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Crítica: Duro de Matar 4.0

            Harry Potter está no sua quinta aventura no cinema, já foi anunciada a data para estréia de Shrek 4, Batman com “The Dark Knight” terá seu sexto filme e se até “Star Wars” foi retomado depois de 16 anos, por que John McClane não voltaria? Mesmo 12 anos depois de sua última incursão na telona, ele tem fôlego para umas explosões a mais.

 

“Duro de Matar 4.0” (Live Free or Die Hard, EUA, 2007), marca a volta do personagem que deu fama à Bruce Willis no final da década de 1980, além de ser a série cinematográfica que concebeu um novo tipo de herói no cinema, aquele que sofre pacas antes de salvar o mundo. Era o oposto dos fortões no estilo Stallone, que com uma arma e muita força bruta dizimavam um exército inteiro.

              E como não poderia deixar de ser, mais uma vez McClane entra totalmente de gaiato num imbróglio de proporções gigantescas. Fazendo um favor a um amigo, ele vai à casa do hacker Matt Farrell (Justin Long) apenas para escoltá-lo até a delegacia mais próxima. Obviamente a situação vai se complicar um bocado. É que o jovem fã de Spawn está envolvido com os terroristas responsáveis por um ataque em massa aos sistemas de controle financeiro e serviços básicos norte-americanos.

Enquanto John vai aos trancos tentando resolver a questão, Farrell lhe dá as coordenadas mais técnicas para avançar no salvamento do país. Uma escolha acertada do roteiro, ao deslocar o policial dos detalhes tecnológicos, uma vez que sua persona meio troglodita em relação à era digital mostra bem sua idade e limitações, além de dar boa dinâmica com seu parceiro da vez – ele é bom de dupla, em seu terceiro longa fazia uma parceria ótima com Samuel L. Jackson.

 

Falando sobre tecnologia e a dependência humana à ela – em certo momento Justin Long protagoniza uma hilária súplica para que o computador de bordo de um carro dê a ignição no motor -, “Duro de Matar 4.0” tem cenas de ação incríveis, que mesmo com certo grau de exagero, divertem e fazem a platéia urrar, literalmente. Todas elas sendo finalizadas com as ótimas tiradas de McClane. Ele se esfola todo depois de pular de um carro em movimento, apanha de uma integrante do time de vilões, foge de centenas de tiros e ainda tem de aturar o sarcasmo de hiper nerd vivido por Kevin Smith, tudo com um humor que só ele poderia ter. A seqüência na qual derruba um helicóptero jogando uma viatura em cima dele e seu sorriso cínico ao ver o que acaba de fazer, resumem sua carreira na corporação policial e seus filmes até aqui. As duas merecem medalhas de congratulações.

 

Nota: 8

Além 5

Extra! Extra! "Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado" por Vinícius no Cinema & Vídeo!

Crítica: Ratatouille

A história dos estúdios Pixar tem certa tangência com a de Brad Bird, um dos seus diretores mais talentosos. Os dois surgiram pequenos no mundo cinematográfico, o que não lhes impediu de serem ovacionados com suas primeiras criações – a Pixar com o curta “Tin Toy”, depois com “Toy Story” e Bird com “O Gigante de Ferro”. Um foi tão grande que derrubou a Disney do primeiro lugar nos longas animados, o outro foi grande demais para o então recém-criado departamento de animações da Warner no qual debutava. E até agora a principal características de estúdio e criador é a regularidade de suas crias. Enquanto a Pixar tem apenas um pequeno escorregão com “Carros”, Bird consegue, mais uma vez se superar.

 

            “Ratatouille” (Idem, EUA, 2007) é o novo passo à frente do diretor, que antes trouxe ao mundo a sátira/homenagem aos quadrinhos, “Os Incríveis”. Dessa vez ele conta a história do ratinho Remy, um indivíduo muito especial em sua espécie. Dono de um paladar e olfato muitíssimo apurados, ele recusa-se a comer qualquer coisa como um roedor comum. Seu sonho é estar ao lado de um verdadeiro cheff – ou sê-lo. Seu ídolo é Gusteau, dono do restaurante mais badalado da cidade de melhor culinária no mundo, Paris. Quando o famoso cozinheiro morre, o restaurante passa às mãos de Skinner, que começa a criar pratos congelados a partir das receitas de Gusteau. O novo chefe recebe, então, mais um empregado, Linguini. Ele também sonha em cozinhar, mas não tem o talento em si. Nessas voltas que o mundo dá, ele acaba amigo do ratinho Remy e os dois se tornarão a sensação da culinária parisiense. Enquanto o humano é a cara, o roedor é a criatividade da dupla. Claro que o segredo de que um não é nada sem o outro terá de ser bem guardado.

 

            Ao assistir à animação tem-se a sensação de que a velha história de superar seus limites raramente foi tão bem contada. Culpa do roteiro que mistura cenas de puro humor pastelão com situações curiosas como quando Remy anda perdido pelos esgotos de Paris sem saber onde está, e também momentos de puro lirismo – os minutos finais quando o crítico Anton Ego vai aos Gusteau’s e faz sua reflexão são de uma beleza extraordinária.

             E mais, quem não sair do cinema com vontade de comer algo bem elaborado merece uma crítica tão medonha quanto às piores que Ego pode escrever. Os vários pratos que passam pela tela são uma ode ao bom paladar. Em determinado momento, um personagem explica que para se saber se o pão está realmente fresco é preciso apertá-lo e ter atenção ao som que ele emite. Escutar aquele barulho típico de um pão assado há pouco, é de encher a boca d’água. Se um filme pode ser avaliado pelo quanto mexe com o espectador, “Ratatouille” figura entre os melhores ao fazer estômagos clamarem por uma sopa realmente gostosa ou algo do tipo. Ponto para os animadores do longa, que fazem tudo muito real, da omelete preparada por Remy na casa de Linguini ao prato que marca o ápice do filme e lhe dá nome.

 

            Outra boa escolha de Bird e sua equipe é tratar tudo à lá M. Night Shyamalan, ou seja, o fantástico com pés bem fincados no verossímil. Assim não temos um diálogo travado entre humanos e ratos, mesmo que eles acabem se entendendo. E ver um desses bichinhos numa cozinha não seria algo muito agradável como deixa claro o filme, ainda que ele tenha o cuidado de lavar suas patas dianteiras antes de preparar o jantar.

 

            Sem dúvida, esse é um dos grandes concorrentes ao Oscar de Melhor Filme de Animação de 2007. E mais que isso, a Pixar, que parece querer dar novos passos em outras direções mais pretensiosas – seu próximo trabalho “Wall-E” versa sobre um robô que ganha consciência de si – mostra que filmes de bichinhos fofinhos podem ser bem mais que algo a se achar bonitinho, mas, sim, levado muito à sério, ao falar sobre rejeição, vaidade, sonho e até machismo, na figura de Collete, única cheff em maio a vários homens. Tudo de forma madura e leve. Imperdível.

 

Nota: 9

On DVD

Só para constar:

Desde 19 de julho, "Um Beijo a Mais" está nas locadoras. Tem que ver!

Michelangelo Antonioni

 Michelangelo Antonioni

O gênio italiano faleceu nesta segunda-feira.

Ele foi o vencedor da Palma de Ouro em Cannes com "Blow Up - Depois daquele Beijo" (1966), ganhou duas vezes o Prêmio do Júri também Cannes por "A Aventura" (1960) e "O Eclipse" (1962), além do Prêmio Especial do 35º Aniversário do festival com "Identificação de uma Mulher" (1982).

Ingmar Bergman

Morreu aos 89 anos, o maior cineasta sueco de todos os tempos, Ingmar Bergman. Sua filha informou que ele estava na sua casa no Mar Báltico quando faleceu.

Ele era daqueles artistas cinematográficos que filmava cenas de tal forma que não era preciso movimento. Fazia pinturas com sua câmera.

Resumo da Semana

Penúltima semana de férias e os filmes vistos em cinema têm aumentado ("Ratatouille" e "Duro de Matar 4.0") , enquanto os em casa, não. Apenas um (de novo)...

"King Kong" (Idem, 1933). De Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack

Sem dúvida alguma um dos melhores negócios que já fiz na minha vida: incluí esse clássico em versão dupla para minha coleção de DVD's por apenas R$ 6 (seis reais!!!) num queima de estoque de um hipermercado. E que custo-benefício! Não titubeio em dizer que a refilmagem de Peter Jackson, apesar de divertida e de efeitos visuais bacanas, não é páreo para essa obra-prima do stop-motion. Ao contrário do que se pode esperar, o filme sobre o macacão, em 1933, não economiza boas tomadas com os bichões gigantes da Ilha da Caveira, com uma direção e elenco incrivelmente bons. Naomi Watts não chega aos pés do "carisma-canastro" de Fay Wray como Ann Darrow. E tenho dito! Nota: 8,5

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