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Crítica: Transformers

           Hollywood já passou pelos quadrinhos, adaptou inúmeros livros, cansou de refilmar terrores orientais, anda revisitando com gosto seus próprios exemplares do gênero da década de 1970 e continua sendo um ávido reciclador de obras alheias. A chegada de “Transformers” (Idem, EUA, 2007) aos cinemas com toda pompa de um blockbuster, abre um caminho ainda pouquíssimo explorado pela indústria cinematográfica norte-americana, a dos desenhos animados.

 

            À exceção da tosca produção “He-Man e os Mestres do Universo”, de 1987, não se tem muitas notícias de um desenho animado levado às grandes telas. Não por falta de especulações, que já deram conta de “Thundercats” e “Caverna do Dragão” nos cinemas (até mesmo elencando atores).

           

            O que torna “Transformers” um caminho sem volta em adaptações é o montante que ele vem arrecadando nos cinemas. Afinal de contas, esse é o grande motor hollywoodiano. Mas o filme não fica só nisso. É possível se divertir vendo a briga dos robôs gigantes. Algo de se estranhar ao ler nos créditos o nome de Michael Bay como diretor.

           

            Como se sabe, ele é o responsável por bombas no estilo “Pearl Harbor” e “A Ilha”, os quais qualquer sinal de profundidade é logo substituído por explosões e tiroteios. Aqui, entretanto, ele mostra o mínimo de sutileza e um bom humor só comparado ao primeiro “Os Bad Boys”, isso há mais 10 anos atrás.

              O enredo que põe frente a frente duas facções de robôs – os bons Autobots e o maus Decepticons - vindos do planeta Cybertron, numa guerra em busca do Cubo de Energon (no filme chamado de All Sparks) que lhes deu vida, garante excelentes momentos de ação, especialidade do diretor. As atuações de Shia Labeouf e seus pais ainda reservam à produção o fator humano, algo inexistente em trabalhos anteriores de Bay.

 

            “Transformers” acaba se tornando uma surpresa, ao se imaginar que robôs de vários metros de altura poderiam agradar tanto a uma platéia de fãs do desenhos quanto aos não iniciados. O tema altamente nerd se torna uma sessão pipoca que só não é melhor por algumas piadinhas dignas de humorísticos de sábado à noite – mesmo o bom-humor sendo um dos pontos fortes da aventura – e algumas sub-tramas exageradamente desenvolvidas. Em resumo, o filme carecia de uma enxugada, retirando os excessos e deixando só o que interessa: espaço para os bons atores, a pancadaria das máquinas alienígenas que tomam forma de veículos terráqueos e algumas risadas, afinal ninguém é de ferro (sem trocadilhos).

           

            No mais, além da abertura de um novo nicho de exploração do cinema, esse mais recente trabalho de Michael Bay se torna o grande concorrente ao Oscar de efeitos visuais do ano, disparado. Você pode até não gostar do filme, mas não há como tirar os olhos em busca dos detalhes dos robôs se desdobrando entre sua forma real e a que escolheu na Terra. 

Nota: 7

Além 3

A vez foi de "Treze Homens e um Novo Segredo". Cliquem!

"Atores", e não Atores

David Schwimmer

Algumas pérolas protagonizadas pelo "Ator"

Eu não sou fã de Friends, mas com um currículo desses eu o preferia na finada série. E não por que ele seja um ator de verdade. Filmes bons mesmo (e não por sua causa), só "Madagascar" (dublando Melman) e "O Aprendiz", de Bryan Singer, no qual ele capricha num bigodão no melhor estilo Borat.


Cometários de Última Hora: Com essa cara de passado, fico imaginando o papel de Schwimmer num filme chamado "Violação Fatal". Imagino um ultra light snuff movie. Cômico, claro.
O peso dos anos

A idade, o um dia Batman e Jim Morrison pode até esconder, mas o "peso" dos anos, Val Kilmer anda deixando bem evidente.

Sem segunda parte nos cinemas

A continuação de "O Abergue" não será exibida nos cinemas brasileiros, indo, muito provavelmente, direto para o mercado de DVD. A informação vem da distribuidora Columbia Pictures. Haverá os que reclamarão, haverá os que achem uma sábia decisão (me inclua nessa, afinal, tirar das salas uma continuação caça-níquel de um filme ruim dá espaço para coisas mais interessantes, em teoria, claro).

Aposentadoria

O cineasta Ivan Santos anunciou sua aposentadoria depois de não figurar na lista dos beneficiados com o apoio finaceiro da Petrobras. A empresa informa que uma comissão analisa e escolhe os melhores projetos. Nesse caso, 28 roteiros foram aprovados para o recebimento da verba governamental.

Santos condenou o processo e ainda disse que o cinema nacional só sobrevive com ajuda do Governo Federal. "Diretores e produtores fazem filmes milionários com dinheiro público, que nunca seriam pagos pela bilheteria", afirmou.

"Faroeste Caboclo" de René Sampaio, "A Morte e a Morte de Quincas Berro D'água" de Sérgio Amaral e "O Bem Amado" de Guel Arrais são alguns dos filmes custeados pelo incentivo da Petrobras.

Ivan Santos já dirigiu uma dezena de longas-metragens, entre eles "Nosferatu In Brazil" (1970), "Sexo, Drogas e Rock n' Roll" (1999) e "A Marca do Terrir" (2005).

Ivan Cardoso

Crítica: Harry Potter e a Ordem da Fênix

Diferentemente do que tem acontecido com a maior parte das trilogias que Hollywood vem fazendo, os longas de Harry Potter só ganham em emoção e maturidade. Em sua quinta (veja bem: quinta) incursão na grande tela, “Harry Potter e a Ordem da Fênix” (Harry Potter and the Order Of Phoenix, EUA/Reino Unido, 2007), o bruxo consegue sua aventura mais esperta e inteligente até aqui.

 

Após ter contato com a morte e outros assuntos espinhosos em “O Cálice de Fogo”, é a vez Potter sentir todo o peso de ser quem é, com o agravante de passar pela adolescência, um dos períodos mais conturbados na vida de qualquer um. Em Hogwarts, poucos o levam a sério quando fala sobre a volta de Lord Voldemort, enquanto a subsecretária do Ministério da Magia, Dolores Umbridge (uma verdadeira Hitler), leva à mão de ferro sua incursão como professora na escola. Paralelamente os magos mais experientes (Moody, Sirius, Lupin e outros) organizam-se contra o levante que o senhor das trevas vem promovendo no mundo da magia.

 

Muito mais maduro que qualquer outro filme da série, “A Ordem da Fênix” mescla conteúdo político, mágica e drama de uma forma muito interessante, ao mesmo tempo em que o tom soturno toma conta de todos os fotogramas da película. Herança de Alfonso Cuarón em “O Prisioneiro de Azkaban”, terceiro filme e único a poder figurar ao lado dessa produção em termos qualitativos.

 

Com boas reviravoltas (o que sempre foi um ponto fraco na franquia), a tensão paira durante todos os 138 minutos de projeção. Mesmo nos momentos iniciais o público é impactado com cenas como o ataque dos Dementadores a Potter e seu primo Duda. É nela, por exemplo, que pode-se verificar a boa direção de David Yates, uma escolha corajosa dos produtores para assumir o cargo, afinal essa é sua primeira grande produção. Com muita câmera na mão, Yates insere o espectador no filme, fazendo com que toda a ação se torne mais palpável, talvez por isso a tensão tende a se manter em níveis altos.

 

Tanto cuidado no conteúdo pode ser um dos motivos do descuido com os efeitos especiais. Dessa vez, ao contrário dos dragões e lobisomens criados anteriormente, volta-se aos tempos do troll ou do basilísco dos dois primeiros longas. Ou seja, pixels sem qualquer emoção ou carisma.

 

O que é prontamente compensado por um elenco afiado, no qual se destacam o protagonista Daniel Radcliffe, a professora de Imelda Stauton, além da novata Evanna Lynch, como a avoada Luna Lovegood. O primeiro se mostra um verdadeiro ator, que sabe trabalhar raiva, melancolia e pesar de forma verdadeira. A veterana Stauton põe um irritante sorriso no rosto e mascara suas reais intenções, quase roubando o filme para si. Da mesma forma que Lynch e sua graça. Ela tem um ar de mistério que promete bastante nas próximas aventuras cinematográficas de Harry.

 

Como destaque, ainda, estão os bem amarrados minutos finais de “A Ordem da Fênix”, quando se tem em combate Gary Oldman (sempre ótimo), Michael Gambom, Jason Isaacs, David Thewlis, Ralph Fiennes e Helena Bonham Carter (sem dúvida a melhor atriz da atualidade para tipos femininos estranhos).

 

Yates ainda dirige a adaptação do sexto livro de J. K. Rowling, “O Príncipe Mestiço”. Se ele conseguiu fazer um ótimo trabalho de cinema com o livro que é considerado por alguns fãs o mais fraco da série, imagine o que poderá fazer com a festejada obra seguinte? 

Nota: 8

De Niro dirige

O próximo trabalho como diretor de Robert De Niro será contar a história do comunismo na China, junto à do seu líder, Mao Tsé Tung. O roteiro será baseado no livro "Chasing the Dragon: A Veteran Journalist's Firsthand Account of the 1949 Chinese Revolution", do jornalista norte-americano Roy Rowan, que foi correspondente da Time Life em Xangai durante o governo de Mao.

Esse será o terceiro longa-metragem dirigido por De Niro. No ano passado ele lançou o dama político "O Bom Pastor", chegando a ser cotado a concorrer ao Oscar.

Resumo da Semana

Semana até certo ponto produtiva: dois filmes no cinema ("Harry Potter e a Ordem da Fênix", "Transformers") e uma reprise em casa. Os de cinema ganharão críticas em breve.

"Lilo & Stitch" (Idem, 2002). De Dean DeBloise Chris Sanders

Um dos últimos trabalhos da Disney em animação tradicional, a história do pequeno alienígena e a garotinha havaiana sabe ter ternura e graça em meio a toda arruaça aprontada pelo bichinho azul. Tem lá sua piequice, mas é difícil não tomar os personagens e sua trama humana como algo próximo. Nota: 8


Comentários de Última Hora: Para quem não sabe, a garotinha que faz a voz original de Lilo, Daveigh Chase, atuou em "O Chamado" como ninguém menos que Samara Morgan, a fantasminha pouco amigável.

Troco

Esse filme você já viu antes. Não literalmente, mas o novo (?) longa de James Wan, "Death Sentence", requenta aquela velha história de vingança contra a morte de alguém muito próximo ao protagonista. Essa é a vez de Kevin Bacon, que se torna sempre uma atração a parte, podendo até valer a pena ver pela enésima vez um troco dado aos malvados. Clique no pôster do longa e veja o trailer da produção (com direito a música de "Extermínio" e tudo).

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