui para isso.

Valeu!

Resumo da Semana

Domingo anda rendendo, três filmes só nesse dia (repetecos), mais um no cinema, no sábado, "Instinto Secreto".

"O Gigante de Ferro" (The Iron Giant, 1997). De Brad Bird

Se hoje a animação em 2D foi deixada de lado pelos grandes estúdios norte-americanos, há cerca de 10 anos elas eram ainda a porta de entrada desses mesmos estúdios na concorrência pelas animações, contra a Disney. "O Gigante de Ferro" pode ser considerado o grande expoente dessa época, mesmo tendo sido um fracasso nas bilheterias. A estréia de Bird nos longas é bem escrita, emocionante e extremamente bem acabada visualmente. Não deixa nada a desejar a seus trabalhos posteriores: "Os Incríveis" e "Ratatouille". Nota: 9

 

"Todo Poderoso" (Bruce Almight, 2003). De Tom Shadyac

Quando vi pela primeira vez essa comédia, juro que a achei mais interessante. O argumento é muito bom: Deus dá seus poderes a um homem e o deixa governar o mundo. Mas se você reparar bem as situações acabam sendo exploradas de maneira muito rasa e repetitiva - a rua engarrafada e a sopa sendo abertas são a mesma piada. Jim Carrey também exagera um pouco na atuação, mas ainda mostra talento. No final, algumas piadas salvam o filme do tédio, mesmo com o final meloso. Nota: 6

 

"A Identidade Bourne" (The Bourne Identity, 2002). De Doug Liman

Um projeto sem um terço da pretensão de qualquer James Bond que foi bem visto, ganhou importância e hoje tem no cinema sua terceira aventura. Aqui há um thriller cheio de ação e roteiro esperto, contando como Jason Bourne perde sua memória e descobre ser uma experiência da CIA. Inteligência e estilo juntos com ótimos resultados. Nota: 8


Comentários de Última Hora: A música tema da Trilogia Bourne, "Extreme Ways", de Moby, pode ser ouvida na rádio Música Cinéfila. Fiquem ligados.

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